O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2017
  1. No tempo da velocidade, até o mais breve minuto parece uma eternidade.

Em pressa — e sob pressão — constante, esperar um segundo soa a martírio exasperante.

 

  1. Definitivamente, a vida tornou-se uma correria. De um lado para o outro, de um instante para o instante seguinte, dá a impressão de que nunca temos pousio.

Como repousar se nem nas férias conseguimos parar?

 

  1. Acontece que não corremos só por fora. Até por dentro nos sentimos em correria acelerada e em desgaste contínuo.

Será que a nossa acção passará de mera agitação?

 

  1. A experiência ensina que, mais do que activos, sentimo-nos agitados. Mas também interiormente paralisados.

Como notou D. António Ferreira Gomes, somos dominados por uma «agitação paralisante» e por uma «paralisia agitante».

 

 

  1. Estamos «on» nas plataformas digitais, mas continuamos «off» no plano relacional.

Conectados com quem está longe, parecemos desligados de quem vive perto. Informados sobre quase todos, será que chegamos a conhecer verdadeiramente alguém?

 

 

  1. O Papa Francisco apercebeu-se de um paradoxo.

Por um lado, o homem exige o mais rápido: «internet rápida, viaturas rápidas, aviões rápidos, relatórios rápidos». Mas, por outro lado, sente necessidade de alguma lentidão. Contudo, quem está disposto a satisfazer esta aspiração?

 

  1. Muitas vezes, a própria Igreja reproduz a rapidez que nos cerca.

Será que ela é capaz de oferecer também alguma lentidão que tantos procuram?

 

  1. Será que «a Igreja ainda sabe ser lenta: no tempo para ouvir, na paciência para recomeçar e reconstruir? Ou não será que a própria Igreja já se deixa arrastar pelo frenesim da eficiência?»

Não raramente, andamos a prometer o alto, o forte e o rápido (incluindo conversões rápidas e curas rápidas).

 

  1. Haverá, porém, algo mais alto que o amor revelado no «abaixamento da Cruz»? Haverá algo mais forte que «a força escondida na fragilidade do amor»?

Por tal motivo, não precisaremos de reaprender o valor — e a beleza — de uma certa lentidão?

 

  1. Uma certa lentidão ajudar-nos-á a sair ao encontro de quem já saiu. E dar-nos-á ambiente para «entrar na noite» das pessoas que caminham «sem meta, sozinhas, com o seu próprio desencanto».

Estaremos dispostos a constituir uma «Igreja capaz de aquecer o coração» como Jesus aqueceu o coração dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32)?

publicado por Theosfera às 10:05

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