O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 30 de Agosto de 2019
  1. Eis-nos, uma vez mais, a subir para até este lugar santo vir. De novo, em Novena à volta da nossa Mãe e Padroeira, Aquela que nos acompanha a vida inteira. Não é fácil a esta hora acordar depois — e antes — de um dia inteiro a trabalhar. Mas é belo — e sumamente comovente — encontrar aqui tanta gente.

Nunca é demais dizer aquilo que nos é dado ver. Estamos perante um verdadeiro «mar de Mãe», um mar que corre «a montante» e que nos faz ir sempre para diante. Só paramos quando à frente d’Ela estamos. Mas nunca esqueçamos o Menino que a Mãe tem no Seu regaço. É para Jesus que a Mãe nos guia, a cada passo.



  1. Foi pela Novena que, há cerca de quatro séculos, a Festa começou. Até 1777, o itinerário era de 28 de Julho a 5 de Agosto, então dia de Nossa Senhora dos Remédios. A partir de 1778, o percurso vai de 30 de Agosto a 7 de Setembro, para ter como corolário o dia 8, em que da Mãe — neste Santuário — celebramos o aniversário.

Por aqui se vê que, para a Festa ser plena, é fundamental vivenciar a Novena. E quem nega que vale sempre a pena participar na Novena? Este «mar de gente» — transubstanciado num ingente «mar de Mãe» — enche completamente a nave deste templo. Mas esgota também o coro alto, a capela-mor, a sala dos retratos, inundando igualmente largas porções do Adro. E são muitos os que, não podendo aqui estar, pela Rádio nos estão a acompanhar.



  1. É assim que, nestes nove dias, manhã cedo, vamos louvar Nossa Senhora de Lamego. Ela está aqui, neste sítio alto, mas o Seu lugar é o mundo, donde todos Lhe dedicam um amor profundo. Nossa Senhora dos Remédios não tem fronteiras. Por isso, aqui se vem das mais diversas maneiras. Do país e do estrangeiro, sentimos palpitar aqui o mundo inteiro.

De vários destinos, são milhares e milhares de peregrinos. Todos nós confiamos na intercessão da Mãe. É uma intercessão poderosa, que sentimos em cada hora dolorosa. É sempre uma intercessão de grande valia, que transforma a tristeza em alegria.



  1. Vamos então iniciar este itinerário de conversão, feito de fé, oração e perdão. Vamos cantar e rezar. Vamos cantar rezando e rezar cantando. Vamos olhar para Maria, unindo-nos a Ela na Eucaristia. Nunca esqueçamos isto: o mais importante é sempre Jesus Cristo. Por conseguinte, o que faz Maria feliz é fazer o que Seu Filho diz (cf. Jo 2, 5).

Foi o Filho de Maria que instituiu a Eucaristia. Como é possível à Mãe agradar se na Eucaristia nos demitimos de participar? Não sejamos cristãos à nossa maneira. Imitemos Maria a vida inteira. Maria é toda para Jesus. Só honramos Maria centrando-nos — também nós — em Jesus.



  1. É por isso que a Novena une o momento mariano ao momento eucarístico. Não separemos o que Deus quer unir. Começamos pela recitação do Terço para culminar com a Eucaristia. É assim nestes dias. Que possa ser assim em cada dia. Não nos esqueçamos de fazer convergir a nossa romaria para a participação na Eucaristia.

Em Fátima, Nossa Senhora pediu — nas seis vezes em que apareceu — a recitação do Terço pela paz. Rezemos, pois, o Terço em cada dia. Mas não esqueçamos que a primeira oração a Maria é a Eucaristia. Não foi por acaso que São João Paulo II chamou a Nossa Senhora «mulher eucarística». Como Maria, habituemo-nos a celebrar, a adorar e a vivenciar os mistérios do Seu Filho.



  1. Para bem nos prepararmos para Jesus receber, é imperioso o apelo à conversão acolher. É por tal motivo que a Novena é um tempo favorável à celebração do Sacramento da Reconciliação. Durante estas «madrugadas de fé», vários sacerdotes aqui estão para atender de confissão. Mas onde quer que nos encontremos, é bom que a confissão procuremos.

Todos somos pecadores, todos erramos na vida. Mas temos sempre oportunidade de mudar de forma decidida. É a Cristo que nos confessamos. Em cada sacerdote, é Cristo que encontramos. O padre até pode ser mais pecador que muitos dos que dele se aproximam. Mas, nele, não é à pessoa dele que sentimos. Nele, é a Jesus Cristo que nos dirigimos.



  1. No Ano da Missão, vamos olhar para Maria como modelo de doação. O tema da Novena deste ano é «Missionários de Cristo na companhia de Maria». É que Maria nunca Seu Filho deixou, mesmo quando os maiores obstáculos encontrou. Nem na Cruz Maria de Jesus Se afastou. Que melhor modelo de missão? No Seu silêncio e na Sua discrição, Maria é guia para a nossa missão.

Missionários todos temos de ser. A Missa gera Missão. O «ide em paz» não é, pois, uma despedida. É um envio para a vida. De certo modo, a Missa não tem fim. Terminada a celebração sacramental, começa a «celebração existencial». E esta faz-se vivendo lá fora o que celebramos cá dentro.



  1. A Missa e a Missão não são, pois, facultativas para o cristão. Elas são sempre imperativas na nossa acção. Às vezes, parece que à missão antepomos o prefixo «de». E, nessa altura, em vez de missão, parece que temos «demissão»; em vez de «missionários», parece que somos «demissionários».

É preciso mudar de padrão. Temos de estar em missão a partir do nosso coração. Nada, na vida, é mais importante que isto: viver e anunciar Jesus Cristo. Levar e trazer é o que faz a missão acontecer. Estar em missão é levar Cristo a todos e trazer todos para Cristo.



  1. É claro que muitos podem não aderir. A resposta pode não vir de todos. Mas a proposta tem de chegar a todos. A fé é, por natureza, invasiva e até «incendiária». Ela pretende invadir todas as dimensões do nosso ser e «incendiar» todos os momentos da nossa vida.

A fé não admite poupanças. A fé implica que nos gastemos: até ao último dia, até à derradeira gota do nosso suor. Na missão, nós não somos apenas destinatários, temos de ser também agentes. Quem é tocado por Cristo é chamado, nesse mesmo instante, a tornar-se anunciador de Cristo.

  1. A missão é para todos: para todas as pessoas, para todos os lugares e para todos os momentos. A missão não é só para os missionários até porque missionários temos de ser todos. Quem não faz missão será cristão? Não. Quem não faz missão não é cristão. A missão é para todos, é para tudo e é para sempre.

Aos pés da nossa Mãe e Padroeira, disponhamo-nos para a missão a vida inteira. Em casa, no trabalho e até no lazer, a missão tem de estar sempre a acontecer. Que Nossa Senhora dos Remédios nos acompanhe na missão e conduza todos os momentos da nossa acção. Como Ela, procuremos trazer sempre Jesus nos nossos braços. E que o Seu caminho ilumine os nossos passos!

publicado por Theosfera às 05:12

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