O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 05 de Abril de 2016

 

  1. Se a morte já é difícil de compreender, o impulso para matar torna-se, pura e simplesmente, incompreensível. E completamente insuportável.

    Todavia, é um impulso cada vez mais frequente, cada vez mais difundido, cada vez mais irresistível.

 

  1. Os antigos desconfiavam dos impulsos. Por isso, muitos deles acautelavam-se e combatiam-nos.

Como não sabiam para onde eles os podiam conduzir, achavam que o melhor era eliminá-los logo no princípio. Daí a conhecida máxima «obsta principiis». Ou seja, os impulsos deviam ser combatidos no seu início.

 

  1. Sentia-se que, no início, ainda é possível ao homem controlar os impulsos.

Pelo contrário, depois do início, o mais certo é serem os impulsos a controlar o homem.

 

  1. Compreende-se que a ascese fosse muito valorizada.

Com ela, aprendia-se a renunciar a todo o prazer e a abdicar até da satisfação de algumas necessidades.

 

  1. Tratava-se de uma espécie de prevenção.

Quando algum impulso viesse, já haveria uma predisposição para lhe fazer frente, para não lhe ceder.

 

  1. O método não passava tanto por combater directamente os impulsos. É que, a pretexto de tal combate, os impulsos poderiam tornar-se demasiado presentes.

Afinal, combater os impulsos implica reconhecer que eles estão activos. O melhor seria, pois, criar alternativas.

 

  1. Aplicava-se, então, o método «antirrético», exposto especialmente por Evágrio de Ponto.

Por cada impulso — ou pensamento — negativo, opunha-se uma alternativa positiva.

 

  1. O modelo era a atitude do próprio Jesus. Por cada tentação que Lhe foi insinuada, opôs sempre uma afirmação da Sagrada Escritura.

Por três vezes diz ao Tentador: «Está escrito», citando expressões do Antigo Testamento (Mt 4, 4.7.10).

 

  1. Os tempos mudaram. E os últimos tempos mudaram aceleradamente. Hoje, por sistema, faz-se uma despudorada apologia dos impulsos.

O problema é que, podendo saber como eles começam, dificilmente conseguimos saber como eles acabam. E quem não se habitua a controlar os impulsos, como será capaz de controlar certos impulsos?

 

  1. Esquecemos que a violência também resulta de impulsos. É claro que, aqui, o consenso é total. Todos achamos que os impulsos violentos devem ser combatidos na raiz.

Só que, num mundo cada vez mais pulsional, cremos ser insuficiente combater determinados impulsos. O mais avisado é tomar as devidas cautelas diante de todo e qualquer impulso. É que, se não acautelarmos as causas, arriscamo-nos a sofrer as suas consequências!

 

publicado por Theosfera às 10:56

De Evágrio Pôntico a 7 de Abril de 2016 às 02:07
Como sempre, palavras sábias e inspiradas!

Deus o abençoe, Sr. Padre João António, pelas mensagens de convite à Paz, e cheias de espiritualidade, que incessantemente nos envia !

De Jorge Nicola a 8 de Abril de 2016 às 15:25
Interessantes e sábia reflexão sobre o impulso, caro Sacerdote


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