O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 11 de Agosto de 2019

A. Não ao improviso e excesso de programação

 

  1. A sociedade cada vez tolera menos o improviso. E, no entanto, passamos muito tempo a improvisar. Jesus, neste Domingo, propõe-nos o contrário do improviso. Ele convida-nos à vigilância, à preparação e ao cuidado.

O discípulo não pode viver de braços cruzados, entre o desânimo e o comodismo. Quando a pessoa já não espera nada — ou quando espera que lhe façam tudo —, limita-se a surfar pela vida, sem preparar o que deve fazer em cada momento.



  1. O nosso campo de missão é o lugar, cada lugar, e o momento, cada momento. Em cada lugar e em cada momento, há que estar atento e disponível para acolher o Senhor. A preparação não consiste tanto em distribuir tarefas ou conseguir ferramentas. A preparação consiste sobretudo na disponibilidade para acolher o Senhor que vem: em cada lugar, em cada momento, em cada pessoa.

A Primeira Leitura apresenta-nos as palavras de um sábio, para quem só a atenção a Deus gera vida e felicidade. Neste sentido, nós, cristãos, devemos constituir uma comunidade atenta e vigilante, para saber distinguir o que vale e o que não vale, o que tem valor eterno e o que (só) tem valor efémero.


B. Cuidado com o desperdício do tempo



  1. Por sua vez, a Segunda Leitura apresenta Abraão e Sara como modelos de fé para os crentes de todas as épocas. A sua vida não foi uma vida programada. Foi, antes, uma vida que Deus desprogramou e reprogramou. A atenção e a vigilância de Abraão e de Sara foram determinantes. Atentos aos sinais de Deus, deixaram que Deus desprogramasse e reprogramasse a sua vida. Importantes, para eles, não foram os seus planos, mas o chamamento de Deus.

É curioso que, hoje em dia, ao lado do improviso, encontramos uma tendência para tudo programar e formatar. Parece que seguimos um formato, que executamos como autómatos. Fora desse formato, não funcionamos, só improvisamos. É preciso, pois, estar atento ao chamamento de Deus, aos Seus apelos.



  1. Verdadeiro discípulo é aquele que está preparado para acolher os dons de Deus, para corresponder aos Seus apelos e para participar na construção do Reino.

Não esqueçamos que o maior desperdício é o desperdício do tempo e das oportunidades que vão passando por nós no tempo. Tantas são as vezes em que dizemos que Deus não fala. E, afinal, tantos são os momentos em que, na verdade, nós não O escutamos nem acolhemos.


C. O nosso campo de missão: cada lugar, cada momento



  1. O Evangelho deste Domingo começa com uma referência ao «verdadeiro tesouro» que os discípulos devem procurar. Esse tesouro não se encontra nos bens deste mundo (cf. Lc 12, 33-34). O verdadeiro tesouro é o Reino de Deus e os valores que dele dimanam. Como encontrar — e guardar — este precioso tesouro? A resposta chega-nos através de três quadros ou parábolas, que reforçam precisamente o convite à vigilância.

A primeira parábola (cf. Lc 12, 35-38) convida-nos a ter os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Aqui, parece haver uma alusão ao episódio narrado em Ex 12,11. Trata-se da noite da primeira Páscoa, celebrada de pé e «com os rins cingidos», antes da viagem para a liberdade. Somos, assim, convidados a estar preparados para acolher a libertação que Jesus nos vem trazer. O «noivo, que é Jesus, está sempre a propor à «noiva», que somos nós, a comunhão plena com Deus. Jesus é um «noivo fiel, fidelíssimo». Teremos nós vontade de ser fiéis?



  1. A segunda parábola (cf. Lc 12, 39-40) evoca a incerteza da hora em que o Senhor virá. A imagem do ladrão, que chega a qualquer hora, parece uma imagem pouco adequada para falar de Deus. Trata-se, porém, de uma imagem sugestiva para mostrar que o discípulo fiel é aquele que está sempre preparado para acolher o Senhor que vem.

No fundo, não é preciso anunciar porque, a cada instante, Deus está a vir. Nós é que nem sempre marcamos presença quando Deus vem. É bom ter presente que cada evento do homem é um permanente advento de Deus.


D. Maiores dons, maiores responsabilidades



  1. A segunda parábola (cf. Lc 12, 39-40) evoca a incerteza da hora em que o Senhor virá. A imagem do ladrão, que chega a qualquer hora, parece uma imagem pouco adequada para falar de Deus. Trata-se, porém, de uma imagem sugestiva para mostrar que o discípulo fiel é aquele que está sempre preparado para acolher o Senhor que vem.

No fundo, não é preciso anunciar porque, a cada instante, Deus está a vir. Nós é que nem sempre marcamos presença quando Deus vem. É bom ter presente que cada evento do homem é um permanente advento de Deus.



  1. A terceira parábola (cf. Lc 12, 41-48) parece dirigir-se sobretudo aos responsáveis pela Igreja. Aliás, ela surge na sequência de uma pergunta de Pedro.

O que Jesus quer dizer é que os responsáveis pela Igreja devem permanecer fiéis à sua missão, ao seu serviço. Se alguém deles descuida as suas responsabilidades — e usa as funções que lhe foram confiadas de forma negligente ou em benefício próprio — sofrerá as consequências.



  1. Os dois últimos versículos falam-nos do tipo de castigo de acordo com o tipo de desobediência. Quem desobedece intencionalmente será mais castigado; quem desobedece sem intenção será menos castigado. Esta referência às «vergastadas» deve ser entendida no âmbito da linguagem dos pregadores da época. Estas «vergastadas» sinalizam a repulsa de Deus por aqueles que negligenciam a missão que lhes foi confiada.

É provável que São Lucas esteja a pensar em alguns dirigentes cristãos que, por preguiça ou por maldade, perturbavam seriamente a vida das comunidades a que presidiam.


E. Confiança para lá de toda a segurança



  1. «A quem muito foi dado, muito será exigido, a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá» (Lc 12, 48). Não há dúvida de que esta frase é dirigida aos responsáveis. Mas pode aplicar-se a todos os que receberam dons materiais ou espirituais. Tudo o que está em nós não é nosso. Tudo o que está em nós é dom, não posse. Tudo o que está em nós, antes de ser conquistado por nós, foi-nos confiado por Deus.

Se o que está em nós não é nosso, não pode estacionar em nós. Deus quer que tudo aquilo que nos confiou seja repartido para bem de todos. Não deixemos, por isso, que tudo funcione em função do cálculo. Abramo-nos à aventura da fé.



  1. A Carta aos Hebreus apresenta a fé como «garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem» (Heb 11,1). A fé está intimamente conectada com a esperança; ela dirige-se não ao que está programado desde o passado, mas à surpresa do futuro e ao invisível.

A fé inspira confiança para lá de toda e qualquer (humana) segurança. A fé permite-nos ver além do visível, levando-nos para o limiar do invisível. Aquilo que o possível nos homens não consegue o «impossível» de Deus realiza. Não fiquemos pelas nossas possibilidades. Abramo-nos ao «impossível» de Deus. Para Ele, todo o impossível é possível. Só com Deus, o que consideramos impossível se tornará (felizmente) possível!

publicado por Theosfera às 05:13

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