O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 05 de Maio de 2019

A. Maio rima com Mãe

  1. Maio, Maria, Mulher, Mãe. Eis os quatro m’s deste novo mês. Não é possível pensar em Maio sem pensar em Maria, modelo de Mulher, modelo de Mãe. Mãe é fonte de vida e oceano infindo de amor. Nem todos podem ser mãe. Mas todos deveriam saber o que significa ter mãe. É por isso que a coisa mais triste é perder a mãe. Só que a mãe nunca se perde. Nem a morte perde a mãe. Aqui, no tempo, ou além, na eternidade, mãe nunca deixa de ser mãe!

Maio rima com Mãe. Para nós, dizer Mãe é, antes de mais, dizer Maria. Para nós, dizer Maria é, acima de tudo, dizer Mãe. Até Deus quis ter Mãe! Até Deus é Mãe! Como alguém terá dito, Deus é um Pai que nos ama com amor de Mãe. E Maria é o mais belo rosto desta «paternidade maternal» de Deus.

  1. Se até Deus quis ter uma Mãe, como é que nós não havemos de ser gratos para com a nossa Mãe? Será sempre pouco o que damos a quem nos dá tanto, a quem nos deu tudo. É por isso que a Mãe simboliza o amor puro, o amor em estado puro. É importante que haja amor no mundo. É desejável que façamos tudo para que só haja amor no mundo. Porém, nunca haverá amor como o de Mãe.

O amor de Mãe é o amor que nunca passa, mesmo quando tudo passa. É ao amor da Mãe que se regressa quando todas as promessas de amor cessam. O amor de Mãe é o amor da vida, é o amor para a vida. É, sem dúvida, um amor único, o amor de Mãe. Razão tem, pois, quem escreveu aquele epitáfio que se encontra, em forma de verso, no cemitério da minha terra natal: «Minha Mãe era uma santa/por quem sempre rezarei/porque amor igual ao dela/ nunca mais encontrarei»!

 

B. Dia para que muitos filhos se lembrem que têm mãe

 

3. Não é preciso haver um Dia do Filho já que, para a Mãe, todos os dias são dias para os filhos. Mas existe um Dia da Mãe até porque não faltará quem só neste dia se lembre da sua mãe. Mesmo quando a memória vai faltando, uma mãe nunca esquece os seus filhos. Será que todos os filhos se lembram da sua mãe? Será que todos os filhos expressam a gratidão pela sua mãe? Uma mãe é capaz de cuidar de muitos filhos e, por vezes, muitos filhos não cuidam de uma mãe. Uma mãe pode não ter muitos lugares em casa, mas tem sempre imensos lugares no seu coração.

No Dia da Mãe — que é também Dia do Pai —, é importante que todos aprendamos a ser filhos. Daí que estes devam ser verdadeiros dias da família, em que se fortaleça a união na família, o amor na família e a gratidão em família.

  1. Por aqui se vê como este não é um dia para ser comprimido em 24 horas. O Dia da Mãe é um dia esticado, uma manhã dilatada, uma primavera estendida. Este é um dia em que o sol nunca se põe. Este é o dia que nunca anoitece. Mãe nunca adormece. Mesmo a dormir, ela dorme como mãe. Ela é a mais pura guardiã do amor, o santuário onde a vida nunca deixa de palpitar. Uma mãe antecipa-se sempre. Este dia só consegue «postecipar». Os gestos de gratidão deste dia são sempre um mínimo diante do máximo: diante do máximo de doação, do máximo de amor.

É muito grande o que há numa mãe. Nem a morte mata a mãe. Mãe sobrevive sempre. Ninguém seria nada sem Mãe. Mãe é o que fica, mesmo quando tudo passa.

 

C. Mãe nunca deixa de ser mãe

 

5. Este, a bem dizer, não é o dia da mãe. É, possivelmente, o dia em que muitos se lembram que existe mãe. Dia da mãe tem de ser cada dia. Mãe que é mãe nunca se cansa de ser mãe e nunca descansa como mãe. Mãe que é mãe está sempre em trabalhos, está sempre em trabalhos de mãe. Mãe que é mãe pensa sempre como mãe, sente sempre como mãe, age sempre como mãe, sofre sempre como mãe, chora sempre como mãe e morre sempre como mãe.

