O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
  1. Quem não gosta de ser aplaudido?

Mas será que o aplauso é mobilizador? Bastará o aplauso para mobilizar as pessoas?


  1. É um facto que vivemos numa época onde todos parecemos contaminados pela vertigem do aplauso.

O aplauso desponta como o grande certificado de aprovação.


  1. Para o senso comum, uma acção aplaudida é uma acção aprovada e, consequentemente, boa.

Veja-se o que acontece nos estádios e nas plateias. Um atleta muito aplaudido torna-se facilmente um «herói». Um cantor muito aplaudido converte-se rapidamente numa «estrela».


  1. O mais sintomático é que nem nós, cristãos, conseguimos escapar completamente a esta vertigem.

Até nos momentos em que não estão previstos, os aplausos acabam por estar presentes.


  1. Há celebrações onde o assentimento (expresso através do «ámen») é ruidosamente asfixiado pelos aplausos (sinalizados pelas palmas).

Sem nos apercebermos, estamos a fazer sobressair não o que agrada a Deus, mas o que nos agrada, a nós.


  1. Acresce que nem sempre o aplauso redunda em participação. Hoje em dia, há formas de aplauso que dispensam qualquer participação.

Sem sair de casa, é possível escrutinar as nossas preferências. O «facebook» até se dá ao trabalho de contabilizar os «gostos» — e «adoros»! — de cada publicação.


  1. Como se compreenderá, nós, cristãos, não podemos coleccionar aplausos para nós. É preciso mobilizar para a participação em Igreja e (sobretudo) para o seguimento de Cristo.

Dir-se-á que uma coisa conduz à outra. Não necessariamente, porém.


  1. Jesus raramente foi aplaudido. Chegou até a ser contestado. E, implicitamente, preveniu-nos mesmo contra a busca do aplauso.

De facto, Ele avisou-nos para não nos deslumbrarmos quando todos nos louvarem (cf. Lc 6, 26). E foi ao ponto de garantir que poderíamos ser odiados, torturados e condenados (cf. Mt 24, 9).


  1. Jesus sabia de antemão que o Seu projecto de salvação do mundo incomoda o mundo. E percebeu que a nossa sede de aplauso resulta de um desejo de não ser incomodado.

Acontece que evangelizar é ter a ousadia de incomodar. Mas quem está disposto a isso?


  1. Christian Duquoc notou que estamos numa época que «adora o consenso». Mas, ao «consentir» com o mundo, não correremos o risco de «dissentir» de Jesus Cristo?

Os primeiros cristãos foram, quase todos, condenados pelo mundo. Curiosamente, nós veneramos — como mártires — todos esses condenados. Mas teremos a coragem que eles mostraram?

publicado por Theosfera às 10:34

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