O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

A Igreja, na sua missão, tem dois instrumentos essenciais: a acção e a palavra.

 

Não deve renunciar a nenhum deles por muito que aposte no outro.

 

A situação de emergência social, que atravessamos, convoca, uma vez mais, a participação das instituições eclesiais.

 

E, sobretudo através da generosidade de muitos leigos, tal participação tem sido assegurada.

 

Só que a Igreja de Jesus não pode limitar-se à acção junto das vítimas de um sistema desumano.

 

Ela tem de questionar, em nome de Jesus, esse mesmo sistema.

 

Tem de usar, portanto, a palavra para que o poder seja inquietado e, se possível, transformado.

 

É, por isso, surpreendente que uma ou outra voz se levante não a interpelar o poder, mas a criticar quem interpela o poder.

 

Até Bento XVI, logo na primeira encíclica, deixou bem claro que a insistência na caridade não impede que se lute pela justiça.

 

É preciso dar o pão e é urgente perguntar por que razão continua a faltar o pão na casa de muita gente.

 

Pensar-se-á que, numa hora de crise, tal questionamento não deve ser feito. Responderei que, nesta hora de crise, é que tal questionamento tem de ser formulado e intensificado.

 

Caso contrário e como explicam dois sociólogos de renome, até parece que a emergência social é uma oportunidade caída do céu para alguns manifestarem o seu pendor caritativo. O mais perturbador é que se transforme em ajuda aquilo que deve ser tido como direito.

 

E tenho de assumir que causa alguma espécie ver tantos apoios serem distribuídos à frente das câmaras de televisão. Eu sei que, hoje em dia, tudo é mediatizado. Mas será correcto usar a pobreza das pessoas para pronover a nossa imagem caritativa? Não será uma instrumentalização abusiva? Não deveria ser tudo feito no mais absoluto recato?

 

Por outro lado, se o Governo se mostra sensível e cria um programa de assistência, porque é que não actua a montante, evitando que se agrave a vida de muitas pessoas?

 

O mais impressionante é que, além da pobreza, há três milhões de pessoas em Portugal que parecem atirados para o conformismo. Já não há protestos em público. E também não há muitas vozes que se façam eco dos protestos calados que jazem na alma de tantos.

 

Eis uma missão que não pode ser esquecida. Os membros da Igreja, nomeadamente os seus pastores, não hão-de esquecer que são representantes de alguém que, além de mestre, era um profeta.

 

E um profeta existe não para explicar os acontecimentos, mas para ajudar a transformar a realidade.

 

Dói um pouco, confesso, ver este entusiasmo todo com as romarias e, ao mesmo tempo, um conformismo tão grande com a persistente fome de tanta gente.

 

O mais que fazemos é dar do que nos sobeja. Já não é pouco. Mas é preciso (muito) mais. Só que perguntar por que as coisas estão assim parece não ser connosco.

 

Incomodar o poder é, de facto, muito incómodo.

publicado por Theosfera às 10:12

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