O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015
  1. Na aldeia global, em que o nosso mundo se transformou, estamos expostos a tudo. O que se passa lá fora acabará por chegar cá dentro.

O populismo já nos visita. Os extremismos também começam a acenar. Com a pouca apetência pelo pensamento complexo e ante a dureza das condições de vida, receio que a violência dispare.

 

  1. Grande enigma é Portugal. Temos tudo para dar certo, mas persistimos nas opções erradas. Temos terra. Temos mar. Temos gente. Temos, pois, todos os ingredientes do sucesso. O que nos falta, então, para ter sucesso?

Falta-nos gestão. Somos ricos em recursos, mas temos sido pobres na gestão. Já foi assim no passado. Continua a ser assim no presente. Continuará a ser assim no futuro? Se continuar, é sinal de que, pelo menos, estamos vivos. E incorrigíveis.

 

  1. Não costuma ser assídua a felicidade. E, quando surge, parece breve. Já Vinicius de Moraes sentia que «a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar. Voa tão leve, mas tem a vida breve».

Há que procurá-la constantemente. E há que perceber que a procura já é conquista. Procurar a felicidade oferecendo felicidade é, porventura, o único caminho para ser feliz.

 

  1. Não dá para ocultar. As pessoas andam tristes. Tristes por dentro mesmo que simulem alegria por fora. Há risos que escondem muitas lágrimas.

Diria, com o Padre António Vieira, que «a tristeza é um mal e enfermidade universal a que ninguém escapa». E nem os que provocam tristeza parecem alegres.

 

  1. Grande, total, é a diferença entre a cobardia e a valentia. Já Shakeaspeare notara que o cobarde morre milhares de vezes, enquanto o valente morre apenas uma vez. Diria até que não morre nunca.

Quem se mantém fiel nunca morre. Mesmo depois da morte, o rasto perdura. O exemplo nunca se apaga.

 

  1. A esperança, hoje em dia, pode não assegurar o máximo. Mas até os serviços mínimos da esperança são preciosos.

Pouco tempo antes de morrer, Tony Judt afirmou: «É provável que estejamos perante uma situação em que a nossa tarefa principal não é imaginar mundos melhores, mas pensar como é que poderemos prevenir mundos piores». A esperança pode não nos conduzir ao melhor. Mas já faz muito quando nos ajuda a evitar o pior.

 

  1. A escravatura não é permitida, mas a vitória sobre a escravidão está longe de ser garantida. Há muitas formas de escravizar.

Há quem se julgue proprietário dos outros, dono da consciência dos outros. Bem dizia Diderot que «nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos outros». Só que muitos, mesmo entre aqueles que invocam amiúde a liberdade, arrogam-se esse direito.

 

  1. Há ainda muito medo no mundo. Há muita gente que se sente amedrontada, oprimida, chantageada.

A liberdade ainda tem um longo caminho a percorrer.

 

  1. A vida é feita de realidade e tecida de ilusões. Ninguém foge à realidade. E será que alguém escapa às ilusões?

Não se pense que as ilusões são um exclusivo da juventude. Os mais idosos também alimentam as suas, quiçá de modo inconsciente.

 

  1. Hebbel Christian observou: «Muitas vezes a juventude é repreendida por acreditar que o mundo começa com ela. Mas a velhice acredita ainda mais frequentemente que o mundo termina com ela. O que é pior?»

Nem tudo começa connosco. Nem tudo termina em nós. Bom seria que, quando nós deixarmos o mundo, o mundo fique um pouco melhor. Já não é pouco!

 

 

 

 

publicado por Theosfera às 09:48

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