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Sábado, 07 de Setembro de 2019

 

  1. Eis que a Novena está a chegar ao fim. Mas, pela sua estrutura e vivência, o espírito da Novena é para persistir na nossa existência. Temos Maria ao pé de nós. Que do Seu Filho aprendamos a escutar a voz. Não deixemos esvaziar o Ano da Missão. Que o seu ardor não pare de crescer no nosso coração.

A missão é para fazer no dia-a-dia: com a ajuda de Maria e sempre alimentados pela Eucaristia. E para que o testemunho missionário leve à conversão, não deixemos de celebrar — frequentemente — o Sacramento do Perdão. É com atitudes concretas — e não com enunciados em forma de generalidade — que se atesta a nossa fidelidade.



  1. Sejamos, concretos. Não deixemos passar nenhum Domingo sem Eucaristia. Não deixemos passar nenhum dia sem o Terço pedido por Maria. E não deixemos passar nenhum mês sem nos aproximarmos da Confissão. Mas este é o mínimo. Todo o cristão — e muitos aqueles que estão envolvidos nas acções eclesiais — deveriam confessar-se muito mais.

Com o exame de consciência diário, daremos conta que a confissão é algo muito necessário. Abeiremo-nos de Cristo, presente no sacerdote, e recebamos a graça com que Ele nos quer presentear.



  1. Esta Casa da Mãe está destinada a ser a Casa do Perdão para todos os baptizados: desde os leigos até aos consagrados, quem não precisa de ser perdoado? A frequência da Confissão é o maior certificado de humildade que pode haver. Quem é humilde, reconhece-se pecador e pede perdão. Quem não pede perdão, que humildade tem no seu coração?

Não tenhamos medo da verdade da nossa vida pois Cristo nos oferecerá a graça devida. Sejamos cristãos a sério e abramo-nos sempre ao divino mistério. Sejamos cristãos até ao fim e Cristo ficará contente connosco assim.



  1. São João Paulo II, no início do presente século, convidou-nos a enveredar-nos pela «medida alta da vida cristã»; não «pela medida baixa» ou sequer pela «medida média». No fundo, não fez mais do que reproduzir o apelo de São Paulo aos colossenses: «Aspirai às coisas do alto» (Col 3, 2).

Não nos limitemos, pois, aos mínimos. Nós não somos cristãos de mínimos como Cristo — e Sua Mãe — nunca Se ficaram pelos mínimos. Aliás, São João Paulo II associava a «superficialidade religiosa» à «mediocridade espiritual». E era por isso que o santo e saudoso Papa polaco se confessava todas as semanas. Foi assim que ele chegou a santo. E os santos não merecem ser imitados?



  1. Grande devoto de Maria foi São João Paulo II. A Ela consagrou todo o seu ser e toda a sua missão. A Ela se entregou como Bispo e como Papa: «Totus Tuus» (todo Teu) era o seu lema. Todo de Maria foi este Papa que vinculou Maria à Eucaristia. Chamou-Lhe mesmo «mulher eucarística»

Nunca esqueçamos que a primeira oração mariana é, inegavelmente, a Eucaristia. O Terço é uma oração preciosa que pode servir e preparação e de sequência à Eucaristia. Mas o Terço nunca pode ser visto como substituto da Eucaristia.



  1. É por isso que não podemos ser apenas «cristãos de Maio» ou do «início de Setembro». Cristãos e marianos devemos sê-lo todos os anos, toda a vida. Daí igualmente que a nossa romaria deva incluir sempre a participação na Eucaristia.

É pela Eucaristia que acolhemos Jesus com Maria. Deste modo, fazemos como João, acolhendo Maria no nosso coração. Foi ao Discípulo Amado que Jesus entregou a Sua Mãe (cf. Jo 19, 26). É a cada um de nós que Jesus continua a entregar a Sua Mãe.



  1. Como esteve junto à Cruz de Seu Filho, Ela mantém-se junto à Cruz de todos nós, Seus filhos. Maria nunca nos deixa, mesmo quando o nosso amor por Ele se desleixa. Sejamos, então, missionário de Cristo na companhia de Maria. Aprendamos com a Sua Palavra e nunca deixemos de aprender com o Seu silêncio.

Faz-nos muita falta o silêncio de Maria. Nem na Casa de Seu Filho conseguimos calar. Nem na Casa de Seu Filho criamos ambiente para escutar. Façamos longos momentos de meditação, mas não abandonemos as formas de rezar que o povo simples deixou na nossa mão. Não desvalorizemos o que vem da tradição, que é tão cheio de riqueza e tão repleto de beleza. Mesmo o que nos parece repetitivo é parte de um património que permanece vivo.



  1. Foi, de resto, este género de oração que muitos santos fez. Será também com ele que à santidade chegaremos na nossa vez. A oração permite-nos fazer a experiência de Maria na Ressurreição. É como ressuscitados que para a missão somos constantemente enviados.

É curioso que, embora a Bíblia não o diga, é mais que certo que a primeiríssima visita que Jesus fez depois de ressuscitar tenha sido a Maria, Sua Mãe. Não falta quem alegue que foi a Maria que o Ressuscitado apareceu em primeiro lugar. Um autor do século V, chamado Sedúlio, afirma que Jesus, após a Ressurreição, mostrou-Se, antes de mais, à Sua Mãe. E, a 21 de Maio de 1997, São João Paulo II alvitrou que «a ausência de Maria do grupo das mulheres que se dirige ao sepulcro pode constituir um indício de Ela já Se ter encontrado com Jesus».



  1. Cremos, entretanto, que é possível ir ainda mais longe nesta conjectura mariana. Independentemente de Jesus Lhe ter aparecido ou não, Maria levou a sério as palavras do Filho sobre a Sua ressurreição.

Pelo que Ela — proclamada feliz por ter acreditado (cf. Lc 1, 45) — sabia que não era no túmulo que Jesus Se encontrava. Tudo indica, como reparou São João Paulo II, que Maria foi «a única que manteve viva a chama da fé, preparando-Se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da Ressurreição».



  1. Eis o que somos chamados a fazer em cada momento da missão: sermos testemunhas da Ressurreição. Isto significa que nós não dizemos que «Cristo viveu»; nós proclamamos — e testemunhamos — que «Cristo está vivo». Está vivo na Palavra e no Pão, está vivo no Perdão e em cada Irmão. Que Nossa Senhora dos Remédios abençoe os nossos passos deste testemunho constante. Que Ela conduza os nossos passos sempre para diante, para Seu Filho. Sejamos, como São Maximiliano Maria Kolbe, «cavaleiros da Imaculada», sentindo a presença da Mãe na nossa humana jornada.

Maria nunca nos afasta de Cristo. Como nos poderia afastar de Cristo aquela que permanentemente nos dá Cristo? São Simão Rojas, no século XVII, tão devoto foi de Nossa Senhora que até lhe chamaram o «Padre Ave, Maria». E São Serafim de Montegranaro levou o seu amor por Maria ao ponto de imprimir uma figura d’Ela no fundo de um copo. Assim, quando bebia, bebia com mais afã para chegar a ver a figura de Maria. De todas as formas, levemos Maria à nossa beira e Ela há-de inspirar a nossa missão inteira. Só a Cristo chegaremos se com a Sua Mãe estivermos. Que Nossa Senhora dos Remédios a todos conceda saúde, conforto e paz. E que a todos levemos o amor que Ele sempre nos traz!

publicado por Theosfera às 05:50

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