O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 07 de Setembro de 2018
  1. Está a chegar ao fim a nossa Novena. Lá do alto, a nossa Mãe a todos acena. O Seu olhar tem ainda mais brilho quando Se enleva diante do Seu Filho. Depois de aqui «novenar», o nosso compromisso com Cristo não pode parar. Para junto d’Ela viemos na certeza de que com Ela sempre aprendemos.

Nunca nos esqueçamos, então, de centrar a nossa vida na missão. Assim sendo, em cada dia, acreditemos como Maria. Em cada dia, rezemos como Maria. Em cada dia, cantemos como Maria. Em cada dia, esvaziemo-nos como Maria. Em cada dia, fiquemos junto à Cruz como Maria. Em cada dia, sirvamos como Maria. E, em cada dia — é o tema deste último dia —, sigamos Jesus como Maria.

 

  1. Se repararmos, encontramos aqui um programa para cada dia da semana. Sete temas para sete dias. No fundo, são sete temas para cada dia porque cada um deles está implicado nos outros e pressupõe os outros. Na escola de Maria, encontramos o melhor guia. D’Ela nos vem a luz para sempre seguirmos os passos de Jesus.

Por conseguinte, quando daqui sairmos, tenhamos presente o que aqui ouvimos. Foi a Mãe que nos ofereceu o que Ela própria viveu. Não nos esqueçamos, dia após dia, de acreditar como Maria, de rezar como Maria, de cantar como Maria, de nos esvaziarmos como Maria, de ficar junto à Cruz como Maria, de servir como Maria, de seguir Jesus como Maria.

 

  1. Seguir Jesus é o corolário de todo o programa de vida cristã. Não se pode ser cristão sem seguir Cristo. Aliás, meditando bem no Evangelho o serviço e o seguimento estão intimamente unidos e mutuamente implicados. Servir e seguir; servir é seguir, seguir é servir. Só servimos os outros quando seguimos Jesus Cristo; e só seguimos Jesus Cristo quando nos dispomos a servir os outros. Foi este o exemplo do próprio Jesus, foi este o testemunho da Mãe de Jesus.

É vital compreender que, em Maria, a condição de Mãe está indelevelmente ligada à condição de discípula. Maria é Mãe de Jesus e discípula de Jesus. Ela segue sempre Jesus. Ela ensina-nos a seguir sempre Jesus.

 

  1. Tal como Maria, somos chamados a seguir sempre Jesus. É deste modo que nos tornamos membros da Sua família. Para Jesus, o que conta é o seguimento, não os laços de sangue. Faz parte da Sua família não quem nasceu entre os seus familiares, mas quem escuta e põe em prática a Palavra de Deus (cf. Mt 12, 50). À família de Jesus pertencemos não por consanguinidade, mas por fidelidade.

Daí que, mesmo que não pareça, Jesus faz um grande elogio à Sua Mãe quando pergunta e responde: «Quem é Minha Mãe e quem são Meus irmãos? Quem faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é que é Meu irmão, Minha irmã e Minha Mãe» (Mt 12, 49-50). Ninguém como Maria foi tão longe nesta preocupação. Ninguém como Ela guardou a Palavra no Seu coração. Ninguém como Ela cumpriu a Palavra em cada instante da Sua terrena peregrinação.

 

  1. Ao contrário do que se possa pensar, Jesus não questiona a pertença familiar. Faz até questão de a ampliar. Santo Agostinho comenta esta passagem do seguinte modo: «Não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que pela fé acreditou, pela fé concebeu, que foi escolhida para que d’Ela nascesse a salvação para todos os homens, que foi criada por Cristo antes que Cristo fosse criado no Seu seio?»

Maria — prossegue o Bispo de Hipona — «fez a vontade do Pai e cumpriu-a inteiramente. E, por isso, para Maria, é mais importante ter sido discípula de Cristo do que ser Mãe de Cristo. Maria era feliz porque, antes de dar à luz o Filho, trouxe no ventre o Mestre».

 

  1. Desde o princípio, Maria esteve sempre com Jesus. Maria nunca deixou Jesus. Mesmo que fisicamente nem sempre estivesse presente, a Sua presença é algo que sempre se sente. De Belém até à Cruz, Maria viveu sempre para Jesus. Ser discípulo é isto: acompanhar sempre Jesus Cristo. É isso o que falta, é isso o que urge. Não podemos seguir Cristo em «part-time». Seguir Jesus Cristo só pode ser em «full-time». Só a tempo inteiro é que o seguimento de Cristo é verdadeiro.