Há muitas condecorações neste país e neste mundo, mas haverá herói maior que uma mãe? Uma mãe dá tudo sem cobrar nada. Mesmo quando não há reconhecimento, a Mãe não mostra ressentimento. É comovente sentir como a Mãe também tem lugar para a dor. Mas só o amor vem aos lábios. A dor fica alojada na alma. Quando muito, pode escorrer em algumas lágrimas furtivas. Mas Mãe que é mãe diz sempre o melhor de seus filhos. Não poderíamos aprender com as mães?

  1. Mãe é a mão que nos livra da queda. Mãe é o colo que nos ampara na fraqueza. Mãe é a luz que nos aponta o caminho e nos acompanha na estrada. Pode-se ter tudo, mas não há nada que se compare a uma mãe.

Mãe é o que fica mesmo quando tudo parece passar. É por isso que Mãe nunca se reforma. Mãe nunca morre. Mãe é sempre Mãe. Mãe nunca deixa de ser mãe. Nem a morte mata a mãe. Mãe sobrevive sempre.

 

D. Sem Jesus, nada é fecundo

 

7. Mãe é palavra. Mãe é sobretudo gesto, gesto que não cabe em qualquer palavra. Mas «Mãe» pode ser a melhor chave de leitura das palavras da Missa deste Domingo. Sem Jesus, nada é fecundo; com Jesus, tudo é abundante. A pesca de noite simboliza o tempo da escuridão. Só Jesus é o dia, só Jesus é a luz para cada dia. Sem Jesus, a pesca é um fracasso. É a Sua presença que faz toda a diferença. Os discípulos eram profissionais da pesca. No entanto, naquela noite, «não apanharam nada» (Jo 21, 3).

São os braços de Jesus que movem os nossos braços. Com Jesus, a rede, antes vazia, enche-se. Esta rede é imagem da Igreja de Jesus. Sem Ele, a Igreja não funciona, só desfunciona. Os 153 grandes peixes (cf. Jo 21, 11) são figura de uma Igreja sobrelotada, em que todos têm lugar. A rede tem de ser lançada a todos. Nem todos virão na rede. Mas a todos deverá chegar esta rede.

 

  1. A imagem da pesca sinaliza a missão que Jesus confia aos discípulos (cf. Mc 1,17; Mt 4,19; Lc 5,10): libertar todos os homens que vivem mergulhados no mar do sofrimento e da escravidão. É Pedro que preside à missão. É ele que toma a iniciativa; os outros acompanham-no. Aqui faz-se referência ao lugar que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva.

Mas Pedro depende sempre de Jesus. Jesus entrega a pesca a Pedro e os discípulos. Mas a pesca só é abundante quando Pedro e os discípulos seguem as indicações de Jesus. Hoje em dia, Jesus quer agir através de nós. Mas nós temos de estar sempre unidos a Ele. Até porque sem Ele nada poderemos fazer (cf. Jo 15, 5). Sem a Sua inspiração, só haverá desorientação!

 

E. Na escola de Jesus ao colo da Mãe

 

9. Que melhor exegese do que a Mãe para compreender o que nos é dito no Evangelho deste Terceiro Domingo da Páscoa. Nenhum ser humano é alguma coisa sem Mãe. Nenhum discípulo é alguma coisa sem Mestre. Nenhum cristão é alguma coisa sem Cristo. A Mãe é como um Evangelho vivo. Tal como a existência da Mãe se prolonga na existência do filho, também a vida de Cristo se prolonga na existência do cristão.

Quem não cumpre as palavras de Jesus como pode amá-Lo? E quem melhor do que as nossas mães para nos introduzir na escola do amor?

 

  1. A relação do discípulo com Jesus é como a relação do filho com a mãe: não é episódica, mas estável, sólida, contínua. Permanece em Jesus quem acolhe no coração a Sua proposta de vida, entregando-se a Deus e aos irmãos até à doação completa de si mesmo. É assim, aliás, que as mães se comportam para com os filhos.

Não deixemos, então, de ler — e meditar — o «Evangelho segundo as mães». Vivamos o Evangelho olhando para as mães, a começar por Maria, modelo de todas as mães. Foi na Sua carne que Jesus Cristo Se fez carne. Que na nossa vida deixemos que Jesus Se faça vida. Hoje. Amanhã. E sempre!

publicado por Theosfera às 05:44

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