O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 30 de Agosto de 2018

1. Antes de mais e quando o sol já começa a aparecer, há uma coisa que vos quero dizer. É tão comovente sentir a fé de tanta gente. De facto, é preciso muita fé para — de carro ou a pé — vir tão cedo louvar a Senhora de Lamego. Mas a vossa fé, queridos irmãos, consegue inventar forças e unir mãos. É isto o que torna estas manhãs diferentes. É isto o que nos leva a estar aqui presentes. Vale sempre a pena participar na Novena. Com lágrimas e com alegria, é para aqui que nos encaminhamos cada dia.

Todos nós podemos testemunhar que a estes momentos nada se pode comparar. Não há Festa como esta. Não há lugar como este monte nem água como a desta fonte. Não me refiro só à água que na Fonte do Adro encontramos. Refiro-me sobretudo à «água viva» (cf. Jo 4, 13-14) que daqui levamos. A «água viva» que aqui se produz tem o nome de Jesus. Vinde, pois, entrai e vede: encontrareis água viva para saciar a vossa sede.

  1.  

    1. Quem Lamego nesta altura visita tem os olhos postos nesta imagem bendita. É para a nossa Mãe que todos os olhares se voltam. É por causa da nossa Mãe que tantas lágrimas se soltam. A Festa arrasta multidões porque a nossa Mãe não sai dos nossos corações. É por isso que, para a Festa ser plena, é fundamental participar na Novena. Foi pela Novena que a Festa começou. Foi a Novena que tanta gente para Lamego chamou. É a Novena que, hoje ainda, aqui nos traz. É na Novena que sentimos acender-se em nós uma imensa paz.

    É certo que a Novena cansa muito por fora. Mas é igualmente verdade que a Novena nos tranquiliza bastante por dentro. É por isso que, se a Novena custa quando começa, custa muito mais quanto acaba. Como no Monte da Transfiguração, sentimo-nos bem no meio de toda esta multidão. Também aqui Jesus Se transfigura: no Seu Pão, reencontramos ânimo e força segura. Por tal motivo, a Romaria tem de desaguar sempre na Eucaristia. É na mesa da Palavra e do Pão que nos abastecemos para a nossa peregrinação. Nunca esqueçamos isto: o mais importante é Jesus Cristo. É para o Filho que a Mãe nos conduz. É d’Ele — e só d’Ele — que as horas mais escuras se enchem de luz.

     

    1. Estamos a iniciar mais um itinerário de tantos lugares para o nosso Santuário. Mas a Novena não termina quando o seu fim chegar. A vivência da Novena é para nunca mais se apagar. Ela é um lenitivo para que o nosso compromisso se mantenha sempre vivo. Nós, cristãos, não fazemos interrupções: o Evangelho tem de estar sempre nos nossos corações.

    Vivamos este tempo com intensidade para que em nós cresça a fidelidade. Com Maria, estaremos centrados na Eucaristia. São João Paulo II reparou nesta Sua característica e a Maria chamou «mulher eucarística» Assim sendo, todos perceberemos que o lugar mais importante do Santuário é o Altar com o Sacrário. É aqui que está Jesus vivo, é aqui que deparamos com a Sua presença real. E é sobretudo aqui que somos obsequiados com o Seu amor sem igual. Não é por acaso — nada é por acaso — que à porta do Sacrário encontramos uma das imagens de Nossa Senhora dos Remédios. Ela está ali, à porta, para nos lembrar o que mais importa. É sempre para Jesus que Maria nos conduz.

     

    1. Enquanto momento de transfiguração, a Novena é uma oportunidade para celebrarmos o Sacramento da Reconciliação. Vários sacerdotes aqui estão para, em nome de Cristo, nos darem o Seu perdão. Não tenhamos medo da Confissão. Como Pai, Deus quer acolher-nos no Seu coração. Para quem se confessa, uma nova vida começa. Não hesitemos em recomeçar. O melhor da vida para nós há-de chegar.

    Não insistamos em ser como somos; procuremos ser o que Deus quer que sejamos. Sabemos que, com as nossas forças, é algo impossível de conseguir. Mas de Deus são muitas as graças que estão sempre a vir.

