O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 29 de Abril de 2018

A. Para Deus, até os impossíveis podem ser vencidos

 

  1. O nosso problema é que, muitas vezes, comportamo-nos como seres derrotados pelos impossíveis. Nem sequer prestamos atenção ao aviso de que, para Deus, «nada é impossível» (Lc 1, 37). Esquecemos que, com Deus, até o impossível pode ser vencido.

Acontece que os cristãos da primeira hora também pareciam vencidos pelo impossível. Também eles achavam impossível que Saulo, o feroz perseguidor, se tivesse convertido. Por isso, não acreditavam que o perseguidor de Jesus passasse a ser discípulo de Jesus. Continuavam com medo dele (cf. Act 9, 26). Mas já não havia razão para ter medo de Saulo. O impossível tinha sido derrotado por Jesus que apareceu a Paulo no caminho de Damasco (cf. Act 9, 27). Como acontecera aos discípulos de Emaús, também agora Jesus ressuscitado vem ao caminho para fazer com que os caminhantes mudem de direcção.

 

  1. Não nos deixemos derrotar pelos impossíveis. Não fiquemos tolhidos pelos impossíveis. Mas não também não nos armemos em «super-heróis», pensando que, pelas nossas forças, conseguiremos vencê-los. Como, aliás, Jesus teve oportunidade de nos avisar, sozinhos não conseguimos nada (cf. Jo 15, 5). Só em Cristo conseguiremos tudo, até vencer o impossível.

Que é o Cristianismo senão o impossível tornado possível? Olhemos, pois, sempre para a «medida alta» de que nos falava São João Paulo II. Nós somos portadores da vitória sobre o impossível. Até a morte foi vencida. Sejamos, por isso, mensageiros de boas notícias. Que melhor notícia do que dizer que Jesus Cristo está vivo e continua connosco?


 

B. Não passar por Cristo, mas permanecer em Cristo

 

  1. O segredo para vencer o impossível é ficar com Cristo, é permanecer em Cristo. Aliás, é o apelo do próprio Jesus Cristo, transmitido por São João, usando um verbo que aparece recorrentemente nos seus textos: o verbo «permanecer». «Permanecei em Mim, diz Jesus, e Eu permanecerei em vós» (Jo 15, 4).

Eis o que falta, eis o que urge: permanecer em Cristo. O que, habitualmente, fazemos é ausentar-nos de Cristo ou, então, passar fugidiamente por Cristo. Deste modo, corremos o sério risco de nos tornarmos meros «turistas de Cristo». Como é sabido, turismo vem do francês «tour», que significa «volta». Frequentemente, é isso que fazemos: andamos à volta de Cristo e, depois, voltamos à nossa vida longe de Cristo. Nunca esqueçamos isto: um cristão não pode viver sem Cristo. Cristo não é para passar, é para permanecer. Não nos limitemos, pois, a passar por Cristo; permaneçamos sempre em Cristo.

 

  1. É que à capitulação perante o impossível soma-se a ilusão de contarmos unicamente com as nossas forças na relação com o possível. Sucede que um problema resolve-se com uma solução, não com uma ilusão. Mesmo na relação com o possível não bastam as nossas forças. As nossas possibilidades são sempre limitadas. Só em Cristo conseguiremos usar devidamente o que nos foi concedido. Importa perceber que tudo é dom de Deus. Nada é nosso. Nem nós somos nossos. Nós também somos de Deus. Como entender, então, que queiramos ser felizes longe de Deus?

Ainda recentemente, a Congregação para a Doutrina da Fé recordava que «a salvação que Deus nos oferece não é alcançada apenas pelas nossas forças […], mas através das relações nascidas do Filho de Deus encarnado e que formam a comunhão da Igreja».


 

C. Em si mesmas, as nossas forças são muito fracas

 

  1. Enquanto novo Corpo de Cristo, a Igreja é depositária da salvação oferecida por Cristo. Por conseguinte, ninguém se salva sozinho, ninguém se salva sem Cristo. É na Igreja que encontramos o Salvador e a Salvação. E é na Igreja que encontramos também muitos outros salvos pelo Salvador. Na Igreja, ao tocarmos «a carne de Jesus», tocamos igualmente os nossos irmãos, especialmente os pobres e sofredores. É com eles que chegamos à Salvação. É com eles que somos felizes.

