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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Ele era um ditador e disse que o seu povo o amava.

 

A esta hora, é fácil dizer que estava errado. Mas durante quarenta anos, quem o poderia desmentir?

 

Terá acrescentado que o seu povo morreria para o proteger. Como ainda não foi encontrado, fácil é concluir que alguém do seu povo estará, de facto, a dar-lhe guarida.

 

Tudo isto nos leva a um dos mistérios mais inextricáveis da natureza humana. Como é possível que, sendo a liberdade um impulso tão forte e uma aspiração tão funda, a história da humanidade esteja marcada pela sua ausência?

 

Ainda hoje, há muitas ditaduras. Há cerca de um século, quase não havia democracias.

 

Será tudo isto apenas efeito do poder dos déspotas? Não haverá aqui também vontade e consentimento activo por parte do povo?

 

Muitas vezes parece que quanto mais autoritário é um líder, mais aclamado se torna.

 

Basta olhar para as multidões que vitoriavam Hitler, que idolatravam Estaline e que, ainda hoje, enchem praças para louvar os chefes dos regimes norte-coreanos ou chineses.

 

A doença de Hugo Chávez (a quem desejo, sinceramente, rápidas melhoras) revelou um caso de devoção extrema. Muitos cidadãos raparam o cabelo para imitar o presidente.

 

Só por saturação ou por uma crise profunda é que os regimes autocráticos caem. Porquê?

 

No fundo, o ser humano aprecia quem decide por si, quem o poupa à missão de conduzir o seu destino. No fundo, o ser humano, apesar de amar a liberdade, tem medo de ser livre. Tem medo da sua liberdade e da liberdade dos outros.

 

Um dos escritores que melhor escrutinou a alma humana, Dostoiévski, disse que «não há nem houve jamais nada mais intolerável para o homem e a sociedade do que as pessoas serem livres».

 

Em tempos de incerteza e de insegurança, este é um clima muito propício ao surgimento de ditadores ou de personalidades autocráticas.

 

Muitas vezes, não é só a liberdade a ser retirada. Muitas vezes, é a própria liberdade a ser entregue.

 

 

publicado por Theosfera às 16:22

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