Daí que Maria seja o paradigma do discípulo incondicional. Maria está sempre e em tudo. Não aparece só nas horas triunfais. Pelo contrário, é nas horas de dor que Ela aparece mais. Sempre discreta, a Sua presença é sempre certa,

 

  1. É sintomático que os textos sagrados, que mencionam a presença de Maria na Cruz, omitam qualquer referência a Maria na Ressurreição. É um dos maiores enigmas que atravessa a curiosidade dos cristãos. Será que Jesus ressuscitado não apareceu a Sua Mãe? Até São Paulo, que se mostra tão pormenorizado a este respeito (chegando a referir a aparição de Jesus a 500 pessoas de uma só vez), não oferece qualquer indicação (cf. 1Cor 15, 3-8).

Não obstante, a tradição sempre acreditou que o Ressuscitado a Sua Mãe visitou. E até alega que foi à Sua Mãe bendita que Jesus Ressuscitado fez a primeira visita. Mas, como sempre foi recatada, Maria não procurou que essa visita ficasse registada. E o certo é que um autor do século V, chamado Sedúlio, afirma que Jesus, após a Ressurreição, mostrou-Se, antes de mais, à Sua Mãe. Isso pode inclusive ajudar a explicar porque é que Maria não vai ao sepulcro. Foi o que, a 21 de Maio de 1997, São João Paulo II alvitrou. Para o Santo Padre, «a ausência de Maria do grupo das mulheres que se dirige ao sepulcro pode constituir um indício de Ela já Se ter encontrado com Jesus».

 

  1. Nossa Senhora é, pois, a perfeita seguidora. Ela seguiu Jesus a partir do Seu coração. É aqui, portanto, que encontramos a grande lição. Deixemos que Jesus tome conta do nosso interior. É a partir de dentro que Ele Se torna Nosso Senhor. Não se pense que, para Maria, foi fácil ser discípula. A Sua fé também passou pela provação e pela dor. Mas tudo isso Ela superou com a entrega do Seu amor.

Maria desponta, por isso, como modelo de uma Igreja sempre nova; de uma Igreja que não tem medo de, na vida, estar à prova. Não tenhamos receio das adversidades. Também elas estão cheias de possibilidades. Ser discípulo não é uma opção superficial; na nossa existência, ela é a escolha total. Maria mostra-nos sempre isto: ser discípulo é ir até ao fim por Jesus Cristo.

 

  1. Maria apresenta-nos, assim, o perfil de uma Igreja plenamente «ex-cêntrica». Com Maria, a Igreja há-de aprender a centrar-se apenas — e sempre — em Jesus Cristo e no Evangelho de Jesus Cristo. Não esqueçamos que, muitas vezes, o maior problema da Igreja é centrar-se demais nos seus problemas. Os problemas da Igrejas são vencidos quando por Cristo somos totalmente envolvidos. De uma vez para sempre temos de perceber que, para nós, viver tem de ser «cristoviver».

Foi isso o que em Maria aconteceu. Para Jesus Cristo Ela sempre viveu. A nossa vida só fará sentido se o nosso ser por Cristo for possuído. Não ficamos diminuídos quando por Cristo nos damos. Somos muito mais felizes quando a Ele nos entregamos. Depender de Cristo não é humilhação; depender de Cristo é o caminho para a plena libertação.

 

  1. Nossa Senhora dos Remédios, ensina-nos a ser discípulos do Teu Menino. Que Ele seja sempre a nossa luz e o nosso único destino. Ajuda-nos a despir-nos de tanta coisa fútil. Faz-nos perceber que só n’Ele a nossa vida se torna útil. Seguir Jesus conTigo é maravilhoso. Nada há de mais gozoso.

Agora que a Novena está a chegar ao fim, intensifica em nós o «sim». Que ao Teu Filho digamos «sim». E que na Igreja o nosso «sim» sempre esteja. Que nós compreendamos que nada há mais belo do que Teu Filho seguir. E do que, em Seu nome, a humanidade servir. Obrigado, Mãe, por estares sempre à nossa beira. Acompanha estes Teus filhos, pela vida inteira. Estamos quase a acabar de «novenar». Mas, para junto de Ti, Mãe, haveremos sempre de voltar!

publicado por Theosfera às 08:00

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