O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 05 de Dezembro de 2017

 

  1. Não correm fagueiros os tempos para a moderação.

Os dias que vivemos estão cercados de desmesuras e dominados por excessos.

 

  1. Mergulhados em demasias, não somos capazes de nos conter e temos uma crescente dificuldade em esperar.

O ruído e a pressa vão-nos retirando disponibilidade para contemplar a beleza de cada momento e o sentido de cada instante.

 

  1. Nem o Natal se demarca deste frenesim. A sofreguidão dos festejos de Natal tem vindo praticamente a obscurecer o significado do Advento.

Mal finda o Verão e os sinais de Natal já cá estão. Mas que Natal será este, antes do Advento e sem Advento?

 

  1. É o Natal «das» famílias, o Natal «dos» colegas, o Natal «das» promoções, o Natal «do» consumo, o Natal «das» prendas, o Natal «das» festas, o Natal «dos» almoços e jantares, etc.

Ou seja, em vez «do» Natal, há «Natais».

 

  1. E até nós, cristãos, acabamos por embarcar na corrente.

Afinal, estamos «no» mundo e, por vezes, escapa-nos que não somos «do» mundo (cf. Jo 15, 19).

 

  1. É certo que não nos costumamos esquecer de celebrar o Natal de Jesus. Mas será que nos lembramos de preparar sempre o Natal com Jesus?

Há muitas antecipações do Natal e pouca preparação para o Natal. Ainda falta perceber que o Advento não existe para antecipar o Natal, mas para preparar o Natal.

 

  1. O Advento não é, obviamente, ausência de alegria. Mas é o Natal que desponta como plenitude da alegria.

Daí que, na sua sábia pedagogia de mãe, a Igreja nos peça para não antecipar no Advento a «alegria plena» do Natal.

 

  1. É por isso, aliás, que, no Advento, não se canta o «Glória».

Os instrumentos musicais usam-se com maior sobriedade e os ornamentos florais são menos vistosos.

 

  1. A preparação do Natal não devia ser feita só pelo estômago nem aos pulos. Não é com «festivais de comida» nem com espectáculos sem fim que nos preparamos para o nascimento de Jesus.

Porque não agendar as realizações mais festivas para depois da noite de 24 de Dezembro?

 

  1. Até lá, era bom que pairasse algum silêncio para podermos ouvir o grande silêncio de Belém.

Não abafemos, com as nossas palavras, a única palavra que Deus pronunciou: o Seu Verbo, o Seu Filho. É com essa única Palavra que Deus tudo faz e refaz. É com essa única Palavra que Deus nos enche de paz!

publicado por Theosfera às 10:58

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