O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 13 de Maio de 2018

A. O Filho que ascende ao Céu e a Mãe que desce do Céu

 

  1. Ascensão e Descensão. Celebramos hoje a Ascensão de Jesus. E assinalamos hoje a Descensão da Mãe de Jesus. Há dois mil anos, o Filho ascendeu ao Céu. E, há 101 anos, a Mãe desceu do Céu. Jesus sobe ao Céu para nos preparar um lugar no Céu (cf. o 14, 2). Maria desce do Céu para que nos preparemos para habitar nesse lugar do Céu.

Entre a Ascensão de Cristo e esta Descensão de Maria flui o mesmo — e único — mistério pascal. Maria vem para que todos possam entrar pelas portas que Jesus abriu. As portas que Jesus abriu são as portas da salvação. Nelas podemos entrar pelos caminhos da conversão. Nas nossas vidas incertas, é bom sentir que estas portas estão sempre abertas. Mas, ao mesmo tempo, é importante que não esqueçamos isto: o único salvador é Jesus Cristo. Só fazendo o que Ele diz (cf. Jo 2, 5), a nossa vida será feliz.

 

  1. A Ascensão de Jesus não é uma despedida, mas uma presença nova. Jesus não deixou o Pai quando veio até ao mundo e, agora, não deixa o mundo quando volta até ao Pai. Ele, que nos mostrou o Pai, (e)leva-nos para o Pai. É também a nossa humanidade redimida, salva e transfigurada que vai com Ele. Nós (já) estamos com Ele na eternidade; Ele (ainda) está connosco no tempo.

Enfim, o Céu continua na Terra e a Terra como que já está no Céu. Em Jesus Cristo, a eternidade e o tempo entrelaçam-se: não subsistem um sem o outro. No tempo que vivemos na Terra, já somos verdadeiramente «cidadãos do Céu» (Fil 3, 20), habitantes da «Casa do Senhor» (Sal 122, 1).


 

B. Jesus continua connosco

 

  1. Jesus continua presente no mundo, acompanhando os Seus discípulos em missão. São Marcos diz-nos que o Senhor consolida a palavra dos Seus enviados (cf. Mc 16, 20). E São Mateus anota a Sua promessa de que Ele estará sempre connosco, até ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20).

É, aliás, sobre a missão dos discípulos que incide o encontro de Jesus narrado pelo Livro dos Actos dos Apóstolos. Nele, Jesus pede aos discípulos que não se afastem até que venha o Prometido do Pai (cf. Act 1, 4). O Prometido do Pai é o Espírito Santo (cf. Act 1, 5). É o Espírito Santo que vai dar aos discípulos uma força suave — e uma suavidade forte — para que sejam testemunhas de Cristo «até aos confins da Terra» (Act 1, 8).

 

  1. Segundo o referido Livro dos Actos dos Apóstolos, foi após estas palavras que Jesus Se elevou (cf. Act 1, 9). Os discípulos deixaram de ver aquele que tinham visto e que voltarão a ver quando voltar (cf. Act 1, 11). A partir de agora, podemos ver — e fazer ver — Jesus através do testemunho. Este ainda não é, pois, o momento de «olhar para o Céu» (cf. Act 1, 11). Este é o momento de «pisar a Terra». E este é também o nosso tempo, o tempo da Igreja, o novo Corpo de Jesus (cf 1Cor 12).

Que resta, então, do rasto de Jesus? O que resta do rasto de Jesus chama-se precisamente Igreja. É pela Igreja que Jesus assegura a continuidade da Sua presença. E é pela Igreja que se mantém a Sua mensagem: não apenas o Evangelho escrito, mas sobretudo o Evangelho inscrito; não apenas o Evangelho que encontramos no livro, mas acima de tudo o Evangelho que reencontramos na vida.


 

C. Maria desperta-nos para seguirmos Jesus

 

  1. A Descensão de Maria é como que o eco da Ascensão de Jesus. A «Hora de Fátima» é, pois, a «Hora de Jesus» e tem de ser também a nossa «Hora com Jesus». Faz precisamente hoje — 13 de Maio — 101 anos que, «na Cova da Iria, apareceu (brilhando) a Virgem Maria». A Mãe veio despertar-nos para o Evangelho de Seu Filho.

