O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2014
  1. A Igreja nasceu pobre e nasceu para ser pobre. Pobre foi o seu Fundador. Pobre foi a maioria dos seus primeiros membros.

Será, porém, que, ao longo dos tempos, a Igreja tem conseguido ser pobre? Será que tem querido ser pobre?

 

  1. Em causa está uma Igreja pobre no sentido de posse moderada de bens.

E pobre no sentido de desapossamento dos bens.

 

  1. O perfil da Igreja dos começos não se distinguia pelo desejo de possuir, mas pela vontade de repartir o que possuía (cf. Act 4, 34).

A pobreza não era uma imposição. Era um imperativo. Ser pobre era, fundamentalmente, tornar-se pobre.

 

  1. Este foi o legado do Mestre. Este foi o testemunho dos que vieram depois do Mestre.

Jesus tornou-Se pobre «para nos enriquecer com a Sua pobreza»(1Cor 8, 9). Era por isso que, entre os cristãos, ninguém considerava seu o que possuía: «tinham tudo em comum»(Act 2, 44).

 

  1. No decurso de todos estes séculos, a pobreza subsistiu sempre como uma interpelação, como a medida alta da vida cristã.

Foram muitos os que perceberam que, em Cristo, Deus fez-Se homem e fez-Se homem pobre.

 

  1. Tão grande foi o apreço pela pobreza que ela chegou a ser alçada à categoria de ideal supremo.

O problema é que, não poucas vezes, foi um ideal pouco real, um ideal quase sem realidade.

 

  1. Houve momentos em que praticamente se atingiu a «quadratura do círculo».

Houve alturas em que, como anotou Kierkegaard, se fazia a apologia da pobreza no meio do luxo e da ostentação.

 

  1. Mais recentemente, entretanto, a Igreja foi dando conta de que, afinal, a riqueza só a empobrecia.

E, pelo contrário, era a pobreza que mais a enriquecia.

 

  1. Neste mês, faz 50 anos que houve um gesto com o maior significado.

Foi a 13 de Novembro de 1964 que Paulo VI depôs a célebre «tiara», símbolo do poder papal, no altar de S. Pedro.

 

  1. «A Igreja — explicou — deve ser pobre e deve aparecer [não parecer] pobre». É claro que se pode fazer muito bem com os bens. Mas a experiência mostra que a excessiva preocupação com os bens impede que com eles se faça o bem.

Não basta, pois, uma Igreja para os pobres. É urgente uma Igreja pobre. Como Jesus!

publicado por Theosfera às 10:00

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