O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

 

  1. Muito dizer nem sempre veicula muito saber.

O que dizemos acerca de Deus diz mais sobre nós do que sobre Deus.

 

  1. Como bem frisou Karl Rahner, nem a palavra Deus é adequada para dizer Deus.

Não esqueçamos que a própria palavra Deus é uma criação humana.

 

  1. Quando falamos sobre Deus, falamos habitualmente do que os seres humanos têm dito sobre Deus.

Alguém pode garantir que tal dizer sobre Deus corresponde cabalmente ao ser de Deus?

 

  1. Sto. Agostinho não alimentava ilusões: «Por mais altos que sejam os voos do pensamento sobre Deus, Ele está sempre mais além».

Por conseguinte, «se compreendeste, não é Deus. Se pudestes compreender, não foi Deus que compreendeste, mas apenas uma representação de Deus».

 

  1. Será que, como insinua alguma teologia, o máximo a que podemos aspirar é a saber o que Deus não é?

O certo é que até a Bíblia reconhece que caminhamos em contraluz. Deus é luz (cf. Sal 27, 1), mas surge ante nós como uma luz inacessível, que ninguém vê (cf. 1Tim 6, 16).

 

  1. A morada de Deus parece ser a nuvem (cf. Sal 97, 2), que é um manto de obscuridade que se interpõe entre nós e a luz.

Os textos sagrados garantem que Deus vem até nós através da nuvem (cf. Êx 19, 9), falando connosco por entre nuvens (cf. Êx 24, 6; Mt 17, 5).

 

  1. E, no entanto, Deus inundou o mundo de luz (cf. Gén 1, 4).

Acontece que os nossos olhos não vêem tudo (cf. 1Cor 2, 9). O essencial permanece-lhes vedado.

 

  1. Só vemos Deus quando O vemos com os olhos de Deus.

Só na Sua luz encontramos a luz (cf. Sal 36, 5).

 

  1. É por isso que Deus envia o Seu Filho. Ele é a luz de Deus para cada homem (cf. Jo 1, 9) e para todo o mundo (cf. Jo 8, 12).

Como confessamos no Símbolo, Jesus é a «luz da luz». É a luz que vem da luz para acender, em nós, mais luz.

 

  1. É possível que tenha chegado o momento de conter a nossa auto-suficiência e de parar algumas das nossas palavras.

Uma Quaresma sem ruído, uma Quaresma na humildade, uma Quaresma de escuta, uma Quaresma de espera depositar-nos-á — transfigurados! — na manhã luminosa da Páscoa!

 

publicado por Theosfera às 10:41

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