O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 30 de Agosto de 2016

1. Uma vez mais, para aqui subimos. Uma vez mais, aqui chegámos. Uma vez mais, aqui nos encontramos. Como há um ano, como há dez anos, como há 50 anos, como há 100 anos, como há 200 anos, como há 300 — ou mais — anos, aqui estamos de novo à hora de sempre. Estamos aqui para ouvir a Mãe, para sentir a Mãe, para chamar a Mãe, para chorar a Mãe, para louvar a Mãe, para levar connosco a Mãe!

Se a Procissão do dia 8 (de que todos falam) é algo raro, a Novena destas manhãs (que quase ninguém noticia) é coisa única.Onde encontrar, a uma hora como esta, tanta gente a rezar, tanta gente a cantar, tanta gente a vibrar? A Novena é o que mais espanta. A Novena é o que mais nos encanta. É na Novena que, verdadeiramente, está a originalidade da Festa. Aliás, foi com a Novena que começou esta Festa. Já nessa altura, era manhã cedo, antes do raiar do sol, que o povo aqui se juntava. Já nessa altura, a multidão formava um caudal que crescia a montante até desaguar, arfante, na Casa da Mãe.

 

  1. É bom não esquecer e nunca é demais repetir. Foi com a Novena que a Festa começou. Foi com a Novena que a Festa se afirmou. Com efeito, até finais do século XVIII, o dia da Festa não era a seguir ao último da Novena. Até finais do século XVIII, o dia da Festa era o último dia da Novena. Isto significa que a Festa era vista não apenas como um acontecimento, mas também (e sobretudo) como um itinerário. A Festa começava quando começava a Novena. Tratava-se de todo um itinerário celebrativo, de muita fé e intensa devoção.

Já desses tempos nos chegam relatos que dizem que a Capela e, depois, o Santuário, eram pequenos. Muitas pessoas tinham de ficar no exterior. E houve até anos em que o próprio púlpito era colocado no adro para que todos pudessem escutar a Palavra de Deus.

 

  1. A Novena sempre teve, como continua a ter hoje, um momento mariano e um momento eucarístico. A devoção à Mãe sempre esteve entrelaçada com a adoração do Filho. Quem olhava para a imagem da Mãe dava logo com os olhos na presença real do Filho. De facto, até 1865, era costume pôr a sagrada Hóstia no peito da imagem de Nossa Senhora dos Remédios.

O que atrai tanta gente a este lugar (e a esta hora) é a fidelidade às origens, à fé dos nossos antepassados. O que atrai tanta gente a este lugar (e a esta hora) é a grande simplicidade do que aqui se vive, do que aqui se passa. Toda esta multidão é rapidamente envolvida nas palavras e nos cânticos. Aqui se reza o que toda a gente reza, aqui se canta o que toda a gente canta. É por isso que até as paredes do Santuário tremem com tanta fé que por aqui estremece.

 

  1. O itinerário da Novena sempre foi assumido como uma espécie de tecto e de porta. Por um lado, estes dias são o corolário — e como que o remate — do que aqui acontece todos os dias. Por outro lado e ao mesmo tempo, estes dias funcionam como um pórtico — e um tónico — para a vivência de cada dia. O que fazemos nestes dias é o procuraremos fazer em cada dia.

A Novena desponta, assim, como um itinerário de celebração e também de conversão. A Novena desponta, assim, com um itinerário de petição e também de imensa gratidão. Todos estamos aqui movidos pelo igual e, simultaneamente, motivados pelo diferente. O que nos traz aqui é o mesmo e, ao mesmo tempo, único. Todos estamos aqui para louvar, para agradecer e para nos converter. Mas cada um de nós tem uma história própria e um motivo único. O que se passa entre esta Mãe e cada um destes Seus filhos é único, irrepetível e indizível. Está sulcado na vida, alojado na alma e hospedado nos corações.

 

  1. É por tudo isto que aquilo que se passa aqui não pode terminar aqui. É por tudo isto que aquilo que se passa nestes dias não pode acabar nestes dias. Não é só aqui que sentimos necessidade de agradecer. Não é só nestes dias que sentimos necessidade de nos converter. A gratidão é para toda a vida, a conversão é para sempre.

