O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 23 de Junho de 2019

A.É Cristo quem nos une



  1. É bem verdade que aquilo que nos une é mais — e muito maior — do que aquilo que nos separa. O problema é que, habitualmente, vivemos mais dominados por aquilo que nos separa do que por aquilo que nos une.

Como reconhecia São Paulo, é natural haver judeus e gregos, homens e mulheres. Mas, quando estamos em Cristo, o que sobressai não são estas diferenciações. O que mais deve sobressair é quem nos une: Jesus Cristo. «Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, todos vós sois um só em Cristo Jesus» (Gál 3, 28).



  1. É por isso que a unidade não é só — nem principalmente — «estar com»; a unidade é sobretudo «estar em». Não basta estar com os outros. Aliás, podemos estar perto sem nos sentirmos próximos nem unidos.

«Estar com» faz ajuntamento; só o «estar em» consegue fazer unidade. Somente em Cristo estaremos unidos. Somente em Cristo seremos felizes. É preciso, pois, aprender a «cristoviver». Só quando «cristovivemos» é que verdadeiramente vivemos.


B. Seguir Jesus é também seguir a oração de Jesus



  1. Olhemos, então, todos para Jesus Cristo. Neste Domingo, começamos por vê-Lo a orar. Seguir Jesus é, antes de mais, orar como Jesus. Aliás, o Evangelho anota que, apesar de Jesus estar a orar sozinho (cf. Lc 9, 18), os discípulos estavam com Ele (cf. Lc 9, 18). Isto significa que seguir Jesus é seguir também a Sua oração. Eis o que falta, eis o que importa, eis o que urge.

Orar como Jesus leva-nos necessariamente a orar ao Pai na força do Espírito Santo. E ajuda-nos obviamente a estar com Jesus, a intimar com Jesus, a escutar Jesus, a sentir o chamamento de Jesus.



  1. Acresce que a referência à oração de Jesus é sinal de que alguma coisa importante está para acontecer. É habitual em São Lucas apresentar Jesus em oração antes de um momento importante (cf. Lc 5,16; 6,12; 9,28-29; 10,21; 11,1; 22,32.40-46; 23,34). Depois de rezar, Jesus tem sempre alguma coisa relevante para comunicar.

Desta vez, Jesus não aparece com respostas, mas com uma pergunta. Tenhamos presente que Jesus não é apenas a resposta para as nossas perguntas; Ele é também — e bastante — a pergunta para as nossas respostas. A questão relevante que, desta vez, Jesus tem para colocar é acerca d’Ele mesmo. E, como tivemos oportunidade de escutar, as respostas sobre Jesus eram, no mínimo, insuficientes. As nossas respostas sem Jesus são sempre insuficientes. Razão tinha o teólogo Karl Rahner quando advertiu que «só Jesus é a resposta total para a pergunta total».


C. O que significa ser Messias, Cristo



  1. O que as multidões pensavam sobre Jesus estava longe da verdade sobre Jesus. Estando o Povo de Deus marcado pelo sofrimento da opressão, é natural que enquadrassem Jesus na linha dos grandes enviados de Deus para libertar o Seu povo. E, de facto, Jesus veio para libertar o Povo e não apenas da opressão política. Jesus veio para libertar — no fundo, para salvar — toda a humanidade, oprimida por toda a espécie de mal.

Como podemos reparar, quem melhor conhece Jesus é quem mais está com Jesus. A resposta certa é a de Pedro: «Tu és o Messias de Deus» (Lc 9, 20). Pedro dá a resposta certa porque anda com Jesus, porque acompanha Jesus.



  1. Dizer que Jesus é o Messias significa reconhecer n’Ele não mais um enviado, mas o enviado de Deus. Refira-se que Messias (palavra de origem hebraica) significa o mesmo que Cristo (palavra de origem grega). Ambas significam «ungido». A mesma raiz está incluída, aliás, na palavra Crisma, que significa «unção». Assim sendo, Cristo é o que tem o Crisma, Cristo é o ungido com a unção divina.

Jesus é o Cristo de Deus, o ungido por Deus. Todo Ele é divino. Compreende-se, entretanto, que Ele tenha proibido Pedro de o dizer em público naquela altura, porque os discípulos ainda não tinham percebido o autêntico alcance desta afirmação.


D. O segredo da revolução Jesus



  1. Jesus sabia que os discípulos sonhavam com um Messias predominantemente político. Jesus sabia que eles estavam à espera de alguém que substituísse o poder opressor por um poder libertador. Daí que, para cortar cerce todas as veleidades e equívocos, Jesus comece a instruí-los sobre Si mesmo. Foi certamente com grande perplexidade que os discípulos ouviram as palavras seguintes: «O Filho do Homem [Ele próprio] tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos-sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto» (Lc 9, 22) antes de ressuscitar.

Ora, tudo isto era contrário ao que eles esperavam. Os discípulos estavam à espera de um Messias que não sofresse, que não fosse rejeitado nem morto. Estavam à espera de um Messias que triunfasse e que eliminasse os adversários.



  1. Como se entretanto isto não bastasse, Jesus vai mais longe. Quem quiser segui-Lo tem de fazer como Ele: «negar-se a si mesmo e pegar na Cruz todos os dias» (Lc 9, 23). Jesus não vem com uma proposta de poder, mas com um projecto de doação da própria vida. Tal projecto é não só diferente, mas completamente oposto ao que era comum: «Quem quiser salvar a própria vida há-de perdê-la; mas quem perder a vida por Minha causa há-de salvá-la» (Lc 9, 24).

Jesus não vem para mudar estruturas, mas para mudar a vida. Jesus vem para alterar tudo: é preciso dar para receber; é preciso perder para ganhar; no limite, é preciso morrer para ressuscitar. Ou seja, é preciso deixar o que se é para ser totalmente novo. Haverá revolução maior?


E. Pela Cruz à Ressurreição



  1. Habituemo-nos a olhar para Jesus, para «aquele que trespassaram» (Zac 12, 10). São João vê em Jesus, morto na cruz e com o coração trespassado pela lança, a concretização da figura evocada por Zacarias (cf. Jo 19,37).

Nunca deixemos de seguir Jesus. E não esqueçamos que, no Seu horizonte próximo, não está um trono, mas a Cruz. É aí, na entrega da vida por amor, que Ele realiza a promessa de salvação feita por Deus.



  1. Todos somos convidados a seguir Jesus, tomando — como Ele — a Cruz. Deste modo, derrubaremos os muros do egoísmo e do orgulho, renunciando a nós mesmos e fazendo da vida um dom.

Eis o projecto para a nossa vida de cada dia: pegar na Cruz aliviando a Cruz. Não sobrecarreguemos a Cruz de ninguém; ajudemos, antes, a aliviar a Cruz de todos. Seguir Jesus é pegar na Cruz. Só depois da Cruz virá a Ressurreição. Quem com Cristo quiser ressuscitar, a Sua Cruz tem de levar. Não há aqui nada de depressivo, mas de realismo e de solidariedade. Se ajudarmos a levar a cruz uns dos outros, a cruz de todos será menos pesada. Há tanta cruz para levar. Há tantos crucificados para aliviar. Não recusemos aliviar a cruz dos nossos irmãos!

publicado por Theosfera às 05:16

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