O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 04 de Outubro de 2014
    1. Um dos valores matriciais da convivência é o respeito.

    Deste respeito não hão-de ficar de fora o espaço sagrado e os actos sagrados. Nem será preciso invocar normas. Bastará seguir o bom senso.

     

    1. Todos sabem que a experiência religiosa é, por excelência, uma experiência de escuta.

    Daí que o ambiente no espaço sagrado deva primar pelo silêncio.

     

    1. Quem tem fé compreenderá com facilidade. E quem não tem fé também perceberá sem dificuldade.

    É por isso que se pede que, antes das celebrações e como forma de ambientação, haja silêncio na igreja, na sacristia e até à volta do templo.

     

    1. Sei que não é por mal, mas, nos últimos tempos, chega-se a uma igreja e o que avulta é o ruído.

    A vontade de conversar sobrepõe-se ao direito de meditar. Parece que se pode falar com todos menos com Deus. Parece que se ouve toda a gente, menos a voz de Deus.

     

    1. Como se isto não bastasse, já se vêem pessoas a entrar com bonés e chapéus, com fatos de praia, a beber, a comer (sobretudo gelados), a mastigar (rebuçados ou pastilhas elásticas), a atender o telemóvel ou a consultar a net.

    Isto colide frontalmente com a natureza do lugar e das celebrações que nele decorrem.

     

    1. Sobra, ainda, um problema para quem tem a missão de conduzir o povo de Deus.

    Se intervém, arrisca-se a ser incompreendido e até maltratado. Se não intervém, acaba por consentir o que não pode aprovar. Ou seja, é uma situação sempre delicada.

     

    1. Acresce que, à medida que o tempo passa, há uma tendência para transformar a excepção em regra.

    Já se agenda quase todo o tipo de actividades para as igrejas.

     

    1. Não raramente, prevalece a impressão de que a igreja é para tudo, excepto para aquilo que ela existe: rezar. Até parece que o incorrecto tem mais espaço que o correcto. E que o errado encontra maior acolhimento que o certo.

    Aliás, quem é apontado como estando errado acaba por ser quem tenta corrigir o erro.

     

    1. A Igreja é para todos, mas não é para tudo.

    Só que é complicado gerir as situações concretas e os factos que muitos dão como consumados.

     

    1. Apesar de tudo, creio não ser impossível restituir a dignidade aos lugares e a beleza às celebrações.

    Para glória de Deus. E bem-estar de todos!

publicado por Theosfera às 01:03

De Jorge Nicola a 5 de Outubro de 2014 às 22:05
Posso estar de acordo com o autor do texto, em parte não completamente e digo porquê: - a igreja é um lugar de culto, de oração e de meditação... em qualquer parte do dia ou da semana. Não necessariamente e exclusivamente, no domingo. A verdade, é que a própria igreja instituiu o domingo como o dia do encontro da comunidade paroquial e uma comunidade, quando se encontra, é NATURALMENTE ruidosa. Particularmente se envolve jovens (catequeses, escutas, outros grupos) e familias.
Como diz o autor, isso acontece normalmente, antes e após a celebração; é a ALEGRIA do reencontro, de que a igreja CATÓLICA tanto carece.
Quanto ao resto, estou de acordo de que o espaço TEMPLO, deve ser respeitado pelos utentes, cristãos ou não, quer nas atitudes, nas boas maneiras de recato, na linguagem e seu volume,etc, em qualquer altura do dia ou da semana. Mas isso... vem de determinados valores de educação/formação, tão pouco cultivados HOJE em dia, pelas famílias e escolas . E quando digo HOJE, refiro-me aos atropelos e trapalhadas, cometidos no periodo revolucionário e pós-revolucionário de Abril de 74, no âmbito das AMPLAS liberdades no capítulo da educação. Alguém já 'ensaiou' entrar num templo israelita ou muçulmano, de calções acima do joelho, ou ombros à mostra?... e falar alto no seu interior?

De Evágrio Pôntico a 6 de Outubro de 2014 às 11:40
Sr. Jorge Nicola, o seu ponto de vista (abrangente) parece-me correcto, e tem toda a razão na comparação que faz com os templos islamitas.

É bem verdade, que essa religião não admite exteriorizações fúteis e desavergonhadas como as que, cada vez mais frequentemente, se vêem nas nossas igrejas...

Quanto aos excessos dos nossos jovens nas igrejas, penso que o Sr. Padre João tem razão: é preciso moderação.
Eu diria mais: é preciso ensinar a esses jovens que a sua alegria não pode ser sinónimo de turbulência. Também se pode ser alegre na contenção e no silêncio, sobretudo no respeito a Deus.

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