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Domingo, 25 de Novembro de 2018

A. Sempre a ouvir Jesus e nunca a aprender com Jesus

 

  1. Todos os dias, ouvimos a mesma lição. E, não obstante, parece que — todos os dias — desaprendemos a mesma lição. Dois mil anos é muito tempo para ensinar, mas parece não ser tempo bastante para aprender. Não são apenas os discípulos da primeira hora a ter dificuldades em conhecer Jesus. Os discípulos de outrora sonhavam com o poder ao lado de Jesus (cf. Mc 10, 37). Muitos de nós, discípulos de agora, continuam a ambicionar o poder em nome de Jesus.

Aliás, não deixa de ser curioso notar como, já naquele tempo, «direita» e «esquerda» sinalizavam categorias de poder. Para materializar as suas ambições, os discípulos pediam para ficar à «direita» ou à «esquerda» de Jesus (cf. Mc 10, 37). Nesse caso, tanto valia ficar à «direita» como ficar à «esquerda». No seu imaginário, quer a «direita», quer a «esquerda» eram geradoras de poder.

 

  1. Não é, porém, esse o modo de ver de Jesus. Só que, há dois mil anos, ninguém O entendeu. Será que, dois mil anos depois, já O teremos entendido?

No pretérito Domingo, víamos como Jesus, mais do que pressagiar o fim do mundo, estava apostado em contribuir para o fim deste mundo: para o fim deste mundo de ódio, de rancor, de mentira e de injustiça. Não é de um mundo assim que Jesus é rei. Jesus é rei, sim, mas de um mundo novo, de um mundo renovado, de um mundo totalmente transfigurado. Definitivamente, Jesus não é rei deste mundo. Jesus é rei para mudar este mundo.

 

B. Como é o reino de Jesus?

 

3. Neste sentido, Jesus não Se considerava um rival do imperador nem um concorrente de Pilatos. Jesus não quer ocupar o seu lugar, mas questionar a sua vida. O Seu reino não é daquele mundo (cf. Jo 18, 36), daquele mundo de poder e de ambições, de senhores e de servos, de preferidos e de preteridos. O reino de Jesus não é o reino do imperador. O reino de Jesus não é daquele mundo e, como diria o escritor João de Melo, o mundo de Jesus também não é daquele reino.

Jesus é rei de um mundo de irmãos, onde todos são filhos de um único Pai. A grande revolução de Jesus é, pois, a filiação plena e a consequente fraternidade universal. Porque filhos de Deus, somos irmãos de todos. Foi por isso que Jesus não nos ensinou a dizer «Pai meu», mas «Pai nosso» (cf. Mt 6, 9). E, nessa medida, também não nos ensinou a pedir um «pão meu», mas um «pão nosso»(cf. Mt 6, 11), ou seja, um pão para todos.

 

  1. É deste mundo que Jesus é rei. É um mundo que nos parece utópico, irrealizável. Daí que nos aquietemos e acomodemos. Daí até que nos integremos na lógica de um mundo assim. Em vez de contribuir para a transformação deste mundo, optamos por nos inserir na lógica deste mundo.

Acontece que, quando Jesus diz que o Seu reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36), não está a sugerir que fiquemos à espera de que este mundo passe. O que Jesus está a dizer é que Ele veio para transformar este mundo, nomeadamente as pessoas que nele vivem. O que Jesus está a propor é que todos trabalhemos para que este mundo seja, não o contrário do mundo futuro, mas a preparação — e o começo — do mundo futuro.

 

C. O reino de Jesus é um reino de verdade

 

5. Ao confirmar que é rei (cf. Jo 18, 37), Jesus assume-Se como o primeiro nesta causa em prol da transformação do mundo. Ele é o primeiro e é também o modelo e a referência para essa mesma transformação. Isto significa que Jesus está a mostrar em que consiste o mundo renovado que Ele veio inaugurar. Trata-se de um mundo guiado pelo Evangelho e pela Lei Nova do Amor.

No fundo, Jesus não está a prevenir-nos para a dissolução — ou para a destruição — deste mundo. Jesus está a convocar-nos para a transformação deste mundo. Jesus não quer uma expectativa passiva, mas uma esperança activa. Ele não quer que fiquemos à espera de que este mundo acabe. O que Ele quer é que contribuamos para que este mundo se renove. Uma coisa é certa. Só há mundo novo com pessoas novas.

 

  1. A este propósito, não deixa de ser significativo verificar como Jesus associa o Seu reino à verdade. De facto, ao dizer que o Seu reino não é deste mundo, fica claro que Jesus não quer ser rei de um reino de mentira, de um reino de falsas verdades ou de um reino de meias verdades.

Como assinala o Prefácio da Oração Eucarística deste Domingo, o reino de Jesus é um «reino de verdade». Ou seja, a mentira não tem lugar nele. Jesus veio ao mundo «para dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37). Mais: Ele próprio é a Verdade (cf. Jo 14, 6).

 

D. A verdade é uma pessoa: Jesus

 

7. Como pode Jesus ser rei neste mundo se neste mundo há tanta mentira? Como pode Jesus ser rei neste mundo se neste mundo se triunfa à custa de tanta mentira? Jesus tanto escancara a verdade do mundo novo como desmascara toda a mentira deste mundo envelhecido.

Mas, afinal, o que é a verdade? É a pergunta que Pilatos vai fazer (cf. Jo 18, 38). Jesus não responde com os lábios porque sempre respondera com a vida: a verdade é mais para viver do que para dizer. É por isso que a pergunta de Pilatos é imprecisa. Com efeito, a questão decisiva não é «o que é a verdade?», mas «quem é a verdade?». A verdade é Jesus (cf. Jo 14, 6) Está na verdade quem está com Jesus: «Todo aquele que é da verdade escuta a Minha voz» (Jo 18, 37).

 

  1. Eis, portanto, a única condição para sermos cidadãos do reino de Jesus: basta sermos verdadeiros. Não somos verdadeiros quando possuímos alguma verdade. Somos verdadeiros quando nos deixamos possuir pela verdade.

Uma vez que a verdade é Jesus, então estaremos na verdade quando estivermos com Jesus, quando dermos a vida por Jesus.

 

E. Dar testemunho da verdade é dar testemunho de Jesus

 

9. É verdade o que vem dos lábios quando tal corresponde ao que se vê na vida. As palavras de Jesus (cf. Jo 18, 37) estiveram sempre em plena sintonia com a vida de Jesus. Podíamos acreditar na Sua voz porque a Sua voz era a transparência da Sua vida.

Como refere o Livro do Apocalipse, Jesus é «testemunha fiel» (Ap 1, 5), é a testemunha fiel da verdade. Também nós seremos testemunhas da verdade se formos testemunhas fiéis de Jesus. Nós não somos a verdade, mas todos nós podemos — e devemos — ser verdadeiros. E seremos verdadeiros se estivermos com Jesus, que é a verdade.

 

  1. Está aqui desenhado o percurso da missão. A missão é, essencialmente, um serviço à verdade ou, como dizia São João Paulo II, uma «diaconia de verdade». Dar testemunho da verdade é dar testemunho de Jesus. O Seu reino há-de consumar-se no mundo que há-de vir, mas há-de começar a germinar neste mundo: não neste mundo como ele está, mas neste mundo como Jesus quer que ele esteja.

É por isso que este rei não está num palácio. Jesus quer reinar no coração de cada pessoa: de cada pessoa verdadeira, de cada pessoa que vive o Evangelho a vida inteira!

publicado por Theosfera às 05:06

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