O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2016
 

1. Crer também é conhecer. Desde logo, porque a fé não dispensa a razão.

Se a fé afecta a pessoa toda, então não pode deixar fora a sua racionalidade.

 

2. Na fé, a razão é chamada a conhecer o que entende e a reconhecer aquilo que não consegue entender.

E nem sequer é irracional admitir os limites da razão. Como notava Pascal, é um acto de razão assumir que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam.

 

3. No Novo Testamento, sobressai uma afinidade entre a fé (pistis) e o conhecimento (gnosis).

Por conseguinte e como assinalou Heinrich Fries, «existe um conhecimento crente e uma fé conhecedora».

 

4. A fé não é, pois, ausência de conhecimento. Ela é princípio e plenitude de conhecimento.

O problema, ao longo da história, esteve na tentação de separar a fé do conhecimento e o conhecimento da fé.

 

5. O resultado foi sempre desastroso: ou uma fé onde a razão não entra ou um conhecimento onde a fé não conta.

Na sua relação com Deus, o homem não pode dispensar a razão, mas também não pode limitar-se à razão.

 

6. É que, a montante do acto de fé, encontramos a revelação divina e, a jusante desse mesmo acto de fé, deparamos com a doutrina.

Quer a revelação, quer a doutrina, não sendo irracionais, estão muito para lá das fronteiras da razão.

 

7. Aliás, já Tertuliano afirmava que «a razão está cravada na Cruz». Mas isso não diminui a sua verdade nem apouca a sua credibilidade.

O mencionado autor argumentava: «O Filho de Deus morreu. É uma coisa digna de crédito porque é uma loucura. Foi sepultado e ressuscitou. Trata-se de algo certo porque é impossível»!

 

8. Ressuscitar depois de morrer não está ao alcance do homem. Só está ao alcance de Deus.

A razão não entende, mas admite. O que não tem qualquer explicação no homem tem toda a explicação em Deus.

 

9. Para o crente, a razão não ofusca a fé e a fé ilumina a razão.

O homem crê não porque abdique de entender, mas porque deseja entender melhor.

 

10. Crendo, a inteligência não fica obscurecida, mas iluminada.

Daí o caminho de Santo Anselmo: «Creio primeiro para, depois, compreender. Pois uma coisa eu sei: se não começar por crer, não compreenderei jamais»!
publicado por Theosfera às 10:51

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