O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 12 de Maio de 2015
  1. A violência religiosa é a pior instrumentalização de Deus.

Ela invoca a mais alta inspiração divina para dar guarida aos mais baixos impulsos humanos.

 

  1. Ninguém, contudo, está a salvo desta violência.

Sobressalta-nos a incerteza acerca do momento e do local do próximo atentado. Mas vivemos na certeza de que, perto ou longe, algo vai acontecer.

 

  1. É arrepiante ver o religioso repetidamente envolvido nos actos mais sangrentos que a história regista.

Afinal, ainda não compreendemos que pertencer a uma religião não significa «despertencer» a outra religião.

 

  1. O facto de pertencermos a uma mesma humanidade determina que pertencemos todos uns aos outros.

Por conseguinte, acabamos por pertencer ao que os outros pertencem. O que pertence aos outros não pertencerá também a nós?

 

  1. É claro que não pertencemos à religião dos outros do mesmo modo que pertencemos à nossa.

Mas será que a pertença formal a uma religião impedirá qualquer forma de «pertença» a outras religiões?

 

  1. Será que a opção por uma religião obriga a uma animosidade pelas outras religiões?

Ou não sucederá que uma lúcida adesão a uma religião levará à percepção de elementos de afinidade com outras religiões?

 

  1. Não há dúvida de que, como advertia Xavier Zubiri, «viver é optar». Mas optar passará necessariamente por excluir?

Uma opção exprime sempre uma prioridade. Mas não tem de exprimir, forçosamente, uma rejeição.

 

  1. Andrés Torres Queiruga insiste, a este propósito, num neologismo talvez cacofónico, mas bastante expressivo: «inreligionação».

No fundo, trata-se de perceber que alguma coisa de cada religião acaba sempre por estar incluída noutra religião.

 

  1. Um cristão notará que, nas outras religiões, está presente um «Cristo desconhecido» (Raimon Panikkar), um «Cristo anónimo» (Karl Rahner), um «Cristo implícito» (Edward Schilebeeckx), um «Cristo intrínseco» ou um «Cristo germinal» (Xavier Zubiri), etc.

Este pluralismo ilustra, na óptica fecunda de Zubiri, «a essencial possibilidade que tem o espírito humano de chegar a Deus por diferentes caminhos».

 

  1. Se Deus «religa» todas as religiões, será efectivamente religioso quem só se preocupa com a sua religião? Quem não tem apreço pelas outras religiões? Ou quem persegue os membros de outras religiões?

Uma religião só ilumina quando não elimina!

 

publicado por Theosfera às 10:28

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