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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

1. Até quando persistirá a crise? A partir de quando começará o crescimento?

Mas será que o crescimento é a solução? Há quem pense que a solução não passa pelo crescimento, mas pelo…decrescimento.

 

2. E, de facto, os que têm pouco teriam mais se os que têm mais se dispusessem a ter um pouco menos. Afinal, muitos cresceriam se alguns aceitassem decrescer.

Mais do que uma obrigação imposta do exterior, este deveria ser um imperativo assumido a partir do interior.

 

3. Sucede que a impressão que prevalece é outra, diametralmente oposta: os que têm mais continuam a ter muito e os que têm pouco têm cada vez menos, quase nada.

Está, pois, tudo invertido.

 

4. É neste contexto que Serge Latouche entende que o caminho não é o crescimento, mas o decrescimento.

A tese é controversa, mas merece atenção. A ideologia do crescimento tende a ignorar os limites. A tendência é para gastar sem cálculo e para consumir sem freio.

 

5. O problema é que os recursos naturais são limitados. Um crescimento infinito será compatível com um mundo finito?

Acresce que o crescimento não produz só bens. Também produz necessidades, muitas delas artificiais. E, não raramente, as necessidades crescem a um ritmo superior aos bens. Daí o estado de insatisfação generalizada.

 

6. Se repararmos, muitos protestos não vêm dos pobres de sempre. Muita contestação advém dos que não conseguem manter o nível de vida a que se tinham habituado.

Aliás, quando o impulso para consumir cresce, o índice de insatisfação aumenta. Dificilmente se obterá dinheiro bastante para satisfazer todos os apetites.

 

7. A alternativa proposta por Serge Latouche é «a abundância frugal». Todos terão acesso ao essencial e cada um abdicará, voluntariamente, do acidental.

A estratégia do decrescimento consiste «na autolimitação voluntária, na reabilitação do espírito da doação e da promoção da convivialidade».

 

8. É claro que tudo isto pressupõe uma mudança que, não sendo irrealizável, se afigura muito difícil: a mudança de mentalidade.

No fundo, ainda estamos à espera de que a realidade se adeque a nós em vez de sermos nós a adequarmo-nos à realidade.

 

9. A ostentação dispendiosa continua a ser uma forma de afirmação.

A frugalidade, a simplicidade, a poupança, o recato e a partilha deixaram de ser valores dominantes. Passaram a ser atitudes de poucas pessoas e de poucos momentos.

 

10. Precisamos de fazer todo um caminho por dentro. Precisamos de perceber que a realização pessoal não passa só pelo ter. A felicidade não é esbanjadora.

Precisamos de aprender que, às vezes, com pouco se consegue muito. E que, com menos, não é impossível obter mais. Mais alegria, mais criatividade, mais justiça, mais humanidade!

publicado por Theosfera às 10:47

De A. a 15 de Outubro de 2015 às 10:08
Não!... A árvore mais alta nunca cresceu até ao céu!...
Pode retardar a crise, mas, jamais a poderá vencer!... O grande problema é que não se prepara a Sociedade para tempos de reajustamentos económicos e financeiros e quando o crescimento desacelera, naturalmente, a falta de soluções para a vida e mesmo sobrevivência de muitas famílias acelera!... Os únicos reajustamentos que se têm verificado ao longo da história incidem sobre o decréscimo demográfico, ciclicamente provocado através de guerras, epidemias e sistemas de saúde fragilizados propositadamente para o efeito!...

Abraço


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