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Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Desde há uns tempos a esta parte (Charlene Spretnak assinala os meados dos anos 90 como o momento da viragem), assistiu-se a uma espécie de ressurgimento mariano.

 

Já tinha havido um Ano Mariano (1987-1988). Curiosamente, está a decorrer, neste momento, uma petição ao Papa para que haja um novo Ano Mariano em 2012-2013, para assinalar o vigésimo quinto aniversário do anterior.

 

Começou a aumentar a afluência aos santuários marianos, a qual, actualmente, atinge níveis impressionantes, ainda que, qualitivamente, este dado careça de uma triagem muito séria.

 

As orações marianas estão a ser reintroduzidas em muitas igrejas e escolas católicas. Até, no plano da discografia, as composições marianas estão a ter uma saída muito apreciável.

 

Em 1999, apareceu um artigo na revista «Christos» com o sugestivo título «O regresso da Virgem Maria», que começava assim: «Depois de uma longa ausência, Maria regressou».

 

É óbvio que a ausência não era de Maria em relação aos cristãos, mas de alguns cristãos em relação a Maria.

 

O autor do sobredito texto propugnava uma espiritualidade mariana revitalizada, longe daquilo que denominava «racionalismo desidratado» que afectara a Igreja.

 

Numa linha próxima da de Hans Urs von Balthasar, o articulista defendia que «a dimensão mariana da Igreja precede a de S. Pedro».

 

Daqui extraía uma ilação de relevância supina: «A Igreja é mais carismática do que hierárquica. Maria revela-nos a identidade da Igreja, o coração da aliança, o feminino».

 

Acontece que esta interacção entre o carisma e a instituição raramente alcança o grau de equilíbrio desejado. A história mostra que a acção propende para a acentuação da instituição e só no âmbito de alguma reacção se vinca a centralidade do carisma.

 

Deste modo, parece que o carisma é mais reactivo que proactivo. Sucede que se alguma coisa Maria nos oferece, é precisamente a centralidade do mistério. O ministério está ao serviço do mistério: para o propor, para o vivenciar.

 

Daí que Hans Urs von Balthasar, num livro que escreveu em parceria com o então Cardeal Joseph Ratzinger, tenha recordado que «a Igreja, antes de ser masculina em Pedro, é feminina em Maria».

 

Como acontece com todo o ser humano, toda a Igreja é composta pelo masculino e pelo feminino.

 

Cada pessoa, assegurou Carl Jung num célebre estudo, transporta consigo o masculino e o feminino, o animus e a anima.  

 

A delicadeza da relação entre masculino e feminino na Igreja é semelhante às dificuldades que se revelam no equilíbrio entre carisma e instituição, entre mistério e ministério.

 

Olhando para os fundamentos bíblicos do Cristianismo, Hans Urs von Balthasar chegou ao ponto de dizer que, se Pedro orienta visivelmente a Igreja, é Maria que «a governa escondidamente».

publicado por Theosfera às 11:50

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