O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

1. A vida é feita de tudo.: de acção e também de alguma inacção.

Eu sei que não é popular dizer isto. Mas creio que é preciso ter a coragem de fazer uma certa paragem. Para bem andar, também é preciso parar. Muitas vezes, corremos o risco de confundir agir com agitar.

 

  1. Há tanta acção que não age, só reage e perturba. Ou, então, só reproduz o agir habitual. Tantas são as coisas que fazemos por rotina, sem passar no seu sentido ou significado. Tantas são as coisas que fazemos por ressabiamento ou por vingança. Para onde vamos quando vamos assim?

É, pois, tempo de parar, de olhar, de escutar, de meditar. Saber parar é o segredo para bem (poder) caminhar.

 

  1. Há mais ensinamentos que aprendizagens. A vida está sempre a ensinar, mas nem sempre nos mostramos dispostos a aprender.

Depois de vermos que até o inevitável pode ser evitado e depois de notarmos que muita coisa irreversível acaba por ser revertida, há que estar preparado para tudo.

 

  1. Cecília Meireles confidenciava ter aprendido «com a Primavera a deixar-se cortar e a voltar sempre inteira».

Cuidado, então, com as palavras contundentes e com os juízos (apressadamente) definitivos.

 

  1. Para Jesus, o grande não é critério para o pequeno. Para Jesus, o pequeno é que é critério para o grande.

Por isso, Ele deixou bem claro que quem quiser ser o primeiro tem de ser servo (cf. Mt 20, 27). No mesmo registo, também assegurou quem é fiel no pouco é fiel no muito (cf. Lc 16, 10).

 

  1. A fidelidade não começa no muito. A fidelidade vê-se no pouco.

As pequenas coisas, as pequenas atitudes e os pequenos gestos dizem muito. Dizem praticamente tudo.

 

  1. Em democracia, o poder é escolhido pelos que votam. Mas o poder representa também os que se abstêm. A abstenção não é um fenómeno homogéneo. Há uma panóplia de motivações para não votar. Mas todas elas convergirão no desencanto.

Em qualquer caso, há que ter em conta um dado objectivo: de eleição para eleição, cai crescendo a abstenção. Creio que é preciso estar cada vez mais atento a uma «maioria sofrente» que já nem motivos encontra para escolher, para optar, para votar. A amargura de muitos não é com a direita nem com a esquerda: é com o poder. Que o poder apoie mais quem já não pode mais.

 

  1. Confesso que, embora acabe por embarcar na onda, me constrange esta contínua sucessão de «olás», «xauzinhos», «yás», «ok's», «boas» ou «tá tudo?» Já nem uma nesga de tempo se arranja para completar um polido «boas tardes» ou um convencional «está tudo bem?»

Aliás, esta abreviação da linguagem acaba por indiciar a brevidade fugidia dos nossos encontros. E já nem sequer falta um desaforado «porta-te mal!» a sinalizar as despedidas.

 

  1. Não escondo que tenho saudades de um convicto «louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo», de um respeitador «a bênção, meu Pai», de um auspicioso «até amanhã, se Deus quiser» ou, pelo menos, de um conciso «aDeus».

Dir-se-á: outros tempos, outros modos. Creio, porém, que eram modos que nunca deviam passar de moda!

 

  1. Muitas vezes, a paciência é amarga. Mas, como notou Jean-Jacques Rousseau, «o seu fruto é doce». Vale a pena ser paciente, mesmo que não seja fácil ser paciente sobretudo diante da injustiça. Só que a impaciência também não consegue nada e, às vezes, complica bastante.

Deus não dorme. E, no devido tempo, despertará quem anda adormecido.

publicado por Theosfera às 10:39

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