O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 04 de Outubro de 2016
  1. Em relação ao segredo, a tendência é para conjugar mais o verbo divulgar do que o verbo guardar.

Dá até a impressão de que quanto mais se pede para o guardar, tanto maior é o impulso para o divulgar. Já não haverá segredos?

 

  1. Porventura, terá sido sempre assim.

É muito antigo o adágio segundo o qual «segredo de três [é] segredo de todos».

 

  1. O que mudou foi sobretudo a escala.

Enquanto outrora os segredos mal saltavam as fronteiras de um povoado, hoje retinem estrondosamente nos extremos do planeta.

 

  1. A violação do segredo é uma infracção que todos censuram, mas que praticamente ninguém deixa de cometer.

É o típico caso em que se aplica a máxima de uma moral egocêntrica: «O meu vício é uma virtude, a tua virtude é um vício».

 

  1. Acresce que, se a escala aumentou, o autodomínio diminuiu.

Em tempos, um segredo, ainda que conhecido, era mantido sob uma certa auréola de recato. Nos tempos que correm, um segredo, apenas insinuado, parece ser logo (excitadamente) esmiuçado.

 

  1. Estilhaçaram-se os princípios, ultrapassaram--se os limites, foram-se os pudores. Em quem confiar?

O mais seguro seria seguir o decidido conselho de Fernando Pessoa: «Nunca fales de ti. Guarda ao teu ser o teu segredo. Se o abrires, nunca o poderás fechar».

 

  1. Só que, às vezes, a pessoa sente absoluta necessidade de falar de si. E, nessa altura, tem direito a esperar que mais ninguém fale do que falou.

Guardar tudo em si é uma impossibilidade. Mas confiar em alguém tornou-se um risco.

 

  1. São poucos os que percebem que o segredo não pertence a quem o recebe, mas a quem o confia.

Quando faz uma confidência, a pessoa está a olhar para o outro como uma extensão de si mesmo.

 

  1. É por isso que o segredo nem precisaria de ser pedido para ser mantido.

Basta olhar para a sua natureza: o que é íntimo deve subsistir na intimidade.

 

  1. Toda a gente sabe, porém, que — infelizmente! — as coisas não se passam deste modo.

Espanta, pois, que muitos se espantem com a repetida divulgação de segredos. Não é o que quase todos fazem? Assim sendo, não será melhor que, em vez de condenar, comecemos por (também) nos corrigir?

 

publicado por Theosfera às 10:02

De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2016
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
hora
Relogio com Javascript

blogs SAPO


Universidade de Aveiro