O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018

1. Os santos recebem honras depois da morte. Mas o mais espantoso é que muitos deles só receberam humilhações durante a vida.

Acresce que essas humilhações eram acolhidas com serenidade e, às vezes, até eram procuradas com (arrepiante) avidez.
 

  1. Porquê? Os santos especializaram-se na «arte» de deixar de viver centrados em si, para passarem a viver completamente centrados em Cristo.

As humilhações ajudavam-nos a «desamarrar-se» de si mesmos. Só Cristo contava. Eles como que se eclipsavam para que somente Cristo reluzisse (cf. Jo 3. 30).


  1. Alguns santos chegavam a ficar seriamente incomodados com os elogios.

Santo António Maria Claret até defendia que «os elogios dos homens atraem a condenação de Deus».



  1. Santo Hilarião golpeava o peito com os punhos e insultava o seu corpo dizendo: «Burro! Não te alimentarei com cevada, mas com palha; esgotar-te-ei de fome e sede; submeter-te-ei ao calor e ao frio para que penses mais no alimento do que na concupiscência».

Daí que se limitasse a ingerir algumas ervas e cinco figos por dia.


  1. São José de Cupertino costumava apresentar-se como…«Frei Burro». Só que a graça divina concedeu-lhe muita sabedoria.

Houve inclusive um professor que testemunhou: «Ouvi-o discorrer tão profundamente sobre os mistérios da Teologia que nem os melhores teólogos do mundo conseguiriam igualá-lo».


  1. Depois de uma reprovação, o Reitor do Seminário terá dito ao futuro Santo Cura d’Ars: «Olha que os professores não te consideram apto para a ordenação sacerdotal. Alguns consideram-te mesmo “burro”. Como resolver esta situação?».

A resposta tornou-se célebre: «Senhor Reitor, Sansão venceu mil filisteus com a queixada de um burro (cf. Jz 15, 15). Não acha que Deus pode fazer muito mais com um “burro” inteiro?»


  1. Apesar da rectidão da sua conduta, os santos não se livraram de insinuações malsãs.

O caso mais aviltante — e, talvez, mais heróico — terá sido o de São Gerardo Majella, redentorista.


  1. Néria Caggiano, uma jovem que ele ajudara, acusou-o de a ter engravidado.

Instado a pronunciar-se, Gerardo optou por nada dizer. À luz do princípio «quem cala consente», foi severamente castigado. Privaram-no de receber a Comunhão e proibiram-no de contactar com pessoas fora do convento.


  1. É claro que Gerardo sofreu horrores.

A sua defesa, porém, foi apenas — e sempre — a oração e a tranquilidade de consciência.


  1. Mais tarde, a delatora, atingida pelos remorsos, desmentiu quanto dissera.

E foi assim que São Gerardo Majella começou a ser associado às vítimas das calúnias. E também à protecção das mulheres grávidas.

publicado por Theosfera às 07:00

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