Não nos sintamos superiores aos outros. Não somos superiores aos outros, mas irmãos dos outros. Tal como eles, também nós precisamos de Cristo. Sozinhos não somos nada, mas também não basta estarmos junto dos outros. É fundamental, juntamente com os outros, estarmos com Cristo. É Cristo que salva: em conjunto, em comunidade, em comunhão.

 

  1. As nossas forças, por si, conseguem pouco. As nossas forças, por si, são muito fracas. É por isso que, como ensinava Santo Agostinho, Deus convida-nos a fazer o que podemos e a pedir-Lhe o que não conseguimos. É importante perceber que não somos super-homens, mas apenas — e sempre — homens. Habituemos-nos, então, a confiar em Deus e a saber depender de Deus. Todas as dependências podem ser prejudiciais. Mas há uma dependência que nos faz ser sempre mais: a «Cristodependência». Depender de Cristo é ficar ligado à fonte da verdadeira liberdade. Nunca somos tão livres como quando nos abrimos à liberdade de Cristo (cf. Gál 5, 1).

 

D. Não somos chamados a «fortificar», mas a «frutificar»

 

  1. A pior limitação é não sermos capazes de reconhecer os nossos limites. Viver a partir de Cristo não nos apouca; pelo contrário, faz-nos crescer maximamente. Entreguemo-nos a Cristo. Permaneçamos sempre em Cristo. Em Cristo, Deus é ilimitado nos Seus dons. Só temos de abrir o que, tantas vezes, parece fechado: as portas do nosso coração, as janelas da nossa alma.

Somos (não fomos) baptizados; que estamos a fazer do dom do Baptismo? Recebemos o Corpo do Senhor; que estamos a fazer do dom da Eucaristia? Nós somos os ramos, Jesus é a videira (cf. Jo 15, 5). Os ramos não dão qualquer fruto sem a videira. Sem a videira, os ramos secam (cf. Jo 15, 6). Sem Cristo, secamos. Sem Cristo, a nossa vida é uma «seca», uma grande «seca».

 

  1. Aceitaremos que a nossa vida seja uma «seca»? Mas só Cristo fecunda a nossa vida. Só em Cristo daremos frutos. Importante não é parecer fortes, mas dar fruto. Nós não somos chamados a «fortificar», mas a «frutificar». E só frutificaremos a partir da seiva que vem de Cristo.

Assim sendo, nunca nos separemos da verdadeira vide, que é Cristo, nem aceitemos que nos separem do grande agricultor que é Deus (cf. Jo 15, 1). Procuremos «cristificar» cada vez mais a nossa existência. Ser cristão implica, antes de pertencer a uma religião, pertencer a uma pessoa: a Jesus Cristo.


 

E. Só ama Cristo quem faz a vontade de Cristo

 

  1. A nossa vida só tem solução quando se abrir a uma opção: à opção por Cristo. Por isso, permaneçamos sempre em Cristo pois Cristo permanece sempre em nós. Acresce que permanecer em Cristo é permanecer no Seu amor: «Permanecei no Meu amor», diz Jesus (Jo 15, 9).

Nós permanecemos no amor de Cristo se guardarmos os Seus mandamentos (cf. Jo 15, 10). É que o amor, mais do que para dizer, é para viver. Só amamos Cristo fazendo a vontade de Cristo como Cristo, aliás, faz a vontade do Pai. E, como é sabido, os mandamentos de Cristo têm o seu ápice no mandamento da Eucaristia («fazei isto em memória de Mim», 1Cor 11, 24), no mandamento da missão («ide por todo o mundo anunciar o Evangelho», Mc 16, 15) e no mandamento do amor («amai-vos uns aos outros como Eu vos amei», Jo 13, 34).

 

  1. A nossa alegria não está só — nem principalmente — quando nos rimos, mas quando fazemos a vontade de Deus e de Seu Filho, Jesus Cristo. Aliás, é curioso notar que o Evangelho diz que Jesus estremeceu de alegria, mas nunca diz que Jesus tenha rido. Pelo contrário, chega a dizer que Jesus chorou. Impressionante é também sentir que Jesus declara felizes não os que riem, mas os que choram.

É claro que Jesus riu — e sorriu — muitas vezes e é seguro que não excluiu da felicidade quem riu e sorriu. Mas o que avulta em Jesus é que a nossa alegria só será completa fazendo a vontade de Deus. Não é isso o que expressamos com os lábios quando dizemos: «Seja feita a Vossa vontade» (Mt 6, 10)? Fazendo a divina vontade reencontraremos a felicidade. E seremos visitados pela alegria. Em cada dia!

publicado por Theosfera às 05:27

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