O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 21 de Abril de 2019

A. Em nós Ele está, connosco para sempre ficará

1. Um grito vem desta noite: «Não está aqui!» (Mt 28, 6; Lc 24, 6). Efectivamente, Jesus já não está ali, no lugar da morte. Jesus para o Pai voltou, mas connosco continuou. Ele já «não está ali!» Agora, Ele está (também) em si! Aleluia! Louvemos o Senhor. A todos levemos sempre o Seu amor!

É por causa do que aconteceu esta noite que nenhum cristão diz que «Jesus viveu». Por causa do que aconteceu esta noite, todos nós, cristãos, dizemos — proclamamos e cantamos — que «Jesus está vivo». Eis a grande notícia que atravessa este dia. Eis a maior vitória registada em toda a história: a morte, essa atrevida, para sempre foi vencida. Aquele que morreu, a própria morte venceu. Eis, em suma, a razão deste dia da Ressurreição: Jesus venceu a morte; o Seu amor é sumamente forte. Em nós Ele está; connosco para sempre ficará. Por nós Ele Se deixa ver. E a Sua paz sobre todos vai descer.

 

  1. Se repararmos bem, o texto que escutámos apresenta-nos a primeira visão de Jesus após a Ressurreição. Foi o Discípulo Amado — o apóstolo João segundo a Tradição — que do Ressuscitado teve a primeira visão. Não se trata de uma aparição física, mas de uma aparição mística.

A primeira aparição física foi a Maria de Magdala (cf. Mc 16, 9), perto do sepulcro (cf. Jo 20, 11). Ela «viu» Jesus cá fora (cf. Jo 20, 18). Só que João já tinha «visto» Jesus lá dentro (cf. Jo 20, 8). Foi uma visão mística, mas real, à qual os acontecimentos deram uma confirmação total.


B. O «sinal do pano»



  1. Que «viu» João, afinal? No exterior, viu apenas as ligaduras e o pano que cobriu o rosto de Jesus (cf. Jo 20, 6-7). Mas, no seu interior, ele «viu» Jesus. Houve um «pormenor» que despertou seguramente a sua atenção: a posição do pano. É que o pano não estava ao pé das ligaduras; estava arrumado «num lugar à parte» (Jo 20, 7).

Se o corpo de Jesus tivesse sido roubado — como pensava Maria de Magdala (cf. Jo 20, 2) —, o pano não ficaria arrumado (cf. Jo 20, 7). Não é suposto que os ladrões tenham estes cuidados. A prática dos ladrões é pôr em desordem o que está ordenado.



  1. Mas houve ainda um outro aspecto que terá passado pelo espírito de João. Aquele pano arrumado continha uma mensagem. É que, entre os judeus, um criado não podia tocar na mesa antes de o seu senhor ter terminado a refeição. E como é que ele sabia que o senhor terminara? Precisamente pela posição do pano que tinha ao lado do prato. Se o senhor amarrotasse o pano, queria dizer: «Já terminei». Mas se, ao levantar-se, deixasse o pano dobrado, o criado continuava a não poder tocar na mesa, porque aquele pano dobrado queria dizer: «Eu ainda voltarei!»


C. «Viu e acreditou» quer dizer «Viu porque acreditou»



  1. Foi então que João percebeu que a vida venceu. Jesus tinha voltado. Tanto assim que, logo a seguir, somos informados de que — ali mesmo, perto do sepulcro (cf. Jo 20, 11) —, Jesus aparece a Maria de Magdala (cf. Jo 20, 14-18). Mas, antes de aparecer no exterior a Maria de Magdala, já aparecido no interior de João.

A fé é a grande visão, a maior visão, a verdadeira visão. Daí que, quando censura a incredulidade de Tomé e proclama felizes os que acreditam sem terem visto (cf. Jo 20, 29), Jesus também esteja a elogiar João. De facto, o Discípulo Amado foi o primeiro a ver. Foi a sua fé, alimentada pelo amor, que o levou a perceber tudo. Jesus não tinha sido roubado; Jesus tinha, sim, ressuscitado!



  1. Não é por acaso que o Evangelho diz que João «viu e acreditou» (Jo 20,8). É como se dissesse: «Viu porque acreditou». No sudário, João consegue «ver» Jesus. Este «ver» é fornecido pelo «acreditar». Acreditar é ver antes de ver, é ver sem ver. O caminho de João não foi, pois, ver para crer, mas crer para ver. Só quem crê consegue ver.

