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Domingo, 09 de Setembro de 2018

 A. Deus não quer preferências entre pessoas

  1. É fundamental ser ouvinte da Palavra. Mas não basta. A Palavra de Deus não se dirige apenas aos nossos ouvidos, mas a toda a nossa vida. A Palavra de Deus entra pelos nossos ouvidos para transformar toda a nossa vida.

São Tiago avisa-nos para que não nos limitemos a ouvir (cf. Tgo 1, 23). É preciso cumprir, pôr em prática. E o mesmo S. Tiago faz-nos, hoje, uma advertência, que tantas vezes escutamos, mas tão poucas vezes pomos em prática.

 

  1. Para São Tiago, não é lícito alimentar preferências por certas pessoas em detrimento de outras (cf. Tgo 2, 1). Na Igreja não pode haver preferidos nem preteridos. Deus não quer que, em Seu nome, se faça distinção entre pessoas. Ninguém pode ser especialmente tratado, todos devem ser igualmente respeitados.

A Segunda Leitura deste Domingo tipifica uma situação em que falhamos frequentemente. «Pode acontecer que, na vossa assembleia, entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também algum pobre e mal vestido. Talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: “Tu, senta-te aqui, em bom lugar”, e ao pobre digais: “Tu, fica aí de pé”, ou então: “Senta-te a meus pés”. Porventura não estareis a fazer distinções entre vós?» (Tgo 2, 3-4).

 

B. Se houve preferências, que seja pelos simples

 

3. Não é mau que os bem-vestidos sejam estimados. Mas é muito mau quando os mal-vestidos são desprezados. Só que, infelizmente, é o que, muitas vezes, se vê. Olhamos para as aparências e valorizamos o aparato. Damos mais atenção à roupa do que à dignidade. Arranjamos os melhores lugares para os grandes e não mostramos o menor apreço pelos pequenos, pelos simples, pelos pobres.

Tudo isto mostra que não falhamos só na cortesia. Tudo isto mostra que, antes de mais, estamos a falhar na vivência do Evangelho. São Tiago pergunta: «Não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que Ele prometeu àqueles que O amam?» (Tgo 2, 5).

 

  1. Se alguma preferência houver, que seja para os pequenos, para os simples, para os humildes, para os sofredores. Os preteridos do mundo hão-de ser os preferidos dos cristãos. Mas será isso o que se vê? Tantas são as atenções que damos aos poderosos e tão gritante é a falta de atenção que damos às vítimas dos poderosos!

Sejamos respeitadores para com as autoridades. Mas respeitemos sempre os humildes. Quem está em cima tem muitas compensações. Já os que estão em baixo não costumam ser reconhecidos. Quem reconhece o trabalho e a dedicação das pessoas simples?

 

C. Ânimo para os desanimados

 

5. Jesus veio corrigir todas as assimetrias. Jesus veio engrandecer o que é pequeno. Jesus veio trazer para cima o que está em baixo. Por isso é que Ele era apreciado pelos humildes e incompreendido pelos poderosos. Será que nós, seguidores de Jesus, procuramos dar continuidade às Suas opções? A Igreja de Jesus é para todos, mas é sobretudo para os humildes. A Igreja é para que todos nos tornemos humildes.

Acabemos, pois, com as disputas por lugares e protagonismos. Para a Casa de Deus, ninguém pode ser especialmente convidado, todos devem ser igualmente bem-vindos. E se alguma distinção fizermos, que seja para aqueles que, habitualmente, são mais esquecidos. São esses os que mais precisam de um alento, de uma atenção, de um estímulo.

 

  1. É sobretudo para os mais simples que, hoje, ressoa uma palavra de conforto. A Primeira Leitura insere uma palavra de ânimo da parte de Deus para o Seu povo, que estava paralisado pelo desespero. No meio da provação, Deus anuncia a proximidade da libertação: «Tende coragem. Não vos assusteis» (Is 35, 4).

