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Quinta-feira, 01 de Novembro de 2018

A. Santos são muitos, santos deveríamos ser todos


  1. Hoje é dia de louvar Todos os Santos. E, nessa medida, hoje também é dia de recordar que todos somos chamados a ser santos. Para tal, basta não esquecer que somos filhos de um Deus santo (cf. Lev 19, 2) e membros de uma Igreja santa (cf. Ef 5, 27). Era por isso que, nos começos, os membros da Igreja eram conhecidos como «santos» (Act 9, 32). Tem lógica: se a Igreja é santa, os que dela fazem parte devem ser santos.

Sabemos, porém, que nem sempre isso acontece. Estamos num tempo em que se fala muito dos pecados na Igreja. Só que nem os pecados na Igreja obscurecem a santidade da Igreja. A Igreja é um corpo que é santo na sua cabeça (Jesus Cristo) e pecador nos seus membros.


  1. Como é que o Corpo de Cristo pode estar forrado com uma «massa tão grosseira», que somos nós? Sucede o nosso pecado é impotente para impedir que Jesus Cristo faça fluir a Sua santidade. E, apesar de tudo, são muitos os membros que têm deixado fluir a santidade da Cabeça. São esses membros que celebramos neste dia e honramos nesta festa,

Efectivamente, são muitos os santos. Mas deviam ser ainda mais. Afinal, santos deveríamos ser todos. É que, embora a resposta à santidade não venha de todos, a proposta de santidade chega sempre a todos.


 

B. Quantos são os santos?


  1. Muitos perguntarão: quantos são os santos canonizados? No início, os santos eram aclamados santos pelo povo. O primeiro santo a passar por um processo de canonização foi Santo Ulrico, no século X.

A canonização mais rápida foi a de São Pedro de Verona. Tendo falecido a 6 de Abril de 1252, subiu aos altares a 9 de Março do ano seguinte. Ou seja, 11 meses e três dias depois do seu falecimento, A segunda canonização mais célere foi a de Santo António. Tendo morrido a 13 de Junho de 1231, foi canonizado a 30 de Maio de 1232. Precisamente 11 meses e 17 dias após a sua morte.


  1. O «Martirológio Romano» contém cerca de 6.500 nomes. Sucede que, muitas vezes, um nome é acompanhado de vários «companheiros mártires». Ora, os «companheiros mártires» de um único santo podem ascender a dezenas ou até a centenas.

Basta notar que, no dia em que tornou pública a sua renúncia (11 de Fevereiro de 2013), Bento XVI anunciou a canonização de 802 pessoas. Eram Santa Laura Upegui, Santa Maria Guadaluppe Zavala e Santo António Primaldo com os seus 799 «companheiros mártires»!


 

C. Porquê esta festa nesta altura?


  1. Assim sendo, se aos 6.500 santos e beatos incluídos no Martirológio somarmos «os companheiros mártires» de muitos deles, obteremos um total bastante superior. São seguramente mais de 10.000, havendo mesmo quem tenha apurado perto de 20.000.

Importa, entretanto, realçar que, para lá dos santos reconhecidos, há muitos mais que só Deus conhece. É por isso que a Igreja reservou um dia para honrar «Todos os Santos»: os canonizados e beatificados e os que nunca serão beatificados nem canonizados.


  1. É curioso notar que esta festa de Todos os Santos começou por ser a festa de Todos os Mártires. Tal festa era celebrada no dia 13 de Maio. É que foi no dia 13 de Maio de 609 que o Papa Bonifácio IV transformou o Panteão Romano num templo dedicado à Virgem Maria e a todos os mártires. No século VIII, o Papa Gregório III dedicou uma capela, em Roma, a todos os santos, criando uma festa, em sua honra, no dia 1 de Novembro.

Não se sabe com segurança a razão de se ter optado por esta data. É sabido que, no princípio de Novembro, os povos celtas festejavam o «Samhain». Era uma festa pagã que assinalava o início do Inverno e em que se prestava culto aos mortos. Tendo em conta que sempre foi preocupação da Igreja cristianizar as festas pagãs, não surpreende que ela tenha procurado introduzir uma celebração cristã na data do «Samhain». A cristianização desta festa terá motivado — é uma hipótese que alguns levantam — que na véspera se mantivessem actividades lúdicas, de teor pagão. Estará aqui a origem do famoso «Halloween». Na verdade, «Halloween» é a contracção de «All Hallows'Eve», que significa precisamente «Véspera de Todos os Santos».


 

D. Os santos do céu começaram a ser santos na terra


  1. E, de certa maneira, é na véspera que nos encontramos. O tempo é a «véspera» da eternidade. Ao celebrarmos, hoje, aqueles que já chegaram à santidade, sentimo-nos estimulados a fazer da vida um caminho de santidade. Ao ser meta, a santidade também é caminho. A santidade não deixa ninguém de lado nem põe ninguém de fora. A santidade é o que há de mais agregador e de mais inclusivo. Daí que O Concílio Vaticano II lembre que «todos nós somos chamados à santidade».

Há, aliás, quem veja figurada este chamamento universal à santidade nos 144.000 tatuados com o sinal de Deus, de que fala o Apocalipse (cf. Ap 7, 2-8). Como é sabido, 144.000 resulta de 12 multiplicado por 12.000. Uma vez que 12 é o número das tribos de Israel, a multiplicação por 12.000 sinaliza a «multidão inumerável, que ninguém pode contar» (Ap 7, 9). É uma multidão proveniente de «todas as nações, tribos, povos e línguas» (Ap 7, 9). Assim sendo, fácil é concluir que os santos são muitos mais do que aqueles que conhecemos e incomensuravelmente mais do que aqueles que são reconhecidos como tal.


  1. Muitos destes santos fizeram parte da nossa família e do nosso círculo de amigos. Quem não guarda memória de pessoas santas que atravessaram a sua vida? O seu exemplo pode ter chegado ao conhecimento de poucos, mas não terá deixado de contribuir para mudar a vida de muitos. Há tanta gente que passou por nós e testemunhou a fé em grau heróico. São santos de vida simples, muitos deles de enxada na mão e sempre com muito amor no coração.

Os santos não estão apenas no altar nem figuram somente nos andores. Não há só santos de barro. Há muitos santos de carne e osso; às vezes, mais osso que carne. Há muitos santos que conseguem aceitar a adversidade com uma dose sobre-humana de serenidade. E há outros tantos que são capazes de denunciar a injustiça com porções espantosas de coragem.


 

E. A santidade é uma necessidade, não um luxo


  1. Nos santos, não celebramos apenas uma morte santa; em cada santo, celebramos toda uma vida santa. É que, embora celebremos os santos depois da morte, há que perceber que eles foram santos durante a vida. Os santos do céu começaram a ser santos na terra. Se eles conseguiram, porque é que nós não havemos de tentar?

Acontece que a santidade não faz bem apenas ao santo. Como notou Teresa de Calcutá, «a santidade é uma necessidade» — não um luxo — para o mundo. Um dia, havemos de concordar com Gounod quando afirmou que «uma gota de santidade vale mais do que um oceano de génio».


  1. A meta está apresentada e o caminho também nos é constantemente disponibilizado: é o caminho das Bem-Aventuranças, das felicitações, da felicidade. O mais espantoso é que nem a adversidade é capaz de travar a felicidade. Até na adversidade podemos ser santos, ou seja, felizes.

Não esqueçamos que os santos são humanos como nós. Que nós não desistamos de ser santos como eles!

publicado por Theosfera às 04:39

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