O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 22 de Abril de 2014

1. Para muitos, a Páscoa é mais o ruído do que a calma. É mais a palavra do que a escuta.

É mais a acção do que a meditação. É mais o movimento do que o recolhimento.

 

2. O ruído, as palavras, a acção e o movimento dão um grande colorido às nossas terras.

Mas a falta de calma, de escuta, de meditação e de recolhimento deixa um profundo vazio nas nossas almas.

 

3. A Páscoa não se reduz às procissões de Sexta-feira e às celebrações de Domingo.

Entre o grito da Cruz e a alegria da Ressurreição, há o silêncio da sepultura.

 

4. É também por esse silêncio que nos devíamos envolver.

Porque é nesse silêncio, que parece nada trazer, que germina a novidade plena, a surpresa maior, o reencontro total.

 

5. É um silêncio, ao mesmo tempo, afónico e atónito. É um silêncio que tanto nos deixa sem palavras como nos preenche com uma paz inquieta.

Afinal, as palavras costumam morrer nos lábios e os pensamentos acabam por se ofuscar na mente.

 

6. É, por isso, o silêncio que nos permite acolher o grande murmúrio que Deus faz ecoar no mundo.

E há-de ser a fraternidade a levar-nos a estender a mão àqueles que vão caindo nas estradas do mundo.

 

7. Às vezes, queremos cobrir de palavras o que escapa a toda a palavra. Se as palavras já são débeis para dizer a vida, como não são frágeis para (des)dizer a morte!

E, não obstante, multiplicamos explicações. No tempo, atrevemo-nos a cartografar a eternidade e a mapear com minúcia cada um dos seus momentos.

 

8. Jesus foi tão eloquente quando falou como quando calou. E disse-nos tanto no grito da Cruz como no silêncio do sepulcro. O silêncio é o nada donde vem tudo. Não é esse, aliás, o transe da criação?

Deixemos, pois, falar a Páscoa no tempo! E façamos ressoar a Páscoa na vida!

 

9. Tudo está em aberto. O que conta não são apenas os conceitos já pensados e as soluções já tentadas.

O que conta é o novo, aquilo que ninguém (ainda) conhece, aquilo que (ainda) está para acontecer.

 

10. Adormecida, no nosso interior, está a esperança. Dorme o prolongado sono da resignação, do desalento.

É tempo de despertar a esperança. É hora de despertarmos para a esperança!

publicado por Theosfera às 11:33

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