O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

A pergunta, disse Heidegger, é «a oração do pensamento».

 

Acerca de Maria, pessoa sempre tão comedida, não faltará quem pergunte. Como é que alguém habitualmente tão circunspecto canta um hino como o «Magnificat»?

 

É bom que se tenha presente que se trata de um cântico que hoje seria classificado como «de intervenção».

 

Aí, Ela louva Deus não só pelo que fez na Sua vida, mas também pelas transformações que operou na história.

 

A resposta mais desconcertante é a de S. João da Cruz. Maria canta porque está apaixonada. «Todos os apaixonados cantam!»

 

Maria sente-Se pequena diante da grandeza de Deus. Como refere Tolentino Mendonça, «colocar a nossa vida nua, a nossa vida inteira e pequenina, nas mãos de Deus em nada nos diminui».

 

Tantas vezes nos perguntamos sobre o que nos falta para sermos felizes. E vamos acumulando, sem que jamais nos sintamos satisfeitos.

 

Um dia, um índio discursou no continente americano e lá denunciou a avidez pela posse que presenciava. «O homem branco torna Deus mais pobre», confessava.

 

Maria ensina-nos que, afinal, não nos falta nada. Nada falta a quem, como nota Tolentino Mendonça, «se deixa incendiar e transformar pela Graça de Deus».

 

Ele «ama-nos sem porquê, ama-nos porque nos ama». Isto não será o bastante, não será tudo?

 

No «Magnificat», a oração de Maria não é feita de fórmulas, embora esteja em ligação com a história de Israel.

 

Como observa Tolentino Mendonça, «Ela expõe a sua vida naquilo que diz».

 

A oração é isso: estabelecer um diálogo vivo com Deus.

 

Quando há sinceridade, há beleza.

 

Não espanta, pois, que Sophia de Mello Breyner tenha considerado o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe». Basicamente, porque «anuncia» um mundo novo.

 

Foi este cântico que provocou a conversão de Paul Claudel. Ao entrar na Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca; acreditei por dentro e com todas as forças».

 

Nele acendeu-se «uma convicção tão forte, uma segurança tão indescritível, que fez desaparecer todos os resquícios das anteriores dúvidas»!

 

publicado por Theosfera às 13:17

De António a 12 de Outubro de 2011 às 13:43
"Os teólogos falam muito sobre Deus. Eu gostaria de saber com que frequência eles falam com Deus" João Paulo I (Introdução à Teologia, Paulus, 2004).

De Theosfera a 12 de Outubro de 2011 às 15:48
Uma pergunta deveras pertinente, bom Amigo. Evágrio de Ponto, na antiguidade, já terá dado a resposta: «Se fores teólogo rezarás verdadeiramente; se rezares verdadeiramente serás teólogo». A Teologia substantiva não é tanto a dos livros; é a da respiração espiritual. Hans Urs von Balthasar falava da «Teologia da Secretrária» e da «Teologia de joelhos», a tal que decorre do falar com Deus. Abraço amigo no Senhor Jesus.


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