É por isso que só honra Maria quem segue Jesus. É por isso que o maior tributo a Maria é participar na Eucaristia. É belo saber que temos Mãe. Mas não será triste ignorar o Filho desta Mãe? Não basta que os caminhos de Fátima estejam cheios. É urgente que os caminhos da Eucaristia nunca fiquem vazios. Fátima faz descer o Céu à Terra para que, em cada lugar da Terra, percebamos que é a Eucaristia que nos (e)leva da Terra ao Céu.

 

  1. Na alegria ou na aflição, para Fátima costumamos ir em peregrinação. A alma do nosso país é naquele lugar que se sente feliz. Mas não somos só nós. Todo o mundo em Fátima faz ouvir a sua voz. Quem não recorda o brado que, há um ano atrás, se fez ouvir naquele lugar de paz?

Do dia do centenário, dia bendito, ressoou um triplo — e sentido — grito: «Temos Mãe! Temos Mãe! Temos Mãe!» Foi o Santo Padre quem o disse. Houve alguém que não o ouvisse?


 

D. Sejamos cristãos em Maio, mas não aceitemos ser só «cristãos de Maio»

 

  1. De facto, «temos Mãe!» Eis o que, aparentemente, todos sabemos. Mas eis o que, pelos vistos, também esquecemos. «Temos Mãe!» Às vezes, parece que só temos Mãe para pedir. E é verdade que «temos Mãe» para pedir. Mas também «temos Mãe» para nos conduzir. «Temos Mãe» à nossa beira, ao longo da vida inteira. «Temos Mãe» que nos segura enquanto a nossa vida dura.

E, quando o nosso fim chegar, «temos Mãe» para, na porta do Céu, nos esperar. «Temos Mãe» quando d’Ela nos lembramos. E «temos Mãe» até quando do Seu Filho nos separamos. «Temos Mãe» para que ao Seu Filho voltemos sempre que d’Ele nos afastemos.

 

  1. Sejamos cristãos em Maio, mas não aceitemos ser só «cristãos de Maio». Temos de ser «cristãos cada dia» unindo sempre a devoção a Maria à Eucaristia. Não é Maria que nos afasta de Jesus. Como poderia afastar-nos de Jesus quem está sempre a dar-nos Jesus? Quem procura Maria inevitavelmente encontra Jesus. Se alguém não encontra Jesus é porque, verdadeiramente, não procurou Maria.

Por conseguinte, não deixemos que Maio acabe em Maio. E, mesmo em Maio, é vital perceber que o maior louvor a Maria é a Eucaristia. Acertemos sempre a nossa romaria pela hora da Eucaristia. O Terço do Rosário é uma excelente ambientação para a celebração. E pode igualmente servir de encaminhamento para a missão.


 

E. Não deixemos Fátima em Fátima

 

  1. Efectivamente, quem o Terço recita a vida de Jesus medita. Maria é a grande condutora para a contemplação da obra redentora. Ela não quer adorada. Ela só quer ensinar-nos a adorar. A Sua maior alegria é que sigamos Jesus em cada dia (cf. Jo 2, 5). Só fazendo o que Jesus diz é que deixaremos Maria feliz.

Assim sendo, não deixemos Fátima em Fátima. Procuremos trazer Fátima ao sair de Fátima. Há muitos sinais de vida até Fátima; deixemos que haja sinais de Fátima na nossa vida. «Vestimo-nos» com a nossa vida para chegar a Fátima. «Revistamo-nos» de Fátima ao retomar a nossa vida.

 

  1. Fátima não pode ser apenas uma experiência diferente no meio de uma vida indiferente. Como bem notou São João Paulo II, Fátima é o Evangelho de sempre para os tempos de hoje. Fátima sabe a Evangelho. Como o Evangelho, Fátima é oração, penitência e conversão. É esta a «medicação» que há-de curar o nosso coração.

Nós, que tanto amamos Maria, não Lhe neguemos esta alegria. Sigamos os passos de Jesus. É para Ele que Ela nos conduz. «Temos Mãe», nunca o esqueçamos. E que os passos de Seu Filho sempre sigamos. Ouçamos sempre a nossa Mãe. Ela, que tudo guardava dentro de Si, continua connosco, hoje e aqui. «Temos Mãe», nunca A deixemos. Com a nossa Mãe, muito mais felizes seremos!

publicado por Theosfera às 05:15

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