O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 30 de Setembro de 2018

A. A Igreja não é um clube nem um partido

 

    1. É certo que a porta é estreita (cf. Mt 7, 14), mas não é verdade que esteja fechada. A porta da fé está sempre aberta (cf. Act 14, 27) e não só para alguns; a porta da fé está aberta para todos. Jesus é o caminho que nos conduz até essa porta e é a chave que nos permite abrir essa porta. É por isso que não podemos fechar o que Jesus abriu.
  1.  

    Jesus fundou uma Igreja, não fundou um clube ou um partido. A Sua casa não é só para alguns. Todos têm lugar na Igreja. As suas dimensões são as dimensões do universo. A Igreja não é para tudo, mas é para todos: é para todos os que queiram entrar.

     

    1. Neste Domingo, a Primeira Leitura ensina que o Espírito de Deus sopra onde quer — e sobre quem quer — não estando limitado por obstáculos de qualquer espécie: nem por interesses pessoais nem por privilégios de grupo. É por isso que o verdadeiro crente é aquele que, como Moisés, reconhece a presença de Deus nos gestos proféticos que vê acontecer à sua volta.

    No Evangelho, Jesus ajuda os discípulos a situarem-se no espírito do Reino. Nesse sentido, convida-os a constituírem uma comunidade que, sem arrogância, procure acolher e apoiar todos aqueles que trabalham em favor dos outros. Por sua vez, a Segunda Leitura incita os cristãos a não colocarem a sua confiança e a sua esperança nos bens materiais, pois são valores transitórios, incapazes de assegurar a vida plena para o homem.


     B. Largos, não obsesos

     

    1. Jesus quer curar-nos da «obesidade espiritual», que tantas vezes nos afecta. Ele quer que sejamos largos, mas não inchados. Jesus quer que sejamos largos em relação aos outros e não inchados pela acumulação de coisas em nós. A largueza de Jesus não nos faz pesados; pelo contrário, torna-nos leves, com uma leveza que nos faz ir ao encontro dos nossos irmãos.

    É por isso que Jesus insiste na necessidade de a comunidade cristã ser uma comunidade aberta, acolhedora, tolerante, capaz de aceitar como sinais de Deus o que de bom acontece neste mundo. Sim, porque neste mundo não acontece só (o) mal. Neste mundo, também acontece muito bem. O bem não é um exclusivo nosso; o bem é mais extenso — e muito mais intenso — do que pensamos. Aliás, por definição, o bem é, em si mesmo, difusivo: alastra, inunda e (saudavelmente) contagia.

     

    1. São João queixa-se de ter encontrado alguém a «expulsar demónios» em nome de Jesus, embora não pertencesse ao grupo dos discípulos (cf. Mc 9, 37). Para ele, isso era um abuso. Achava ele que Jesus era um exclusivo deles.

    Mas Jesus não se revê em tal sentimento e em semelhante atitude. A posição dos discípulos mostra arrogância, sectarismo, intransigência e intolerância. Pensavam eles que Jesus era (só) deles. No fundo, julgavam que quem quisesse seguir Jesus tinha de lhes pedir autorização.

     

    C. Não são os lábios que demonstram a nossa fé

    1. Onde há desejo de poder, há inevitavelmente desconfiança. Recorde-se que, pouco tempo antes, os próprios discípulos tinham estado a discutir entre eles sobre qual seria o maior e sobre quem iria ocupar os lugares mais importantes no Reino que, com Jesus, ia nascer (cf. Mc 9,33-37).

    Desta vez, eles estão ansiosos e aflitos, porque apareceu alguém de fora do grupo que pretendia actuar em nome de Jesus. Pensavam que esse alguém poderia, num futuro próximo, disputar-lhes os lugares importantes na estrutura do Reino.

     

    1. É bom que pensemos que, ainda hoje, pode subsistir esta visão sectária e estreita. Não falta quem dê a entender que o seu grupo ou o seu movimento é que está na verdade. Não falta quem pressione os outros, alegando que, fora deles, é só engano e perdição. Não falta até quem insinue que, longe deles, não é possível seguir Jesus. Julgam-se os puros, os eleitos, os únicos. Antes deles, estava tudo errado; fora deles, nada está certo.

