O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

 

  1. No seu ministério episcopal, D. António Francisco dos Santos foi guiado por um lema explícito e norteado por um lema implícito.

Como é sabido, a divisa do Bispo do Porto era «in manus Tuas» (cf. Lc 23, 46), o mesmo, por exemplo, de D. Hélder Câmara, que ele muito admirava.

 

  1. Jesus entregara-Se totalmente nas mãos do Pai pela salvação da humanidade. D. António Francisco quis entregar-se inteiramente nas mãos de Deus ao serviço das pessoas.

 

  1. À semelhança de Jesus (cf. Jo 5, 17), também D. António Francisco não parou e (praticamente) não repousou.

Evocando Antero, dir-se-ia que só «na mão de Deus […] descansou, afinal, o seu coração».

 

  1. Era o efeito de um outro lema que, apesar de não escrito, esteve sempre inscrito na sua vida: «Omnia omnibus» (cf. 1Cor 9, 22).

Quem pode negar que D. António Francisco foi, até ao fim, «tudo para todos»?

 

  1. Foi pastor, foi confidente, foi sorriso, foi abraço, foi regaço.

Tudo isto — e muito mais — ele foi para os que o procuravam, para os que ele procurava, para os que estão dentro e também para os que se sentem fora. Mas que se mantinham dentro dele: na sua alma, na sua oração, no seu afecto e no seu (irreprimível) afago.

 

  1. É por isso que, não tendo sido «professor de Teologia», D. António Francisco conseguiu ser um eminente «professante da Teologia» (Xavier Zubiri).

As áreas da sua especialização eram a Filosofia e a Sociologia. Mas o campo da sua intervenção foi, genuinamente, a Teologia. Que ele não leccionava, mas professava.

 

  1. Acompanhando a Teologia como ciência, a sua prioridade era, inquestionavelmente, a Teologia como vivência.

Não deixou obras de Teologia publicada. Mas legou-nos uma luminosa obra de Teologia vivida.

 

  1. Nele, o «logos conceptual» estava profundamente radicado no «logos testemunhal», especialmente no «logos afectivo», no «logos cordial».

A «Teologia da Visitação» era a grande especialidade de D. António Francisco. As suas palavras convenciam e os seus gestos cativavam porque chegavam depressa ao coração.

 

  1. Daí que a sua morte tenha sido um belo retrato da sua bela vida.

Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós.

 

  1. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Não consigo dizer-lhe adeus porque o sinto cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 10:29

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