O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

 

  1. A falta de chuva é, sem dúvida, motivo de apreensão. Mas será razão para alarme?

A situação é preocupante, mas não é inédita. E nem sequer é um exclusivo dos tempos recentes.

 

  1. No século XVIII, houve um ano (1752) em que não choveu praticamente durante três meses.

Acresce que esses não eram meses de Verão, mas de Outono, à beira do Inverno. Não choveu em Outubro, não choveu em Novembro e não choveu na primeira metade de Dezembro.

 

  1. A saúde das pessoas — e até dos solos — correu sérios perigos.

A esterilidade das águas era tal que secaram muitas fontes «de que não havia lembrança de que se exaurissem». Desencadeou-se, então, uma violenta epidemia que matou muita gente.

 

  1. Desamparados, os crentes voltaram-se para Deus e os lamecenses recorreram à intercessão da sua Padroeira.

Foi assim que resolveram marcar uma procissão para o dia 17 de Dezembro. Era Domingo, como vai ser este ano.

 

  1. Esta é a primeira procissão de Nossa Senhora dos Remédios de que há memória.

Ainda não havia Santuário. Os trabalhos de construção tinham começado a 14 de Fevereiro de 1750.

 

  1. O cortejo saiu com a imagem que, presentemente, está no trono.

Ela fora oferecida por D. Manuel de Noronha (em 1551) e encontrava-se (desde 1565) numa capela que existia no actual Largo dos Reis.

 

  1. Na sua descida à cidade, Nossa Senhora dos Remédios — invocada, neste aperto, como «Mãe das Misericórdias» — passou pela Sé, pelo Desterro e pelas Chagas.

Os meninos das escolas cantavam implorando o dom da chuva. Pediam também que cessassem «as enfermidades contagiosas que se tinham ateado, porque em muitas das pessoas em que deram foram raríssimas as que viveram».

 

  1. As preces foram atendidas. A chuva caiu com abundância e até por antecipação.

É que — não só depois do dia 17 de Dezembro, mas também antes do dia 17 de Dezembro — «a apetecida chuva regou abundantemente a terra árida».

 

  1. Providencialmente, aquele 17 de Dezembro foi um dia «de sol quente e sem vento».

Deste modo, a procissão pôde realizar-se sem sobressaltos e sem danos para roupas e alfaias.

 

  1. Diz o Cónego José Pinto Teixeira (a quem devemos todo este relato) que imediatamente se «aplacaram as malignas doenças».

Não faltará quem (sobranceiramente) sorria. Feliz, porém, é quem confia!

 

 

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 10:43

De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

mais sobre mim
pesquisar
 
Novembro 2017
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
hora
Relogio com Javascript

blogs SAPO


Universidade de Aveiro