O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 15 de Abril de 2014

1. A Páscoa não é uma circunstância vaporosa de uma época distante.

Ela é a novidade perene oferecida ao homem e inscrita no tempo. Em cada tempo. Também no nosso tempo.

 

2. A referência ao «primeiro dia da semana» (Jo 20, 1) surge em nítido contraste com o dia anterior, o último dia.

No ocaso do último dia, respira-se morte. Já no alvorecer do primeiro dia, volta a despontar a surpresa da vida.

 

3. Maria de Magdala nem sequer se apercebe de que já se encontra num tempo novo.

Ela está persuadida de que a morte levou a melhor. As evidências parecem inultrapassáveis.

 

4. Mas eis que o sinal da morte está removido. A pedra no sepulcro seria como o ponto final num texto. Afinal, o texto iria continuar.

Resolve então avisar dois dos discípulos de Jesus: Pedro e João, duas personalidades e dois sinais.

 

5. Pedro representa a autoridade, João iconiza o amor. Pedro sai com João rumo ao sepulcro.

Ou seja, a autoridade não dispensa o amor na procura de Jesus.

 

6. Mas, a determinada altura, João antecipa-se. Na verdade, o amor vai sempre à frente e chega primeiro.

Como refere o comentário de Mateos-Barreto, «corre mais depressa o que tem a experiência do amor, o que foi testemunha do fruto da Cruz».

 

7. De facto, na hora da morte, só o amor (João) esteve presente. A autoridade (Pedro) ausentara-se.

Só o amor é capaz de vencer o medo.

 

8. João chega primeiro ao sepulcro. É pelo amor que se atinge a meta e que se chega a Deus.

Só que, como reconhece S. Paulo, o amor também sabe ser paciente (cf. 1Cor 13, 4). João vê o sepulcro vazio, mas não entra. Aguarda que Pedro venha.

 

9. Não se trata de um mero gesto de deferência. É, sobretudo, um gesto de reconciliação.

É que, com as negações de Pedro (cf. Jo 18, 15-17.25), a autoridade vacilara, vacilara no amor. Agora, o amor dá uma nova — e definitiva — oportunidade à autoridade.

 

10. Na Igreja de Jesus, a autoridade só faz sentido em função do amor. A autoridade é necessária. Mas ela apenas existe para tornar presente o essencial. E o essencial é o amor.

Porque, como alvitra o Evangelho (cf. Jo 20, 8), só com o amor se vê, só pelo amor se acredita.

publicado por Theosfera às 11:58

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