O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

 

  1. Difícil já é conseguir palavras para dizer a vida. Como haveria de ser fácil encontrar palavras para dizer a morte?

Como dizer aquilo que não se diz? E, apesar disso, tanto se diz sobre a morte, tanto se escreve sobre a morte.

 

  1. Até se entende que assim seja. A morte, sendo o mais distante, acaba por ser também o mais próximo.

Nada é mais contrário à vida do que a morte. E, não obstante, nada está tão perto da vida como a morte. Ela entra em nossa casa, senta-se à nossa beira, caminha ao nosso lado até que, um dia, nos abocanha e nos leva com ela.

 

  1. A bem dizer, começamos a morrer no momento de nascer.

Benjamin Franklin observou, com evidente sarcasmo, que só temos duas coisas certas: a morte e os impostos.

 

  1. É verdade que a morte vai coleccionando muitas derrotas na dura batalha que travamos com ela.

Somos capazes de a vencer muitas vezes. Mas, quando ela vence, basta-lhe vencer uma vez. É uma vitória sem remissão, é um triunfo que não admite desforra.

 

  1. Quem não treme diante da morte? Quem não estremece perante a recordação dos mortos?

Até Jesus chorou quando morreu (cf. Heb 5, 7). Até Jesus chorou quando soube da morte dos Seus amigos (cf. Jo 11, 35-36).

 

  1. A morte deixa-nos atónitos e completamente afónicos. Palavras para quê?

O nosso lugar na morte devia ser o silêncio. Acerca da morte, as palavras morrem nos lábios e os pensamentos como que secam na mente.

 

  1. Os inícios de Novembro, são tempos de nostalgia, tempos de recordação, tempos de muita saudade.

São tempos em que as lágrimas descem à terra: à terra onde repousam muitos que conhecemos, à terra onde jazem tantos que nunca deixamos de lembrar e amar.

 

  1. Por estes dias, é no cemitério que os vivos mais se encontram.

É no cemitério que os vivos se encontram por causa dos mortos.

 

  1. De certa forma, o cemitério é o lugar onde os mortos «pós-vivem» e os vivos «pré-morrem».

Sentimos que onde os mortos já estão nós, um dia, também estaremos.

 

  1. Os vivos começam a partir para a eternidade com os que já morreram.

E os mortos continuam a ficar no tempo com os que ainda vivem.

 

 

publicado por Theosfera às 10:39

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