    Jesus previne-nos e deixa o alerta. Não devemos impedir ninguém de fazer o bem. Onde está o bem, aí está Jesus. E, depois, não basta haver «cristãos de língua». Importante é que todos sejamos «cristãos de vida». É fácil ser «cristãos de língua». O fundamental é que sejamos «cristãos de vida». É pela vida — e não pela língua — que mostramos ser cristãos.


    D. «Cristificar» e não apenas «cristianizar»

     

    1. É bom que a mensagem de Jesus esteja nos nossos lábios, mas é (muito) melhor que a mensagem de Jesus nunca deixe de estar na nossa vida. E pode até suceder que haja «cristãos de vida» que não sejam sequer «cristãos de língua». Será legítimo afastá-los? Jesus diz claramente que «quem não é contra nós é a nosso favor» (Mc 9, 40). É fundamental que nos habituemos mais a construir pontes do que a erguer muros.

    Há, porém, um grande — um enorme — trabalho pela frente. Não basta que nos «cristianizemos»; é urgente que nos «cristifiquemos». Ser cristão não é apenas fazer parte do Cristianismo; ser cristão é, antes de mais e acima de tudo, pertencer a Cristo.

     

    1. Quem luta pela justiça e faz o bem está ao lado de Jesus ainda que, formalmente, não esteja dentro da estrutura da Igreja. E, às vezes, há momentos em que estar fora — e ajudar os que estão fora — é a melhor maneira de estar dentro. É que o mesmo Jesus, que está cá dentro, também está lá fora.

    Que não nos aconteça o que aconteceu à mulher da parábola de Antonhy de Mello. Era uma mulher tão piedosa que fazia questão de não só ir todos os dias à igreja como de ser a primeira a chegar à igreja. Um dia, em que acordou mais tarde, levantou-se a correr e a correr foi pelos caminhos da aldeia não olhando para ninguém. Sucedeu que, ao chegar à igreja, esta estava fechada. À porta, encontrava-se uma inscrição que dizia apenas isto: «Estou lá fora!»

     

     

    E. Jesus também está (lá) fora

     

    1. Sim, Jesus também está lá fora. É por isso que o fim da Missa é o começo da Missão. Quando a Missa termina, a Missão começa. Naqueles que vamos encontrando reencontramos o próprio Jesus. Afinal, também entramos quando saímos. As fronteiras da Igreja não são as paredes; é o universo.

    Acostumemo-nos a ir ao encontro de Jesus no sacrário e também na rua. Jesus está à nossa espera quando subimos as escadas da igreja e vem ao nosso encontro quando descemos a escadas que nos conduzem à rua.

     

    1. É neste mesmo sentido que Jesus dá indicações sobre as atitudes para com as pessoas. Nestes «ditos», são usadas imagens fortes e muito expressivas. O primeiro destes «ditos» é um aviso àqueles que «escandalizam» os «pequeninos» (cf. Mc 9, 42). Assim, os membros da igreja devem evitar toda e qualquer atitude que possa afastar alguém de Jesus e do caminho que Ele veio propor. O segundo «dito» de Jesus (cf. Mc 9, 43-48) refere-se ao imperativo de arrancar da própria vida todos os sentimentos que são incompatíveis com a opção por Cristo. Cortar a mão e o pé (que são os órgãos da acção) ou arrancar o olho (que é o órgão que dá entrada aos desejos) significa romper com o mal a partir da sua raiz.

    São as nossas opções que interferem no nosso destino, figurado na «Geena» (cf. Mc 9, 45-48). «Geena» vem do hebraico «Ge Hinnon» («vale do Hinnon». Refere-se a um vale situado a sudoeste de Jerusalém, onde eram enterrados os mortos e onde era queimado o lixo produzido pelos habitantes da cidade. Era visto, portanto, como um lugar maldito e impuro. Jesus usa a imagem deste vale para falar de uma vida perdida, frustrada, sem sentido. Quem não for capaz de cortar com o egoísmo e o orgulho autocondena-se a uma vida sem sentido. Só em Cristo é que nunca nos perderemos. Nunca nos perderemos quando nos perdemos em Cristo!

publicado por Theosfera às 05:18

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