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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

1. Nada pior para um doente do que não reconhecer que está doente.

 

Não menos danoso, entretanto, é quando a identificação da doença é imprecisa e o diagnóstico da enfermidade se revela superficial.

 

 

 

2. Toda a gente fala da crise. Mas quem se dispõe a ir à fundura da sua raiz? A crise económica e a crise política são, sem dúvida, um forte sintoma, mas não constituem a origem dos nossos males.

 

A prova é que a economia e a política, apesar de repetidos esforços, não têm sido capazes de vencer os nossos problemas. Parecem cercadas por uma atadura labiríntica que não (nos) deixa entrever uma luz.

 

 

 

3. Vivemos em crise, sim. Não só agora, mas também — e sobretudo — agora. Só que esta é uma entranhada crise social, cívica, civilizacional.

 

Como alertou o Papa Francisco, estamos a passar por uma aguda «crise de verdade». Não faltam sucessivos — e preocupantes — afloramentos desta crise. Mas será que estamos atentos? Ou não será que, à força do hábito, a indiferença já nem nos leva a reagir?

 

 

 

4. Anunciar uma decisão como irreversível tenderá a ser visto como jogada de mestre e como cartada forte.

 

O efeito pretendido será que outros cedam. Que a posição se consolide e o poder se reforce. Como corolário, será invocado o interesse comum quando aquilo que avulta é o reforço do interesse pessoal.

 

 

 

5. E quando o interesse pessoal é salvaguardado, até a decisão irreversível é rapidamente revertida.

 

Tudo se altera — até a palavra dada — para que o interesse se mantenha. Só o interesse é irreversível.

 

 

 

 

6. Que confiança poderá haver num cenário destes? Que crédito poderá ser reconhecido a pessoas que actuem assim?

 

É por isso que, como acentua o Papa, a resposta à crise de verdade não está só na competência nem no conhecimento. A superação da crise de verdade terá de passar também — e bastante — pela fé.

 

 

 

7. A fé é o terreno da confiança e o território da credibilidade.

 

A ligação entre a fé e a verdade é, por isso e como lembra o Santo Padre, «mais necessária do que nunca».

 

 

 

8. A fé não transporta uma verdade parcial, ditada pela técnica e imposta pelo interesse.

 

A fé transporta uma «verdade grande», a única «que ilumina o conjunto da vida pessoal e social».

 

 

 

9. Trata-se de uma verdade que coloca a dignidade da pessoa no centro, não o lucro. É uma verdade captada (mas não capturada) pela razão e emoldurada pelo amor.

 

É uma verdade que só se conhece quando se escuta e quando se vê. É uma verdade que corre no entendimento, mas que escorre pelo coração. É uma verdade que nos humaniza e fraterniza!

 

publicado por Theosfera às 10:10

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