O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 05 de Setembro de 2017
  1. Quando Nossa Senhora a Fátima voltou, desanimados os pastorinhos encontrou. Não tinha sido fácil o último mês. O descrédito geral abateu-se sobre eles. Sobretudo a mãe de Lúcia sentia a honra da família afectada. Por todos os meios tentou que a filha dissesse que nada tinha acontecido. As pressões foram constantes, mas nem a intervenção do pároco fez vacilar a criança. Foi ameaçada de, num quarto, ficar fechada. Até a agressão aconteceu. A mãe, com um cabo de vassoura, em Lúcia bateu.

Não admira, portanto, o pedido que, a 13 de Junho (uma quarta-feira), a pastorinha fez. Se, antes, tinha perguntado à Senhora se iria para o Céu, desta vez pede-Lhe que a leve para o Céu. Como São João de Brito no século XVII, também os pastorinhos «queriam mais o Céu do que a Terra».

 

  1. Em resposta, a Senhora diz que ao Francisco e à Jacinta os levaria «em breve». A Lúcia iria ficar «cá mais algum tempo». Efectivamente, Francisco foi para o Céu (com 10 anos) a 04 de Abril de 1919 e Jacinta (com 09 anos) partiu a 20 de Fevereiro de 1920. Lúcia ficou por cá mais 88 anos, tendo falecido a 13 de Fevereiro de 2005. Ir para o Céu era a sua vontade. Mas Deus tinha outros planos e o que conta são os planos de Deus, não os nossos. Para Lúcia, ainda não era a hora de ir para o Céu. Era a hora de preparar — e ajudar o mundo a preparar — o caminho para o Céu.

Iria ficar incumbida de uma missão muito concreta: «fazer conhecer e amar» a Mãe de Deus, através da devoção ao Seu Imaculado Coração. A Mãe de Deus não iriam abandonar Lúcia. «Eu nunca te deixarei», diz Maria. «Eu nunca te deixarei», diz-nos Maria. Ela nunca nos deixa. Ela é o «nosso refúgio» e, em Cristo, o caminho que «nos conduz até Deus».

 

  1. Dito isto, a Senhora abre as mãos, projectando uma luz imensa. Nessa luz, os pastorinhos sentiam-se submersos na luz que é Deus (cf. Sal 36, 10). Como que antecipando o destino de cada um deles, a Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte da luz que se elevava para o Céu e Lúcia na que se derramava sobre a Terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem cravados. Era o Imaculado Coração de Maria, «ultrajado pelos pecados da humanidade».

Depois de ponderar não voltar mais à Cova da Iria, por pressão do próprio pároco, Lúcia, acompanhada pelos primos Francisco e Jacinta, volta ao encontro da Senhora a 13 de Julho, uma sexta-feira. Milhares de pessoas estavam na sua companhia. Eis um novo apelo ao sacrifício: «Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e, em especial, quando fizerdes alguns sacrifícios: "Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria"».

 

  1. Esta é a «aparição do segredo» ou das «verdades inconvenientes», mas que não deixam de ser importantes. Desta vez, ao abrir as mãos, a Senhora mostra um «grande mar de fogo», inundado de figuras e gritos. Com «bondade e tristeza», Nossa Senhora descreve o sentido da visão e do segredo: 1) o «mar de fogo» é imagem do inferno; 2) para dele nos salvar, Deus anuncia o estabelecimento da devoção ao Imaculado Coração; e 3) a visão dos sofrimentos do «Bispo vestido de branco», que os pastorinhos identificaram como sendo o Santo Padre.

As primeiras duas partes do segredo são conhecidas desde 1941. A terceira parte foi revelada, como ainda nos lembramos, no ano 2000. Entretanto, para cada mistério do Terço, Nossa Senhora propõe esta súplica: «Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem».

 

  1. Em Agosto, não houve aparições no dia 13 porque os três pastorinhos foram detidos pelo Administrador de Ourém, Artur de Oliveira Santos, latoeiro de profissão. Foram mantidos, por três dias, debaixo de apertada vigilância. O Administrador, com chantagens, enganos e ameaças (como a de matar as crianças numa caldeira de azeite a ferver), queria arrancar os segredos a eles confiados. Durante a detenção, os pastorinhos começaram a rezar o Terço. Vários detidos os acompanharam, incluindo um homem que tinha o chapéu na cabeça. Quando em tal reparou, Francisco foi ter com ele e retirou-lhe o chapéu. Infelizmente, hoje em dia, até na Casa de Deus, há quem entre com o chapéu na cabeça. Não é por mal. Mas será bem?

Foi por tudo isto que os videntes não puderam comparecer na Cova da Iria, no dia 13 de Agosto. Mesmo assim, alguns dos 18.000 presentes testemunharam a ocorrência de um trovão e o surgimento da pequena nuvem, leve e branca, a pairar sobre a azinheira.

