O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017
  1. A relação do homem com a verdade está indelevelmente ligada à relação que o mesmo homem cultiva com a realidade.

Quem está longe da realidade não está perto da verdade.

 

  1. A verdade é o que a realidade imprime em cada um e o que é apreendido por cada qual.

Há, por conseguinte, na verdade uma componente objectiva e uma dimensão subjectiva.

 

  1. Isto significa que a verdade pode não ser uniforme, mas não deve ser deformada.

Uma coisa é comunicar a realidade. Outra coisa, bem diferente, é deformar a realidade.

 

  1. Thomas Eliot apercebeu-se de que «a raça humana não suporta muita realidade».

Só que a realidade é demasiado teimosa e, quase sempre, dolorosa. Sentindo-se impotente para a transformar, o homem cede frequentemente à tentação de a distorcer.

 

  1. Nestes tempos em que nada parece sólido, a realidade corre o risco de deixar de ser o que é para passar a ser o que cada um pensa que é.

É uma das implicações da «civilização do ligeiro» (Gilles Lipovetsky), em que nos encontramos.

 

  1. A distorção da realidade aparece, basicamente, sob a forma de negação, parcialização e fabricação.

E é assim que nos vamos distanciando, cada vez mais, de uma cultura baseada na verdade.

 

  1. O negacionismo é a negação da realidade como forma de escapar a uma verdade desconfortável, embora empiricamente comprovada.

Reparemos na negação do Holocausto. Mas há muitos mais negacionismos. Há quem persista em negar factos como forma de veicular uma personalidade diferente.

 

  1. A parcialização da realidade também concorre para o obscurecimento da verdade.

Tendo em conta que «a verdade é a totalidade» (Aristóteles), então uma parcela da verdade nunca pode ser vista como sendo a verdade.

 

  1. O que, entretanto, começa a despontar cada vez mais é a tendência para a «fabricação da verdade».

Penso sobretudo na propensão de muitos para mostrar o que não são e até o contrário do que são.

 

  1. Acontece que, se a pluriformidade é admissível, a duplicidade é totalmente condenável. Com que legitimidade se apresenta como branco o que está pintado de negro?

O problema é que, à força de tanto ser repetida, a mentira acaba por ser acolhida. Até que, um dia, o que está por descobrir acabe por se manifestar (cf. Lc 12, 2)!

 

publicado por Theosfera às 11:01

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