O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Maio de 2015

 

  1. Existe violência em casa e na rua. Existe violência na escola e no estádio. Existe violência na comunicação social e nas redes sociais.

Existe violência política, violência social, violência racial, violência laboral. E, para nosso pesar, existe também violência religiosa.

 

  1. À partida, nada parece ser mais estranho à religião do que a violência.

Só que a vida ensina que, infelizmente, poucas coisas estarão tão entranhadas na religião como a violência.

 

  1. Nem toda a violência é religiosa. E nem toda a experiência religiosa é violenta.

Há muita violência fora da religião. E há muita experiência religiosa longe de qualquer violência.

 

  1. Tão-pouco podemos esquecer que há muita violência contra a religião.

Mas a verdade manda reconhecer que ainda subsiste muita violência na religião: entre as religiões e dentro de cada religião.

 

  1. Olhando para a história, notamos que nenhuma religião tem o monopólio das crueldades nem o exclusivo das suas vítimas.

Em todas as religiões, há causadores de violência e mártires da violência.

 

  1. Os próprios textos sagrados parecem abrir portas às posições mais contrastantes.

Tanto veiculam o «não matarás»(Ex 20, 13) como apresentam Deus como «valente guerreiro»(Ex 15, 3), «Senhor da guerra»(1Sam 17, 47), «Senhor dos exércitos»(Sal 46, 7) ou «herói da batalha»(Sal 24, 8).

 

  1. Estudos como os de René Girard apontam para a existência de uma estreita ligação entre violência e religião.

Segundo ele, a primitiva religião teria surgido da necessidade de transferir para uma transcendência a violência do mundo.

 

  1. A figura dos «irmãos inimigos» remonta aos começos.

Caim não suporta que Deus acolha a oferta de seu irmão Abel e não a sua. Por isso, inveja-o e mata-o (cf. Gén 4, 1-16).

 

  1. A violência não é um fenómeno especificamente religioso; é um elemento universalmente humano. Pelo que não seria a extinção da religião a garantir a extinção da violência.

A violência não acabou com a religião. Conseguirá a religião acabar com a violência?

 

  1. O importante será desligar definitivamente a transcendência da violência, encarando-a sempre como alternativa à violência. O caminho só pode ser a paz entre as religiões. E a pacificação dentro de cada religião.

Se nem toda a violência é religiosa, que nenhuma religião seja violenta. Que todas as religiões sejam — totalmente! — não-violentas.

 

 

publicado por Theosfera às 10:41

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