O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015
  1. As pessoas vão menos à Confissão, o que não quer dizer que se «confessem» menos.

Acontece que a confissão, para muitos, deixou de se fazer na igreja. Passou a fazer-se mais com os amigos. Ou, então, na televisão, no blogue, no «facebook» ou no «twitter».

 

  1. Esta «confissão» tanto pode ser confidência como puro exibicionismo. E o «confessor» tanto pode ser uma única pessoa como um grupo ou até uma multidão.

A assiduidade é incomparavelmente maior. As pessoas não se «confessam» de tempos a tempos, mas quase a todo o instante.

 

  1. A «matéria» da «confissão» já não é o pecado; é o que, indistintamente, preenche a vida.

Para não poucos, «confessar-se» é expor-se em público.

 

  1. Não há qualquer esboço de autocrítica. Tudo o que cada um «confessa» sobre si tende a ser apresentado como irrepreensível.

Não há, por isso, lugar para «arrependimentos» ou «propósitos de emenda». O tom destas «confissões» é, geralmente, de autopromoção.

 

  1. O negativo fica por conta dos outros. É que alguns não se «confessam» só a si; «confessam» também os outros.

E, aí, já transbordam as fraquezas, profusamente debitadas sob o manto da intriga, da insinuação e até da calúnia. Tudo isto sem o menor decoro ou quaisquer pedidos de perdão.

 

  1. Enquanto na igreja o pecador sai transfigurado, aqui o infractor é, eterna e impiedosamente, denunciado.

Por muito arrependido que esteja, o que cometeu um desvio é sempre visto como um corrupto, o que mentiu uma vez é sempre tido por mentiroso, etc.

 

  1. Eis, em suma, como procede uma sociedade que até se diz tolerante.

Trata-se, contudo, de uma sociedade que não perdoa o menor deslize, mostrando-se — para todo o sempre — implacável com quem fraqueja.

 

  1. Como é diferente — e muito mais bela — a pedagogia do Sacramento da Reconciliação.

A pessoa é acolhida na sua verdade, respeitada na sua intimidade e apoiada na sua disponibilidade para mudar.

 

  1. Na Confissão, entra-se um e sai-se outro.

Não é um branqueamento; é uma verdadeira transformação.

 

  1. Há quem diga que se confessa imediatamente a Deus. Sucede que, como vincou Karl Rahner, Deus quis optar por uma «imediatez mediada».

O Seu perdão é oferecido por intermédio de Cristo. E Cristo, hoje, está presente na Igreja, que é o Seu Corpo (cf. 1Cor 12).

publicado por Theosfera às 10:45

De Anónimo a 24 de Fevereiro de 2015 às 11:57
Uma boa e oportuna reflexão! Mas, infelizmente, o pecador, só aos olhos de Deus é perdoado, porque perante os homens, mesmo ante muitos daqueles a quem Deus deu a graça e o dom de ministrar o Sacramento da Reconciliação, não se reabilita facilmente. Mas o importante na vida de cada um de nós é a nossa relação com Deus. Ele é que sabe bem quem somos.

De Evágrio Pôntico a 24 de Fevereiro de 2015 às 12:37
Maravilhosas as suas palavras, Sr. Padre João !

E que dizer do facto de hoje tantos acorrerem à Sagrada Comunhão, sem terem feito a sua Reconciliação prévia com Nosso Senhor...?!

De Theosfera a 24 de Fevereiro de 2015 às 20:13
Muito me preocupa esse facto, mesmo muito!


mais sobre mim
pesquisar
 
Fevereiro 2015
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6
7

8
9




Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
hora
Relogio com Javascript

blogs SAPO


Universidade de Aveiro