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Domingo, 26 de Novembro de 2017

A. «CR7»? «CR. Sempre»! 

 

  1. Nos últimos tempos, tem havido muitos «dias CR». Hoje é mais um «dia CR». No fundo, todos os dias são «dias CR» e não apenas de «CR7». Todos os dias são dias de «CR. Sempre». Há dias em que muitos olham para Cristiano Ronaldo, o famoso «CR7». Em cada dia — e não somente neste dia — somos convidados a olhar para Cristo Rei. É Ele o incomparável — e o inconfundível — «CR. Sempre». Antes — e muito acima — de CR7», encontraremos este «CR. Sempre». É verdade que «CR7» alegra muitas vidas. Mas quem verdadeiramente transforma a nossa vida é este «CR. Sempre».

    Cristo é um rei que dá vida. Cristo é um rei por quem vale a pena dar a vida. E, na verdade, Cristo é um rei por quem muitos têm dado a vida. Especialmente hoje, faz sentido recordar tantos mártires cujas últimas palavras, ao morrer, foram precisamente: «Viva Cristo Rei».

 

  1. Como é sabido, «Viva Cristo Rei» era um dos gritos mais ouvidos pelos promotores da chamada «Revolução Cristera». Chamavam-lhe «cristera» porque achavam que estavam a lutar em nome do próprio Cristo. Este movimento ocorreu no México nos anos 20 do século passado como reacção à perseguição que, naquele país, o Estado desencadeou contra a Igreja Católica.

Quem mais contribuiu para a divulgação daquele grito foi o Padre Miguel Agostinho Pró, já beatificado. Ligado a esta «Revolução Cristera», foi fuzilado a 23 de Novembro de 1927. Com o crucifixo numa mão e o terço na outra, abriu os braços e gritou antes de ser morto: «Viva Cristo Rei»! Este grito percorreu não só o México, impressionando igualmente o mundo inteiro. Dizem os relatos que as centenas de mártires da Guerra Civil da Espanha, entre 1936 e 1939, também morreram a gritar: «Viva Cristo Rei»!

 

B. «CR» é também (e sobretudo) Cristo Rei

 

  1. De facto, não há quem assim nos conforte: nem na vida nem na morte. A realeza humilde de Cristo é o maior conforto que a história tem visto. Gritemos, pois, com os lábios (e sobretudo com a alma): «Viva Cristo Rei»! E tenhamos a certeza de que Cristo vive, de que Cristo reina, de que Cristo impera para sempre.

A Sua vida e o Seu reinado não são de ostentação. A Sua vida e o Seu reinado acontecem no nosso coração. Este é um rei que não lança qualquer imposto. Este é um rei que para servir está sempre disposto. Não nos cansemos, pois, de olhar para o quadro comovente (e arrepiantemente belo) que nos é oferecido neste último Domingo do ano litúrgico! Celebramos a realeza de Cristo e, ao mesmo tempo, contemplamos a sublime humildade de Cristo.

 

  1. Cristo é grande, mas a Sua prioridade não são os (que se julgam) grandes. A grandeza de Cristo está na Sua atenção (e no Seu apurado cuidado) pelos mais pequenos. É com os mais pequenos que Cristo Se identifica: «Tudo o que fizestes ao mais pequeno dos Meus irmãos foi a Mim que o fizestes» (Mt 25, 40).

É assim que Jesus engrandece os pequenos e empequenece os grandes. A verdadeira grandeza não está na pretensão nem na ostentação. A maior grandeza é a que nasce do coração. Grande não é quem tem muitos a servi-lo. Verdadeiramente grande é quem se dispõe a servir os outros. É por isso que o trono deste rei é a Cruz. É aí que Ele dá tudo por todos, especialmente pelos mais pobres. É sobretudo com eles que Ele Se identifica.

 

C. Seremos mais julgados pelo comportamento do que pelo conhecimento

 

  1. Cristo aparece-nos como um rei que tem fome, como um rei que tem sede. Ele é um rei sem casa. É um rei a quem falta roupa. É um rei que adoece. É um rei que está preso (cf. Mt 25, 34-36). Onde é que já se viu um rei assim? Um rei nu ainda é possível encontrar na literatura, como no célebre conto de Hans Christian Andersen. Mas um rei faminto, doente e sem-abrigo, só mesmo no Evangelho. Que, neste caso, mais parecerá um «disangelho», isto é, uma notícia pouco entusiasmante.

