O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

1. Coisa estranha é este mundo. Coisa estranha é este tempo. Coisa estranha é o comportamento humano neste mundo e neste tempo.

Andamos cada vez mais depressa e chegamos cada vez mais atrasados.  Causa? Queremos fazer tudo. Queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Falta-nos um pouco de pausa, um pouco de lentidão.

 

2. Há muito saber, mas pouco sabor. Falta uma certa capacidade para olhar para dentro, para entrar neste santuário que somos nós mesmos.

Lá no fundo desse mar imenso que se chama vida, há uma miríade de surpresas. À espera de serem encontradas.

 

3. O presente será dos que entendem. Mas o futuro pertencerá, sem qualquer dúvida, aos que ousam.

George Bernard Shaw percebeu: «Alguns vêem as coisas como são e perguntam: "Porquê?". Eu sonho com as coisas que nunca foram e pergunto: "Por que não?"». Alguma ousadia é necessária. Muito sonho é urgente.

 

4. Muitas são as vezes em que nos queixamos da vida. Mas será que a vida, se falasse, também não teria motivos para se queixar de nós? Artur Rubistein observa: «Quem ama a vida é amado por ela».

Pode levar tempo. Mas a vida não costuma desapontar os que não desistem. E no chão da vida fermenta o eco da presença palpitante de Deus. A vida dos homens é um sopro do eterno abraço de Deus.

 

5. Nada está adquirido à partida. Tudo tem de ser (cuidadosamente) cultivado até à chegada. A violência não é um exclusivo de sociedades pouco desenvolvidas. Pierre La Rochelle até dizia que «a civilização extrema gera a barbárie extrema».

As guerras mundiais do século XX envolveram povos que primavam por índices culturais acima da média. Não há civilização verdadeira sem humildade, sem respeito pelo outro.

 

6. Quem ganhou as últimas guerras? Quem ganhará as próximas guerras? Eleanor Roosevelt não tinha dúvidas: «Ninguém ganhou a última guerra, nem ninguém ganhará a próxima».

Esse é o equívoco em que persistimos desde os primórdios. Na guerra, todos perdemos. Ganhar só na paz.

 

7. O paradigma está a deslizar em quase tudo. No conhecimento, sem dúvida. Mas também nos comportamentos. A vida privada já não é o que era. Será que ainda é? Será que ainda existe vida privada?

Facilmente se confunde transparência com exibicionismo. Pior, hoje propende-se a desconfiar do que é privado, do segredo.

 

8. Se há segredo, há logo desconfiança. Porque é que tem de ser assim? Esquecemo-nos de que defender a privacidade é defender a liberdade? Wolgang Sofsky afasta-se do pensamento dominante advertindo: «Quem não tem alguma coisa a esconder, renunciou à sua liberdade».

Nem sequer nos apercebemos de que nem tudo é para mostrar, nem tudo é para publicitar. A vida íntima é para ficar na intimidade. Somos amigos não quando queremos saber tudo a respeito dos outros. Mas quando protegemos a sua privacidade e não alinhamos em rumores acerca deles.

 

9. É costume associar a beleza à infância, à juventude, à robustez.

Daí a tendência (quase a obsessão, em alguns casos) para prolongar a juventude, para retardar o envelhecimento.

 

10. Não nos apercebemos de quanta beleza há na velhice. No passo pausado. No andar pesado. No caminhar devagar. Na lágrima furtiva. No olhar dorido. Nas cãs luminosas. Na calvície reluzente. Na sabedoria acumulada. Na subtileza mostrada. Na paciência notada. Nos silêncios eloquentes.

A verdadeira beleza não virá mesmo pela tarde?

 

publicado por Theosfera às 10:42

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