 

  1. Recuperada a liberdade, os pastorinhos voltaram à sua actividade. A 19 de Agosto, um Domingo, estavam nos Valinhos. Lúcia e Francisco sentiram uma atmosfera sobrenatural a envolvê-los. Acontece que Jacinta não se encontrava com eles. Pediram, então, ao seu irmão João que, a troco de dois vinténs, fosse chamá-la. Lúcia e Francisco viram o reflexo da luz como um relâmpago. Mal Jacinta chegou, Nossa Senhora apareceu sobre uma azinheira parecida com a da Cova da Iria.

Ela queria que viessem no próximo dia 13 e que rezassem o Terço todos os dias. Pediu que, com o dinheiro que tinham conseguido, comprassem dois andores. O que sobrasse seria para ajudar na construção de uma capela. No fim, nova insistência na oração: «Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores».

 

  1. Em Setembro, o ambiente era de muita agitação. Calcula-se que cerca de 30.000 pessoas estariam naquele dia 13, uma quinta-feira, na Cova da Iria. Eram muitos os pedidos de cura que faziam aos pastorinhos. Nossa Senhora insistiu na recitação diária do Terço e recomenda que as crianças tragam o cilício só durante o dia. Até então, dormiam com ele. Lúcia oferece duas cartas e um vidro com água-de-cheiro. Nossa Senhora declina a oferta: «Isso não é conveniente, lá para o Céu».

Por ocasião desta visita de Nossa Senhora, como das outras vezes, ocorreram diversos fenómenos. Observaram, perto do sol, um globo luminoso, que começou a descer em direcção ao poente e que voltou a subir de novo em direcção ao sol. Acresce que a atmosfera tomou uma cor amarelada, verificando-se uma diminuição da luz solar, ao ponto de se ver a lua e as estrelas. Do céu choviam como que pétalas de rosas ou flocos de neve, que se desfaziam um pouco acima das cabeças dos peregrinos.

 

  1. O Outono já tinha começado e aquele início de Outubro estava a ser chuvoso e frio. Mesmo assim, no dia 13, um sábado, cerca de 70.000 pessoas estavam firmes no lamaçal da Cova da Iria. Logo que chegaram os videntes, Lúcia pediu que fechassem os guarda-chuvas para rezarem o Terço. Pouco depois, houve um reflexo de luz e Nossa Senhora apareceu. Depois de insistir na construção da capela, apresenta-Se como Nossa Senhora do Rosário. No final, os pastorinhos vêem-n’A como Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Carmo. Segue-se um pedido muito concreto: «Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido».  

Quando Nossa Senhora começou a elevar-Se, as nuvens entreabriram-se, dando lugar ao sol. Ao lado do sol, surgem três quadros que simbolizam os mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos. O primeiro mostra Nossa Senhora (com veste branca e manto azul) e São José com o Menino, que pareciam abençoar o mundo. O segundo quadro apresenta Nosso Senhor e Nossa Senhora sob a forma de Nossa Senhora das Dores. O terceiro quadro permitia ver Nossa Senhora como Nossa Senhora do Carmo, Rainha dos Céu e da Terra.

 

  1. Foi então que a multidão viu o sol a «dançar». Depois, parou. A seguir, voltou a girar sobre si mesmo. Finalmente, os bordos tornaram-se escarlates e espalharam chamas pelo firmamento. Uma luz estranha projectou-se sobre a Terra. Tinha tons vermelhos, verdes, azuis, alaranjados e violetas. Por três vezes, este globo de fogo parecia precipitar-se sobre a multidão.

Um grito de terror se ouviu. Muitos actos de contrição foram proferidos. Dez minutos depois, o sol voltou à «aparência» normal. Era o sol de todos os dias. A conclusão era unânime: «As crianças tinham razão. Bendito seja Deus. Bendita seja Nossa Senhora!»

 

  1. Mas se, a 13 de Outubro, foi o «Seu adeus», a Virgem Maria, que «voltou para o Céu», não deixou de continuar a enviar as Suas maternais mensagens. A 10 de Dezembro de 1925, em Pontevedra, aparece a Lúcia com o Menino. Este pede à vidente que repare no Coração de Maria «coberto de espinhos». Depois, é Nossa Senhora que solicita a devoção dos Cinco Primeiros Sábados, através da Confissão, Comunhão, recitação do Terço e meditação durante 15 minutos.

A 15 de Fevereiro de 1926, também em Pontevedra, o Menino insiste com Lúcia para que divulgue os Cinco Primeiros Sábados. Finalmente, a 13 de Junho de 1929, em Tuy, Lúcia é visitada pela Santíssima Trindade e Nossa Senhora. A Mãe de Deus, sob o braço esquerdo, trazia uma inscrição: «Graça e Misericórdia». Pede que faça chegar ao Papa o Seu desejo de que proceda à consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração». São estes os Remédios que, em Fátima (e a partir de Fátima), Maria traz para nossa salvação. Fazendo o que Ela diz, a nossa vida será feliz!

 

publicado por Theosfera às 08:00

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