Bem-vindos, pois, uma vez mais, à Casa da Mãe, que é a Casa de cada um de nós, Seus filhos. Aqui todos nos sentimos bem. Aqui sempre nos sentimos em casa. Aqui visitamos a Mãe, aqui nos sentimos visitados pela Mãe. Aqui tudo é encanto, aqui tudo provoca espanto. A imagem que está na Sacristia mostra-nos a Mãe a olhar, embevecida, para Seu Filho. A imagem que está no trono apresenta-nos a mesma Mãe a olhar, enternecida, para todos nós, Seus filhos.

 

  1. Nós sentimo-nos cá em cima, mesmo quando andamos, ocupados, lá em baixo. Podemos ter a certeza de que Ela, a nossa Mãe, está também lá em baixo, mesmo quando nós A contemplamos, solícita, cá em cima. É por isso que este lugar não há-de ser apenas um lugar de passagem. Há-de ser, cada vez mais, um lugar de paragem.

Este lugar santo (daí o nome «Santuário») é o lugar ideal para parar a fim de melhor podermos recomeçar. Aqui encontramos o melhor combustível: a presença de Deus feita Palavra e tornada Pão.

 

  1. Por conseguinte, é fundamental que a nossa romaria ande sempre à volta da Eucaristia. Nunca esqueçamos que o mais importante no Santuário é o Altar e o Sacrário. A vontade maior de Maria é que adoremos Jesus na Eucaristia.

Nestes dias, pela manhã, ouçamos o que Maria nos diz em Caná: «Fazei o que Ele (Jesus) vos disser» (Jo 2, 5). E o que Jesus nos diz é «Fazei isto em memória de Mim» (1Cor 11, 25). O «isto» é a conversão do pão no Corpo de Jesus. O «isto» é a conversão do vinho no Sangue de Jesus. Enfim, o «isto» que aqui reluz é a Eucaristia de Jesus.

 

  1. O tema da Novena deste ano é «Maria, Mãe de Misericórdia». No Ano Santo da Misericórdia, é o tema que se impõe. Nesta Casa da Mãe da Misericórdia, é o dom de que cada um dispõe. Acresce que a primeira procissão de Nossa Senhora dos Remédios de que há memória levou o povo a invocá-La como «Senhora, Mãe das Misericórdias».

Foi em 1752, ainda não havia sequer Santuário. Os meses de Outubro a Dezembro desse ano foram aflitivos por causa da seca. Apesar de ser Outono, praticamente não choveu, o que trouxe problemas graves para a saúde das pessoas e dos solos. Foi assim que, a 17 de Dezembro, se organizou uma procissão com a imagem de Nossa Senhora dos Remédios.

 

  1. Tal procissão passou pela Sé, pelo Desterro e pelas Chagas, entre outros lugares. Dizem que os meninos das escolas cantavam implorando o dom da chuva e que cessassem «as enfermidades contagiosas que se tinham ateado nesta cidade, porque em muitas das pessoas em que deram foram raríssimas as que viveram». A esterilidade das águas era tal que secaram muitas fontes «de que não havia lembrança de que se exaurissem».

Acontece que as preces foram atendidas. Uns dias antes da procissão, caíram algumas chuvas e, nos dias seguinte à mesma, «a apetecida chuva regou abundantemente a terra árida». A procissão, essa, decorreu num dia «de sol quente e sem vento» e «aplacaram repentinamente as malignas doenças».

 

  1. Ao longo destes séculos, Nossa Senhora dos Remédios tem sido, para todos, a «Senhora, Mãe das Misericórdias». Por Ela ninguém deixa de ser atendido, por Ela todo o pedido é ouvido.

Ouçamo-La nós também. Em multidão, louvemo-La com o nosso coração. No segredo da nossa consciência, procuremos mudar a nossa existência. Na Festa deste Ano da Misericórdia, procuremos o divino perdão através da Confissão. E deixemo-nos guiar pela Mãe da Luz até aos pés de Seu Filho Jesus!

publicado por Theosfera às 08:00

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