O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

1. Precisamos de fé porque somos viandantes e, na viagem da vida, caminhamos, quase sempre, na obscuridade.

 

Se tudo fosse claro, se a luz brilhasse permanentemente e não só a espaços, facilmente a dispensaríamos.

 

Enquanto a eternidade não chega, só a fé compensa a neblina que se atravessa no horizonte.

 

É para a fé que nos remetemos quando nos acontece aquilo que não prevemos nem explicamos.

 

Luís Miguel Cintra surpreendeu-se quando se viu a chorar nas Festas da Assunção, em Espanha. Foi percebendo que estava diante de «coisas que terão que ver com um estado de transporte pessoal em que a pessoa se transcende e entra num estado místico».

 

A fé vale também pela credibilidade dos que a dizem ter. Num tempo de ondulações líquidas, carecemos de referências sólidas. «Desde sempre precisei de exemplos. De santos. Do exemplo de vidas políticas, voltadas para os outros e voltadas e voltadas para Deus».

 

 

2. O encenador assume o seu mergulho na dúvida e na incerteza. Sente-se como actor do mistério do mundo» e com um forte «desejo de pensar a vida de forma mais vasta que não a materialista, que se exalte na construção de metáforas ou de espectáculos e também no que se pode chamar fé, crença ou esperança numa transcendência da vida que a torna um mistério inexplicável».

 

É por esta via que Luís Miguel Cintra entrevê o progresso: «Confio muito mais que, mesmo que não se veja, alguma transformação existirá para a qual eu já contribuí. De alguma maneira, o mundo irá progredir sempre».

 

Nesta fase da sua vida, sente uma grande necessidade de um pensamento religioso. «Tomo consciência de como ela exsitiu desde sempre, mas quero dar-lhe uma forma mais concreta».

 

Vê-se «integrado no que se chama a ideologia cristã» e entende que, sem fé, a vida empobrece. «Como é possível não ter fé? Como se pode viver sem necessidade de acreditar em nada a não ser no que é comprovado cientificamente? É deixar escapar uma parte principal da vida».

 

 

3. Lamenta que a sociedade, em vez de congregar, esteja a separar as pessoas, deslaçando-as. A sua esperança está focada «numa transformação interior que volte a reunir as pessoas socialmente».

 

Ao contrário do que foi visado nas auroras revolucionárias, hoje «não existem colectivos, mas pessoas individuais que, por razões completamente diferentes, e maneiras de sentir diferentes, se juntam para um objectivo comum».

 

O que Luís Miguel Cintra denuncia na Igreja é nem  sempre ter fomentado a interpretação individual dos textos. Para ele, «a Igreja não devia impor às pessoas uma unidade tal que despersonalize o envolvimento das pessoas».

 

Aqui, aproxima-se muito do que defende, por exemplo, Simon Weil, que apela para a escuta (e para a espera) de Deus no silêncio inultrapassável da consciência.

 

 

4. A fé não desmundaniza nem desumaniza. «Acreditar em Deus é acreditar também numa parte misteriosa da condição humana. O que me agrada no Cristianismo é a ideia de que Deus Se torna homem». Isto significa que «a forma humana pode conter divindade».

 

O pensar na morte, neste sentido, ajuda a valorizar a vida dos outros. «Fico a gostar mais da vida, porque gosto do que as outras pessoas vivem e fazem. Há uma espécie de corrente que transcende o destino individual e que se vai prolongando entre gerações. O que vivi provoca mais vida».

 

A fé é, afinal, um fluxo vital que nem a morte detém.

 

 

publicado por Theosfera às 00:01

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