     

    1. Fixemo-nos, então, na nossa Mãe e Padroeira ou, para ser mais exacto, «Madroeira». É que, se Padroeiro vem de Pai, então para a Mãe a qualificação mais precisa — e expressiva — talvez seja «Madroeira». Mas, para lá do sentido das palavras, o que conta é o sentido da nossa vida. Que terá, desta vez, a nossa Mãe para dizer?

    Maria não precisa de falar para sempre nos tocar. Maria é mais de viver do que de dizer. É mais de dizer com a vida do que de dizer com os lábios. A Sua vivência transporta uma enorme eloquência. Maria é uma escola para que a nossa vida por Cristo se decida. Maria, Ela mesma, foi uma mulher de escuta. Aprendamos, pois, a escutar quem tanto — e tão bem — escutou. E sigamos Aquele que a Sua vida mudou. A Deus Maria disse sempre «sim». Que O mesmo Lhe digamos nós até ao fim.

     

    1. A Diocese propôs-nos o exemplo do Bom Samaritano. «Vai e faz tu também do mesmo modo» (Lc 10, 37). Foi o que disse Jesus ao doutor da lei, foi o que disse o senhor Bispo, há cerca de um ano, a todos os diocesanos. Façamos, então, como o (bom) Samaritano. E façamos também como Maria. Que melhor samaritana que Maria?

    Quem como Maria para cuidar das nossas feridas? Quem como Maria para perceber os dramas das nossas vidas? Há coisas que só uma mãe consegue entender. E há outras coisas que só uma Mãe como Maria é capaz de resolver.

     

    1. Mas se procuramos Maria para suplicar, porque é que não havemos de procurar Maria para mudar? Deixemo-nos guiar por Maria. Aliás, é um dos títulos mais antigos que Ela ostenta: Nossa Senhora da Guia. De facto, Maria «guia-nos» com os Seus «remédios». E o melhor «remédio» que Lhe podemos pedir é a graça de o Seu Filho seguir.

    Foi, aliás, isso o que Ela nunca Se cansou de fazer. Os passos de Jesus foram os passos que Maria quis percorrer. Amemos, por isso, Maria como Mãe e nunca esqueçamos de imitar Maria como discípula.

     

    1. Para este ano, o lema da Novena é: «Em cada dia, façamos como Maria». Não esqueçamos que a maior dádiva que Deus nos deu é a vida que nos ofereceu. Em cada dia, são 24 horas — ou seja, 1440 minutos — que Ele deposita nas nossas mãos.

    Que estamos dispostos a fazer dessa dádiva? A quem queremos entregar esse dom?

     

    1. Cada dia é o nosso campo de missão. Cada dia é uma oportunidade para a nossa conversão. Cada dia é um recomeço de jornada e mais uma etapa na humana caminhada. Não desperdicemos tantos dons. E deixemo-nos guiar por quem nos está sempre a acompanhar.

    Vamos procurar meditar o que Maria fez e como Maria fez. A Igreja apresenta-nos Maria como modelo e exemplo. E, como sabemos, o exemplo em tudo é decisivo. O argumento pode ser pertinente, mas só o exemplo consegue ser convincente. Os argumentos podem ajudar numa discussão, mas só o exemplo é capaz de pôr a nossa vida em transformação.

     

    1. Não apenas nestes dias, mas em cada dia, procuremos fazer então como Maria. Ela está aqui, à nossa espera. Mas atende, em toda a parte, a nossa oração sincera. Em cada hora, Maria é a companhia certa porque a nossa fé desperta. Ela é feliz porque acredita (cf. Lc 1, 45). A nossa vida também é feliz quando o Seu exemplo imita. Em cada dia, façamos sempre como Maria. Rezemos como Ela, cantemos como Ela, trabalhemos como Ela, calemos como Ela e sigamos Jesus como Ela.

    Que a nossa Mãe e Padroeira (ou «Madroeira») esteja convosco a vida inteira. Que os Seus «remédios» curem os nossos males e tédios. Vinde sempre aqui. Mais felizes partireis daqui. Que a nossa vida seja como a d’Ela. Com Ela, a nossa vida será sempre bela!

publicado por Theosfera às 08:00

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