Mas é assim que surge o nosso rei. Não está num palácio, está na Cruz. Não dá leis, dá a vida.

 

  1. Eis, por conseguinte, a pauta para o juízo final. Não seremos julgados pelo que sabemos ou acumulamos. Julgados havemos de ser pelo que fizermos por Jesus, presente nos mais pequenos. Nos mais pequenos, está o Cristo faminto e o Cristo sedento, o Cristo sem casa e sem roupa. Nos mais pequenos, está o Cristo doente e o Cristo encarcerado. E nós que fazemos?

Na tarde da nossa vida, não seremos julgados pelo conhecimento, mas pelo comportamento, sobretudo pelo amor. Assim sendo, não esqueçamos nunca o oitavo pecado mortal, que não é menos grave que os outros sete. O pecado mortal da indiferença será sempre alvo de severa sentença. Se Cristo é diferente, como continuar a ser indiferente? Não pode haver indiferença perante a Sua presença.

 

D. Nos pobres de Cristo encontramos sempre o Cristo dos pobres

 

 

  1. Afinal, o que colocamos nas mãos dos pobres de Cristo pertence ao Cristo dos pobres. O que repartimos não é, pois, uma oferta; é uma restituição. Santo Agostinho bem nos alertou: «De quem é o que dás senão d'Ele? Se desses do que era teu, seria liberalidade, mas porque dás do que é d'Ele, é uma restituição». Assim sendo, o que damos aos pobres de Cristo acaba por ser dado ao Cristo dos pobres.

No serviço, não pode haver exclusões, mas tem de haver prioridades. O serviço não pode excluir ninguém, mas tem de priorizar os que mais precisam. Jesus é um rei que, diante dos problemas, não esconde de que lado está. Ele está especialmente ao lado dos que costumam ser rejeitados. Os preteridos do mundo são os preferidos de Cristo. Deste modo, os preferidos de Cristo terão de ser os preferidos da Igreja de Cristo.

 

  1. Terminamos o Ano Litúrgico com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Esta celebração existe para nunca nos esquecermos de que, tal como Ele está no centro do mundo, também tem de estar no centro da nossa vida. Está no centro da nossa vida para transformar todas as nossas vidas.

Curiosamente, esta é uma festa relativamente recente, instituída em 1925, pelo Papa Pio XI através da encíclica «Quas primas». O Santo Padre achou que era tempo de vincar que, apesar de todas as resistências, é Jesus quem verdadeiramente reina sobre toda a humanidade.

 

E. Como os mártires de tantos dias, gritemos nós neste dia: «Viva Cristo Rei»!

 

  1. No número 33 daquele documento, Pio XI expressa o desejo de que «os fiéis retomem coragem e força e renovem a sua adesão a Nosso Senhor, fazendo com que Ele reine nos seus corações». Naquela altura, a Festa de Cristo Rei era celebrada no último Domingo de Outubro. Depois do Concílio Vaticano II, passou para o último Domingo do Ano Litúrgico.

Dizer que Jesus reina é dizer que Jesus salva. A salvação já está preparada desde o princípio, como se diz no convite: «Vinde, benditos de Meu Pai, recebei como herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo» (Mt 25, 34). Todos nós estamos convidados para pertencermos ao número de quem se diz bem, isto é, ao número dos que são «benditos».

 

  1. Benditos seremos nós se benditas forem as nossas palavras e as nossas acções. Benditos seremos nós se benditos forem os nossos passos. Benditos seremos nós se contribuirmos para tornar bendita a vida dos outros.

Para que o Bem seja dito, é fundamental que o Bem seja feito. Por isso, há Bem dito quando há Bem feito. O Bem é dito quando o Bem é feito. Fazer bem é, antes de mais e acima de tudo, fazer o Bem. Onde se faz o Bem, aí está Deus também. Deus é o sumo Bem e Cristo é o Pastor que nos guia para o Bem. Escutemos, pois, a Sua voz. E nunca Lhe fechemos as portas do nosso coração (cf. Sal 95, 8). Nós, que tanto exaltamos os feitos de «CR7», não nos esqueçamos de celebrar «CR. Sempre». Pois Cristo é (mesmo) Rei para sempre! Como os mártires de tantos dias, gritemos também nós neste dia: «Viva Cristo Rei»!

publicado por Theosfera às 05:16

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