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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Toda a gente fala dos deveres da pessoa para com a comunidade. Mas ninguém parece falar dos deveres da comunidade para com a pessoa.

 

Uma pessoa que se afaste da comunidade é facilmente apontada como culpada. A comunidade que consente no afastamento de uma pessoa nem sequer é descrita como (eventualmente) responsável.

 

A uma pessoa que tenha de se afastar da comunidade é feita uma pressão no sentido de se reintegrar. A uma comunidade que consente no afastamento de uma pessoa nenhum apelo parece ser feito para melhor acolher.

 

A pessoa que se afasta é, rapidamente, apodada de individualista e, no limite, de sociopata. Mas à comunidade que não acolhe nenhuma falha parece ser identificada.

 

Porque é que a pessoa que se afasta é marginal e não há-de ser marginal a comunidade que não acolhe?

 

Porque é que só a pessoa é pressionada a mudar? A comunidade também não deve ser compelida a transformar-se?

 

Será só determinada pessoa que tem resistências à comunidade? Não poderá também a comunidade ter alergia em relação a algumas pessoas?

 

Não se tratará, em rigor, de alergia à diferença?

 

O debate, para ser equânime, tem de ser polarizado nos dois sentidos. E não deve ser unilateralmente limitado a um dos lados.

 

A vida não pode ser guiada por preconceitos e lugares-comuns. E, a montante de tudo, terá de prevalecer o respeito pelas opções de cada um sem julgamentos sumários.

 

É claro que o número acaba por ditar as suas (implacáveis) regras. Para muitos, a razão rima apenas com multidão.

 

Mas temos de perceber que, se o carácter tem de ser recto, a existência pode ser, muitas vezes, curvilínea.

 

E nem sempre o isolamento é sinónimo de recusa da comunidade. Pode ser uma necessidade de sobrevivência e, quem sabe, uma reacção a uma recusa prévia da comunidade.

 

Ernst Junger alertou para o perigo de a comunidade também poder ser o lugar da desumanidade. Por um efeito de contágio, nem sempre nos aperceberemos dela.

 

Muitas vezes, temos de reconhecer que é difícil encontrar ressonância para as nossas preocupações ou um simples espaço para manter uma conversa em patamares mínimos de decência.

 

Quando não há identificação, penso que não se deve avançar para o confronto. O melhor é apostar numa alternativa.

 

O silêncio nem sempre é a recusa do outro. Pode ser uma forma de tentar captar melhor a sua profundidade, aquilo que nem sempre (ou quase nunca) assoma à superfície.

 

É claro que a pessoa deve adaptar-se à comunidade. Mas não deverá também a comunidade adaptar-se a cada pessoa?

 

Se tal não for possível, respeitemos as opções de cada um. Na paz.

publicado por Theosfera às 15:43

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