O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018
  1. A humanidade tem registado avanços como sempre. Mas está exposta e perigos como (talvez) nunca.

Preocupante é sentir que muitos destes perigos resultam de alguns daqueles avanços.

 

  1. É por isso que o fluxo da esperança tem de ser permanentemente temperado com muitas doses de realismo.

É que, se o bem cresce, o mal também progride.

 

  1. Por conseguinte, não estamos em condições de apresentar uma visão unitária da história.

Como percebeu Jacques Maritains, temos de contar com «várias descrições contraditórias» da existência.

 

  1. É certo que, como lembra Maurice Blondel, «tudo tende para o cume». Mas quem pode garantir, em cada momento, que estamos mais perto da plenitude?

Não nos iludamos. Cada progresso — alerta Edgar Morin — acarreta sempre um retrocesso.

 

  1. O progresso da tecnologia devia ser (simetricamente) correspondido por um progresso de humanismo.

Mas a experiência mostra que o progresso tecnológico está visceralmente ligado a um inquietante retrocesso humanitário.

 

  1. Não é a técnica que ameaça o homem. Afinal, não é o homem o produtor — e o contínuo utilizador — da técnica?

A bem dizer, é o homem que ameaça o próprio homem. Como é possível que o homem se deixe dominar por aquilo que gerou?

 

  1. Na sua obra «Technology vs humanity», Gerd Leonhard verbaliza o que todos sentem: a tecnologia está a mudar e sobretudo a mudar-nos.

O autor não hesita quanto ao caminho a seguir: tem de ser a humanidade a orientar a tecnologia; não pode ser a tecnologia a conduzir a humanidade.

 

  1. Estando cada vez mais conectados, já nos consciencializamos de que também estamos cada vez mais vigiados?

O mais intrigante é o caudal de irracionalidade em todo este processo. Não gostamos de ser vigiados, mas somos nós que fornecemos os elementos para que nos vigiem.

 

  1. E, como é óbvio, não podemos negligenciar a (momentosa) questão do emprego.

A intervenção humana já não dispensa a tecnologia. Mas, ao mesmo tempo, é a tecnologia que vai dispensando a intervenção humana.

 

  1. É fundamental apostar mais na via cooperativa que na via corporativa. A tecnologia existe para a cooperar com o homem. É urgente impedir que, em nome de lucros corporativos, a tecnologia ocupe o lugar do homem.

Não deixemos que a tecnologia vença a humanidade. Façamos tudo para que a humanidade vença com a tecnologia!

publicado por Theosfera às 10:38

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