É por isso que a primeira aparição na manhã daquele dia não foi a uma conhecida Maria. É certo que Marcos informa que «Jesus apareceu “primeiramente” a Maria de Magdala» (Mc 16, 9). E o próprio João descreve tal aparição (cf. Jo 20, 14-18). Sucede que ela viu Jesus, mas sem saber que era Jesus (cf. Jo 20, 14). Foi quando Jesus pelo seu nome chamou que ela para Ele se voltou. Foi nesse instante que tudo se deu; foi aí que ela O reconheceu (cf. Jo 20, 16). Só que, enquanto Maria de Magdala começa por ver sem reconhecer, João reconhece mesmo antes de ver. Deste modo e como D. António Couto tem advertido, o sepulcro não estava vazio, mas cheio: cheio de sinais de vida, de vida divina, de vida feliz.


D. Na Igreja inteira, o amor tem a dianteira



  1. É curioso que, pelo relato, não sabemos com nitidez qual foi a reacção de Pedro. O Evangelho diz que João «viu e acreditou» (Jo 20, 7). Não quer dizer que Pedro não tenha acreditado, mas nada é referido. Lucas limita-se a notar que Pedro «voltou para casa, admirado com o sucedido» (Lc 24, 12). Talvez tenha necessitado de ser instruído por João que, ao contrário de Pedro, acompanhou Jesus até ao fim, até à Cruz.

Na Igreja inteira, o amor tem a dianteira. Mas, porque o amor é paciente (cf. 1Cor 13, 4), é capaz de esperar até por aqueles que vacilam no amor.



  1. E Maria? Será que Jesus não Lhe apareceu? É impressionante que um elenco tão pormenorizado como o de São Paulo — que chega a falar de uma aparição a mais de quinhentas pessoas (cf. 1Cor 15, 6) — tenha omitido a aparição à própria Mãe.

Não falta, entretanto, quem garanta que foi mesmo a Maria que Jesus apareceu em primeiríssimo lugar. Um autor do século V, chamado Sedúlio, assegura que o Ressuscitado mostrou-Se, antes de mais, à Sua Mãe. E, em 1997, São João Paulo II apresentou o motivo: «A ausência de Maria do grupo das mulheres que se dirige ao sepulcro pode constituir um indício de Ela já Se ter encontrado com Jesus». Maria — proclamada feliz por ter acreditado (cf. Lc 1, 45) — sabia que não era no túmulo que Jesus Se encontrava. Ela manteve sempre viva a chama da fé, preparando-Se para acolher o anúncio jubiloso — e surpreendente — da Ressurreição!


E. «Corramos» para Cristo e «corramos» para os outros levando-lhes Cristo



  1. Também hoje, Jesus está connosco. Neste dia da Ressurreição, continuamos a ser destinatários da Sua permanente aparição. Jesus continua a aparecer-nos na Sua Palavra, no Seu Pão, na Sua Igreja, em cada irmão. A Sua vida é a nossa vida. Ele, que morreu por nós, ressuscita para nós. Como Pedro, como João e como Maria de Magdala, façamos nós também deste dia um «dia de correria».

Como os discípulos da primeira hora, «corramos» nós — discípulos desta hora — para Cristo. «Corramos» para Cristo e «corramos» para os outros levando-lhes Jesus Cristo.



  1. Vivamos em Páscoa e não apenas no dia de Páscoa. É urgente que todas as nossas vidas sejam vidas de Páscoa. É a vida de Páscoa que dá sentido ao dia de Páscoa, ao tempo de Páscoa. Por isso, «aleluiemos». Nunca deixemos de «aleluiar», isto é, de louvar. Cristo está vivo na nossa vida e nós só estaremos vivos na vida de Cristo.

Há dois mil anos, foi Deus que disse a um homem: «O teu filho vive» (Jo 4, 50). Desde há dois mil anos, são os homens que dizem a Deus: «O Teu Filho vive. É n’Ele que nós vivemos». É Jesus que nos faz viver. É por Jesus que nem na morte havemos de morrer!

publicado por Theosfera às 05:48

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