O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Atenção, muita atenção, aos paradoxos.

A vida visita-nos com muitas surpresas e não raros contrastes.

Ao invés do que possamos pensar, um excesso nem sempre acrescenta. Um excesso, por vezes, apouca, faz encolher.

Confesso-me.

Em jovem, nunca apreciei os formalismos. Sentia-me incomodado e até aprisionado por eles.

Mas o excesso de informalidade, que entretanto alastrou, vai-me fazendo reconhecer a importância de alguma (não muita) formalidade.

Acresce que o excesso de informalidade já não se restringe ao domínio privado. Ele vai invadindo cada vez mais a praça pública.

Há quem ande na rua (quase) como em casa. Há quem vá a uma repartição ou a uma igreja (quase) como vai a uma praia ou a uma esplanada.

Primeiro, ainda se estranhava. Agora, vai-se entranhando cada vez mais.

Dizem que as pessoas estão mais à vontade. Estarão mais felizes?

Um certo aprumo faz falta.

Não cultuo especialmente a aristocracia da linhagem. Mas alguma aristocracia no porte dignifica a pessoa e ilumina a convivência!

publicado por Theosfera às 09:43

De Maria da Paz a 20 de Agosto de 2014 às 12:20
Rev.mo Senhor Doutor:
«alguma aristocracia no porte dignifica a pessoa e ilumina a convivência!»
A verdadeira aristocracia, a verdadeira nobreza, estão no carácter, na honradez, no respeito por nós mesmos e pelos outros. Ora o respeito por nós mesmos e pelos outros começa no modo como nos apresentamos diante deles e no modo como os honramos no trato. Penso que a palavra "formalismo" encerra uma carga pejorativa. Eu diria antes "regras de cortesia. E elas são necessárias ao convívio. Mais eu penso que elas são a primeira manifestação de amor ao próximo, e o amor implica respeito. Se nos habituarmos, de crianças, a respeitar e a usar as regras de cortesia, elas não nos atrapalham: fluem naturalmente e elevam a nossa relação com o próximo. Ser educado dignifica-nos e e é implicitamente, momento a momento, uma atitude de respeito e amor pelo Outro. Não entendo por que razão a Igreja (ou algumas pessoas da Igreja) desvalorizam esta realidade. Há Sacerdotes que falam muito bem do altar para baixo, mas falham estrondosamente pela grosseria com que tratam os fiéis. Dá vontade de não mais aparecer junto dessa gente, de não mais aparecer na igreja. Ora isto não é evangelizar. O Padre deve ser um homem distinto. Penso que os Seminários falham muito no aspecto educacional. Sempre vi meus Pais preocupados e actuantes relativamente à educação das filhas. A formação do carácter era, para eles, fundamental. O respeito por nós e pelos Outros era valor maior. E as regras de cortesia eram ensinadas dia-a-dia, hora a hora, minuto a minuto, em gestos refeitos, em palavras que tinham de ser ditas (e ditas de certa maneira), em atitudes de respeito por quem connosco convivia (incluindo as criadas) ou por quem honrava a nossa casa com a sua presença, com a sua visita. Assim nos prepararam para a vida. E quem assim foi preparado para a vida sente como agressões as atitudes de grosseria de outra gente que não sabe nem quer saber como comportar-se. Infelizmente. O pior é que nem na Igreja estamos a salvo desta enxurrada de atropelos. Procura-se refúgio entre aqueles que tiveram o mesmo tipo de educação esmerada. Aí a relação humana eleva-nos para Deus, através do amor ao próximo, expresso em atitudes de delicadeza que são marcas de respeito e de amor. Todas as regras de cortesia têm a sua razão de ser e encerram uma delicada e real preocupação em honrar o Outro, em facilitar-lhe a vida, em procurar o seu bem-estar. As pessoas de um elevado nível de educação estão, afinal, a cumprir o que o Evangelho nos propõe. Haveria necessidade de rever, nos Seminários, a educação ministrada aos candidatos ao Sacerdócio. O mal é que há "formadores" Padres que também não primam pela educação - provavelmente não tiveram Mães e Pais à altura da missão parental. Os Seminários deveriam repensar toda esta dinâmica, a bem de uma completa e eficaz evangelização. Dizia Friedrich von Schlegel que «Um homem sem educação é uma caricatura de si mesmo». Não podemos consentir nos altares pessoas que são «a caricatura de mesmas». Deus criou-nos, a todos, para os cumes, para a excelência. E os condutores do Povo de Deus devem primar pela distinção.
Afectuosamente,
Maria da Paz

De Evágrio Pôntico a 20 de Agosto de 2014 às 16:09
Concordo com o Sr. Padre João e com a Sra. D. Maria da Paz.

De facto, choca-me muito ver mulheres com as costas nuas, ou de mini-saias provocantes (pecadoras, pois tentam os homens... !) na igreja. Algumas até fazem as leituras assim "vestidas", sem o mínimo pudor... ! Em relação aos homens, causa-me grande desconforto ver alguns que pensam que estão numa praia qualquer, sem respeito pela casa de Deus ! Entram de chinelos e calções... ! Confesso que, se eu fosse padre, corria com essa gente porta fora !

Que tristeza haver-se perdido a vergonha e a noção de compostura !

Veja-se a diferença e o exemplo magnífico de Taizé : à porta da "igreja da reconciliação" há um local próprio com "écharpes" para raparigas e senhoras cobrirem as costas nuas antes de entrarem na igreja...


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