O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

 

  1. Dizem que recordar é viver.

Mas notamos, sobretudo a partir de certa altura, que viver é (também) recordar.

 

  1. Somos, de facto, os lugares que habitámos, as pessoas que fomos conhecendo e as memórias que conseguimos alojar.

É por isso que, em boa verdade, não há passado. O passado não passa. Está sempre presente.

 

  1. Há uma experiência que os anos vão impondo. Se a escola é um local de conhecimento, o cemitério acaba por ser um poderoso lugar de reconhecimento.

Sempre que voltamos à terra donde saímos, vamos dando conta de que as nossas referências se encontram debaixo da terra.

 

  1. Lá estão os nossos familiares, os nossos vizinhos, os nossos conhecidos. Lá repousam as pessoas que eram idosas quando nós éramos crianças.

Foram elas que povoaram a nossa infância com histórias que, por muito efabuladas que fossem, eram amassadas na realidade.

 

  1. As nossas lágrimas começam a desfilar. Elas ficam lá mesmo quando nós saímos de lá.

A morte vai-nos visitando. Vai-se habituando a nós e nós vamo-nos habituando a ela.

 

  1. Onde outros estão, nós estaremos. Para onde levamos os outros, outros nos hão-de levar a nós.

Há toda uma circularidade entre a morte e a vida. Nós vamos morrendo na morte dos outros. Os mortos vão (sobre)vivendo na nossa vida.

 

  1. Vamos sentindo que o tempo que mais ganhamos foi o tempo que mais perdemos.

Aquele tempo que gastámos com os outros ficou guardado, como se da maior preciosidade se tratasse.

 

  1. Hoje, apesar da crise, ainda temos muito para dar. Mas percebemos que não temos o que mais importaria oferecer: tempo.

Trocamos muitos presentes e esquecemos que o melhor presente é o presente da presença.

 

  1. Fazemos tanta coisa só por fazer: sem pensar e sem sentir. Não ponderamos as causas. Só nos apercebemos de algumas consequências.

Mostramo-nos sem o menor recato e expomo-nos sem qualquer limite. Depois, queixamo-nos de ver a nossa vida devassada: prolixamente comentada e injustamente julgada.

 

  1. Nunca houve tanto tempo para descansar e nunca nos sentimos tão cansados.

O problema é que não é o trabalho que nos gasta. É o nosso estilo de vida que nos vai desgastando. E para este desgaste não há férias que compensem. Só uma nova humanidade nos fará rejuvenescer!

 

 

publicado por Theosfera às 10:47

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