Eis o que Deus nos diz sempre, eis o que Deus nos diz a todos. Tenhamos coragem, não nos assustemos. Porquê? Porque Deus está connosco (cf. Is 35, 4). O Seu Filho é o Deus-connosco, o Deus para nós, o Deus em nós. Hoje, Deus continua a estar connosco na Palavra, no Pão e na Missão junto de cada Irmão.

 

D. Deus possibilita o próprio impossível

 

7. Deus torna possível o próprio impossível: «Os olhos do cego hão-de abrir-se, os ouvidos dos surdos serão abertos. O coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca converter-se-á num lago e a terra sequiosa tornar-se-á uma nascente de água» (Is 35, 5-7).

Acreditar é esperar o próprio impossível. Jesus é a certeza de que o impossível pode tornar-se possível. Em Jesus, até o surdo ouve e o mudo fala.

 

  1. Neste Domingo, acompanhamos Jesus numa viagem pela Fenícia, passando pelos territórios de Tiro e de Sídon, cidades do actual Líbano (cf. Mc 7,24). No regresso dessa viagem, Jesus teria andado pelo território da Decápole (cf. Mc 7,31). A propósito, convirá dizer que a Decápole era uma liga de dez cidades, que se formou depois da conquista da Palestina pelos romanos, no ano 63 a.C..

É nesse contexto geográfico e humano que ocorre o episódio da cura do surdo-mudo. As pessoas que trouxeram o surdo-mudo suplicaram a Jesus «que impusesse as mãos sobre ele» (Mc 7, 32). Tudo é novo quando nos deixamos tocar por Jesus.

 

E. Só Jesus deixa ouvir, só Jesus faz ver

 

9. Notemos que o surdo-mudo é alguém que tem dificuldade em dialogar, em comunicar, em relacionar-se. Acresce que estamos num meio que olha para as doenças físicas como consequência do pecado, pelo que o surdo-mudo é um «impuro», um pecador e um maldito.

É o encontro com Jesus que transforma totalmente a vida desse surdo-mudo. Jesus abre-lhe os ouvidos e solta-lhe a língua (cf. Mc 7, 35), tornando-o capaz de comunicar, de escutar, de falar, de partilhar, de entrar em comunhão. Tudo é novo neste homem a partir do encontro com Jesus. Em Jesus cumpre-se o que Isaías anunciara: os ouvidos soltam-se e os olhos abrem-se (cf. Is 35, 4-6). É Jesus que nos permite ouvir. É Jesus quem nos faz ver.

 

  1. O papel da comunidade é muito importante. Reparemos num pormenor. Não foi o surdo-mudo que se apresentou a Jesus, foi alguém que o apresentou a Jesus (cf. Mc 7, 32). É preciso trazer os outros até Jesus e é fundamental levar Jesus até aos outros. A Igreja existe como sinal da predilecção de Deus pelos que mais sofrem neste mundo. Jesus mete os dedos nos ouvidos deste homem, faz saliva e toca a sua língua (cf. Mc 7, 33). Tocar com o dedo significa transmitir poder e colocar saliva significa oferecer a própria energia vital. Equivale ao sopro de Deus que transformou o barro do primeiro homem num ser dotado de vida divina (cf. Gén 2,7).

Entretanto, Jesus diz «effathá», isto é, «abre-te». Trata-se de um convite ao homem para que se abra à relação com Deus e com os irmãos. Este é o verdadeiro milagre: a renovação da vida. Daí o espanto de todos. De facto, tudo o que Jesus faz é admirável (cf. Mc 7, 37). Faz que os surdos oiçam e que os mudos falem (cf. Mc 7, 37). Não hesitemos em pedir a Jesus que nos cure. Ele é a cura e o curador. Só em Jesus conseguiremos ouvir. Só em Jesus seremos capazes de ver!

publicado por Theosfera às 05:05

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